# Vereador mais longevo do Brasil, com 12 mandatos seguidos, é alvo de investigação sobre desvio milionário da previdência em SC

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/10/29/vereador-mais-longevo-do-brasil-investigacao-desvio-milionario-da-previdencia-palhoca.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-29T16:02:29.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1420071-vereador-mais-longevo-do-brasil-com-12-mandatos-seguidos-e-alvo-de-investigacao

> PF mira grupo suspeito de fraudar R$ 16 milhões no fundo de previdência dos servidores de Palhoça

O vereador Nirdo Artur Luz (PL), conhecido como Pitanta, foi alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira (29) na operação que investiga o suposto desvio de R$ 16 milhões da previdência dos servidores públicos de Palhoça, na Grande Florianópolis. Atual presidente da Câmara e no cargo a 12 mandatos consecutivos, atuou como prefeito interino em 2013, quando as irregularidades ocorreram.

Agentes estiveram na casa do vereador pela manhã. Em nota, o político, que é o mais longevo do Brasil no cargo de um legislativo municipal, disse que não assinou qualquer documento relacionado às operações financeiras investigadas ou participou de decisões referentes à realização dos investimentos (confira a íntegra no final da reportagem).

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'Vereador não se aposenta', disse Pitanta ao ser eleito pela 12ª vez

PF apura se R$ 16 milhões desviados da previdência de Palhoça

Nirdo Artur Luz

Câmara de vereadores de Palhoça, na Grande Florianópolis

Operação 'Casa de Palha'

A ação investiga o desvio do dinheiro depositado no Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos de Palhoça (IPPA). Os recursos geridos pela entidade pertencem aos servidores municipais e destinam-se à garantia de suas aposentadorias e pensões.

Segundo a PF, os crimes ocorreram por meio de aplicações irregulares em fundos de investimento. Além da casa de Pitanta, agentes fizeram buscas em três outras casas ligadas aos investigados em São José.

Também foi solicitado bloqueio de valores, a indisponibilidade de imóveis e o sequestro de veículos e embarcações dos suspeitos e de empresas, que não tiveram os nomes revelados.

Procurada, a prefeitura afirmou que os eventos sob apuração ocorreram no exercício financeiro de 2013 e que a atual administração está prestando cooperação com as investigações.

"O IPPA repudia condutas que violem as normas de governança, conformidade e prudência aplicáveis aos regimes próprios de previdência. Os recursos geridos pela entidade pertencem aos servidores municipais e destinam-se à garantia de suas aposentadorias e pensões. A autarquia reafirma sua confiança nos órgãos de fiscalização", disse (íntegra no fim do texto).

Dinheiro comprou imóveis

A apuração da PF indica que parte do dinheiro desviado pode ter retornado para os agentes públicos envolvidos no esquema.

Há indícios de que o dinheiro foi convertido em imóveis e veículos registrados em nome de outras pessoas ligadas aos suspeitos.

Os crimes apurados são de gestão fraudulenta, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Quem é Pitanta?

Natural de Palhoça, Pitanta é funcionário público aposentado pelo Departamento de Transportes e Terminais (DETER), onde atuou por 37 anos.

A primeira vitória dele como vereador veio em 1976, com 20 anos, quando ele era filiado ao Arena. Em 2013, enquanto presidente da Câmara de Vereadores, chegou a assumir a prefeitura por seis meses. Foi neste período em que o esquema criminoso investigado ocorreu, segundo a PF.

Em entrevista ao g1 em 2024, após ser eleito para o 12º mandato, o parlamentar afirmou que vereador não se aposenta e que pretende seguir na política por pelo menos mais duas décadas.

"Vereador não se aposenta. Eu operei meu coração faz quatro anos, e o médico me deu mais 20 a 35 anos [de vida]. São mais cinco mandatos. Até os 90 anos vão ter que me aguentar", declarou na ocasião.

Vereador em Palhoça (SC) é eleito para 12º mandato consecutivo

O que disse o político

Diante das notícias divulgadas acerca da investigação conduzida pela Polícia Federal envolvendo investimentos realizados pelo Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos de Palhoça (IPPA), venho a público prestar os devidos esclarecimentos.

Inicialmente, é importante destacar que os fatos investigados remontam ao ano de 2013, período em que exerci, de forma interina, o cargo de prefeito do Município de Palhoça.

Esclareço que não assinei qualquer documento relacionado às operações financeiras investigadas, tampouco participei de decisões referentes à realização dos investimentos questionados.

É fundamental ressaltar que o IPPA é uma autarquia municipal, dotada de personalidade jurídica própria e autonomia administrativa e financeira, possuindo estrutura de gestão própria para a administração dos recursos previdenciários.

Dessa forma, o exercício do cargo de prefeito, ainda que interinamente, não implica participação direta na gestão dos investimentos realizados pelo Instituto. Não tive qualquer ingerência sobre as aplicações financeiras objeto da investigação, nem participei de sua autorização, deliberação ou execução.

A responsabilidade por eventuais irregularidades deve ser apurada de maneira individualizada, considerando as atribuições legais de cada agente e sua efetiva participação nos atos investigados, não sendo possível presumir responsabilidade simplesmente pelo exercício temporário da chefia do Poder Executivo Municipal.

Reafirmo meu respeito ao trabalho da Polícia Federal e minha plena disposição para colaborar com as autoridades competentes, prestando todos os esclarecimentos necessários.

Confio na apuração dos fatos e no esclarecimento das responsabilidades, com respeito à verdade, à legalidade e ao devido processo legal.

O que disse o município

O Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos do Município de Palhoça (IPPA) vem a público esclarecer os fatos relativos à deflagração da Operação Casa de Palha pela Polícia Federal, ocorrida em 29 de outubro de 2026. A ação policial cumpriu mandados nos municípios de Palhoça e São José para aprofundar investigações sobre a aplicação irregular de recursos previdenciários em fundos de investimento, com prejuízo estimado em R$ 16 milhões, além de apurar supostos crimes de gestão fraudulenta, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O Instituto destaca à sociedade e aos segurados que os eventos sob apuração ocorreram exclusivamente no exercício financeiro de 2013, sob a responsabilidade de gestão anterior da autarquia. Na época, os investimentos foram autorizados sem o cumprimento das formalidades legais exigidas. Cumpre destacar que, já no momento daquelas apurações iniciais, o ex-presidente da instituição foi imediatamente exonerado do cargo. Além dessa medida, a própria autarquia formalizou representações perante o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC) e a Secretaria de Previdência (SPREV), cujas auditorias técnicas fundamentaram a apuração policial em curso.

A atual administração do IPPA presta irrestrita cooperação com a Polícia Federal e o Poder Judiciário, disponibilizando acesso integral a documentos, balancetes e sistemas contábeis. Ressaltamos ainda que o IPPA não foi alvo de buscas ou mandados.

Por fim, o IPPA repudia condutas que violem as normas de governança, conformidade e prudência aplicáveis aos regimes próprios de previdência. Os recursos geridos pela entidade pertencem aos servidores municipais e destinam-se à garantia de suas aposentadorias e pensões. A autarquia reafirma sua confiança nos órgãos de fiscalização e o compromisso permanente com a legalidade, a transparência e a preservação do patrimônio previdenciário dos servidores de Palhoça.

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Reportagem completa: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/10/29/vereador-mais-longevo-do-brasil-investigacao-desvio-milionario-da-previdencia-palhoca.ghtml

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