Embora tenha afirmado compreender a “indignação e revolta” do aliado e de parte dos eleitores, Tarcísio enfatizou que o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte” no sistema de freios e contrapesos.
Orientação em reunião com advogados
Em entrevista ao jornal Estadão, Tarcísio de Freitas revelou que recomendou expressamente a Flávio Bolsonaro que permanecesse no Brasil após a derrota no segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A orientação foi dada durante uma reunião em Brasília com advogados e integrantes da campanha, que contou também com a participação do senador Rogério Marinho (PL-RN).
De acordo com o governador, o conselho do grupo era para que o candidato derrotado utilizasse os instrumentos legais previstos na legislação eleitoral, como ações de investigação de abuso de poder, em vez de rejeitar o resultado das urnas.
“O conselho que nós demos a ele […] foi que ficasse. Foi na reunião na casa dos advogados, quando a gente discutia, por exemplo, o próprio recado à nação, que foi a gravação daquele vídeo. Ali ele não fala mais que não vai reconhecer o resultado. Isso não cabe. Fala, por exemplo, que vai pedir a cassação, porque a cassação da chapa é algo normal”, relatou Tarcísio em sua fala ao Estadão.
Tarcísio ressaltou ainda que desconhecia os planos do senador de viajar para o exterior.
Críticas à retenção de passaportes e recuo na carta
Apesar de ter defendido a permanência de Flávio no país, Tarcísio evitou condenar a decisão pessoal do aliado de se deslocar para os Estados Unidos, mencionando a situação de prisão vivida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O governador também criticou a ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que exigia a entrega dos passaportes e proibia o senador de deixar o Brasil, classificando a medida da Polícia Federal como “intimidação”.
A entrevista de Tarcísio ao Estadão ocorreu horas antes de Flávio divulgar seu manifesto a partir da Flórida. Na primeira versão da carta, o senador se autoproclamou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Contudo, diante da repercussão e da falta de apoio de lideranças partidárias, o documento foi editado posteriormente, substituindo o termo por “líder do Brasil”.
Reiterando o tom institucional, Tarcísio concluiu que o pleito foi encerrado e que o caminho da oposição deve ser o trabalho político dentro das regras constitucionais: “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”.

