A afirmação marca uma mudança de tom em relação a declarações anteriores do governador, que até então evitava falar diretamente sobre ambições presidenciais. Na mesma entrevista, Tarcísio abordou a situação fiscal do país e cobrou ajuste de gastos do governo federal.

Ao ser perguntado sobre o vídeo em que reconheceu o resultado das eleições, interpretado pela classe política como sinalização de disposição presidencial, o governador respondeu que o foco atual é honrar os compromissos com São Paulo. Citou a entrega de 14 hospitais no 1º mandato e 20 unidades em construção como exemplos do trabalho em curso.

“Terminando bem o 2º mandato, obviamente abre uma possibilidade [de disputar a Presidência]. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho”, afirmou Tarcísio.

O governador acrescentou um componente religioso à reflexão sobre o futuro político. “Eu sempre levo a questão espiritual para as minhas decisões. Eu acredito muito na vontade do Senhor. Deus abre as portas para você. Quando Deus abre uma porta, aquele projeto é de Deus. Quando Deus fecha uma porta, ele está te dando um livramento. Então, todos os meus projetos são dedicados ao Senhor e eu acredito muito nisso. E ele te mostra o caminho”, afirmou o governador.

Ajuste fiscal e risco de recessão

Na parte econômica da entrevista, Tarcísio criticou o que chamou de incoerência fiscal do governo federal e alertou para o risco de recessão. “Alguma coisa precisa ser feita, porque senão a gente corre o risco real de entrar em recessão”, afirmou.

O governador descreveu a dinâmica atual como uma contradição entre a política monetária e a fiscal. Na avaliação dele, o Banco Central tenta “tirar a água do barco” com juros altos enquanto o governo federal “coloca água no barco gastando demais”. A taxa de juros, segundo ele, está “beirando os 15%, 13,75%, podendo aumentar”.

Tarcísio também criticou o histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na área fiscal. Para o governador, Lula sempre achou que “o Brasil aguentava mais endividamento ” e comparou o país a nações com perfis de dívida diferentes. A relação dívida/PIB, segundo Tarcísio, pode chegar a 120% ou 130% no cenário que projeta.

O governador se posicionou contra a transferência do custo do ajuste para os mais vulneráveis. Defendeu o que chamou de “reforma total do orçamento” , com ênfase na desvinculação de receitas. Segundo ele, o orçamento discricionário já representa apenas 5% do total e tende a encolher ainda mais se novas vinculações forem aprovadas, como os 2% pleiteados pela área de defesa.

Tarcísio também citou a experiência do Estado de São Paulo, onde afirmou ter promovido desvinculação de receitas na Constituição estadual. A medida, segundo ele, permitiu criar uma tabela do SUS paulista e ampliar o orçamento da educação simultaneamente. Sobre a desindexação das aposentadorias do reajuste do salário mínimo, o governador respondeu que “é uma coisa para ser estudada”.