Quem nunca recorreu àquele chazinho preparado pela avó para aliviar uma tosse, um desconforto no estômago ou ajudar a relaxar? Passados de geração em geração, muitos desses conhecimentos populares encontram respaldo na ciência, que reconhece as propriedades terapêuticas de determinadas plantas medicinais.

No Brasil, o Ministério da Saúde reconhece a fitoterapia como uma das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006. A política valoriza os saberes tradicionais e incentiva o uso seguro e racional das plantas medicinais, como recurso complementar na promoção da saúde, na prevenção de agravos e no cuidado com a população.

Em Jundiaí , esse conhecimento foi compartilhado na manhã de quarta-feira (21), durante um encontro promovido pela UBS Fazenda Grande, no centro comunitário do bairro. A atividade reuniu dezenas de mulheres, que aprenderam sobre as propriedades e os usos de plantas medicinais e ervas aromáticas, além de participarem de uma oficina de preparação de óleos.

Fátima Parrilha Vieira, 70, marcou presença no encontro – Foto: Prefeitura de Jundiaí

Aos 70 anos, Fátima Parrilha Vieira já conhece bem essa tradição. Acostumada a cultivar e utilizar plantas medicinais no dia a dia, ela aprovou a oportunidade de ampliar seus conhecimentos. “Eu tenho várias ervas em casa e sempre usei para fazer chá. São naturais e ajudam na saúde”, contou.

A iniciativa integrou a programação do Outubro Rosa e também contou com prática de Lian Gong e palestra sobre saúde da mulher, com orientações sobre a prevenção e o diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero. Entre os assuntos abordados estiveram a importância da mamografia e do exame Papanicolau, respectivamente, para a identificação de alterações e o acompanhamento da saúde.

Para Joana Torres Poliselli, de 66 anos, o encontro teve um significado especial. Após enfrentar um câncer do colo do útero, ela reconhece a importância de compartilhar informações sobre prevenção, mas também encontrou na atividade uma oportunidade de aprofundar seu interesse pelas plantas medicinais. “Eu sou ‘raiz’ mesmo e acredito no poder dessas ervas para cuidar da saúde. E esse momento de socialização com outras mulheres é muito potente para espalharmos conhecimento”, afirmou.

Encontro contou com prática de Lian Gong – Foto: Prefeitura de Jundiaí

Segundo a coordenadora da Assistência Farmacêutica da Secretaria Municipal de Promoção da Saúde, Ana Cláudia Jordão Rodrigues, as práticas integrativas ampliam as possibilidades de cuidado para além das consultas e dos exames. Além do uso orientado de plantas medicinais, o SUS reconhece práticas como auriculoterapia e outras abordagens voltadas ao bem-estar, que se somam a atividades físicas, alimentação equilibrada e ações coletivas de promoção da saúde. Na rede municipal, também são disponibilizados medicamentos fitoterápicos nas farmácias das unidades de saúde, mediante prescrição.

“O cuidado com a saúde precisa acontecer durante todo o ano, e não apenas quando surge uma doença ou uma emergência. As práticas integrativas vêm complementar esse acompanhamento, unindo o conhecimento científico aos saberes populares e incentivando hábitos que contribuem para a qualidade de vida. Jundiaí tem ampliado cada vez mais essas iniciativas, e isso representa um ganho para toda a comunidade e para o SUS”, destacou.