ChatGPT foi usado por engenheira de software de 31 anos para reduzir e interromper uso de medicamentos para epilepsia, levando à sua morte.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, foi alvo de processo movido pelos pais da vítima, que afirmam que o chatbot incentivou a redução de medicamentos e minimizou sintomas.

O GPT-4o, modelo usado pela vítima, foi criticado por comportamento excessivamente complacente e será descontinuado.

A OpenAI é alvo de um novo processo por supostamente participar de uma morte incentivada pelo ChatGPT. A vítima, chamada Bowen Wan, era uma engenheira de software de 31 anos, que teria reduzido e depois interrompido o uso de medicamentos para epilepsia por causa das conversas com a IA.

O caso, levado à Justiça pelos pais de Wan, inclui mais de 270 mensagens trocadas entre ela e o ChatGPT ao longo de três anos. Segundo a ação, o chatbot montou cronogramas para reduzir a medicação, minimizou sintomas e crises e apoiou a mulher na decisão de esconder as informações dos médicos.

De acordo com o New York Times , Wan vivia em Seattle e estava afastada do trabalho na Amazon desde 2021 por causa da doença. Em novembro de 2025, no entanto, Wan soube que seria demitida da Amazon e recorreu ao ChatGPT para discutir uma redução da dose , pensando que os efeitos colaterais do remédio poderiam afetar o desempenho em futuras entrevistas.

Ela morreu entre 11 e 12 de fevereiro de 2026, segundo a reportagem. O laudo apontou morte súbita e inesperada na epilepsia (SUDEP).

A OpenAI afirmou ao jornal que o caso envolveu uma versão antiga do chatbot, o GPT-4o, que já não está disponível . Disse também que os modelos atuais receberam proteções adicionais para reconhecer emergências médicas.

ChatGPT montou plano para reduzir medicamento

ChatGPT volta a aparecer em processo por morte de usuário (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

De acordo com as conversas analisadas pelo jornal, o ChatGPT considerou “totalmente realizável” uma proposta de Wan para reduzir a dose diária do remédio de 400 mg para 300 mg. Meses antes, Wan já havia perguntado se poderia alterar a dosagem de outro medicamento sem informar ao neurologista. O ChatGPT respondeu que o ajuste seria “até tacitamente permitido por alguns médicos”.

Em uma ocasião, a IA elogiou a decisão de não informar ao médico de atendimento primário sobre a redução. Nicholas Poolos, neurologista de Wan, disse ao Times que jamais teria autorizado a retirada do medicamento enquanto ele continuasse funcionando.

À medida que reduzia os medicamentos, Wan passou a informar ao ChatGPT novos episódios de convulsão. Ela demonstrou preocupações pelo menos 158 vezes, mas as respostas do chatbot frequentemente as minimizavam como parte da adaptação.

Quando Wan relatou confusão mental e dificuldade para ler, a IA disse que o cérebro estaria retornando ao “próprio ritmo. Já episódios de perda de consciência foram classificados pelo ChatGPT como o cérebro em “modo de baixo consumo”.

Processo cita comportamento do GPT-4o

GPT-4o está novamente na “cena do crime” (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Wan usava o GPT-4o, modelo lançado pela OpenAI em 2024 e bastante criticado por apresentar um comportamento excessivamente complacente. O sistema tendia a concordar e validar qualquer ideia do usuário em vez de contestá-las quando necessário.

O processo se soma a outras ações relacionadas à segurança do ChatGPT que envolveram o mesmo modelo. Em agosto de 2025, os pais de Adam Raine, de 16 anos, também processaram a OpenAI após a morte do adolescente .

O GPT-4o saiu do app do ChatGPT em 13 de fevereiro, um dia após a data estimada da morte de Wan. Não há evidências de que a decisão da OpenAI tenha relação com a ocorrência.

Novo processo liga ChatGPT à morte de mulher de 31 anos