# “Autoproclamação” de Flávio degrada a democracia, diz Celso de Mello

- Seção: Política
- Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/autoproclamacao-de-flavio-degrada-a-democracia-diz-celso-de-mello/)
- Publicado em: 2026-10-29T17:05:17.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1420889-autoproclamacao-de-flavio-degrada-a-democracia-diz-celso-de-mello

> O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello declarou na 4ª feira (28.out.2026) que a carta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na qual se autodeclarou “ presidente eleito ” degrada a democracia e desrespeita o eleitorado. O…

No manifesto, divulgado dos Estados Unidos, Flávio afirma que houve fraude eleitoral sem apresentar provas. Inicialmente, declarou-se o “ verdadeiro presidente eleito do Brasil ”, mas alterou a expressão para “ líder do Brasil ” em uma versão posterior.

Segundo Celso de Mello, dirigir-se à população e à comunidade internacional atribuindo-se a condição de presidente eleito diante de um resultado adverso nas urnas “ constitui uma manifestação de extraordinária gravidade política ”.

O ex-ministro afirmou que a legitimidade presidencial decorre da escolha popular e não da convicção pessoal de um candidato vencido. &#8220; Ninguém adquire um mandato presidencial por autoproclamação; ninguém pode converter a própria inconformidade com a derrota em título de investidura no poder ”, disse.

Para Mello, a atitude representa desrespeito ao eleitorado: “ O voto de quem escolheu outro candidato não vale menos, não possui dignidade inferior e não pode ser apagado pela recusa do vencido em reconhecer sua eficácia ”.

FUGA DE FLÁVIO

Flávio Bolsonaro , sua mulher e as duas filhas adolescentes do casal fugiram do Brasil por se sentirem ameaçados por eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal expediu um pedido de apreensão do passaporte de Flávio só 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial , às 21h09 de 25 de outubro de 2026 –o vencedor foi Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio. O magistrado avalizou o pedido da PF para apreender os documentos de Flávio e proibi-lo de sair do país. Leia a linha do tempo do caso aqui .

TEXTO DE MELLO

Eis a íntegra do texto do ex-ministro:

NINGUÉM ADQUIRE UM MANDATO PRESIDENCIAL POR AUTOPROCLAMAÇÃO

&#8220;Dirigir-se ao povo brasileiro e à comunidade internacional atribuindo-se a condição de presidente eleito, em oposição ao resultado legítimo proclamado pelas instituições competentes, constitui uma manifestação de extraordinária gravidade política.

&#8220;A legitimidade presidencial não nasce da convicção pessoal de um candidato vencido, da fidelidade de seus seguidores ou do apoio que eventualmente receba de governantes estrangeiros.

&#8220;Decorre da soberania popular, exercida segundo as regras constitucionais que organizam a disputa eleitoral e permitem reconhecer, com segurança jurídica, a vontade manifestada nas urnas.

&#8220;Ninguém adquire um mandato presidencial por autoproclamação; ninguém pode converter a própria inconformidade com a derrota em título de investidura no poder.

&#8220;A democracia constitucional impõe a todos os participantes da competição política uma obrigação essencial de reciprocidade: as regras que tornam possível reivindicar a vitória também obrigam a reconhecer a derrota, ressalvado o direito de impugnar ilicitudes mediante provas e pelos instrumentos legalmente previstos.

&#8220;A possibilidade de contestação integra o regime democrático. O que o compromete é a pretensão de substituir a demonstração dos fatos pela veemência da acusação e de transformar a suspeita unilateral em fundamento suficiente para desautorizar a escolha coletiva.

&#8220;O candidato derrotado conserva seus direitos políticos, sua liberdade de expressão e sua capacidade de liderar a oposição; não conserva, porém, a prerrogativa de decidir sozinho quem venceu a eleição.

&#8220;A expressão “verdadeiro presidente eleito” encerra, nesse contexto, uma pretensão particularmente perturbadora: estabelece uma concorrência artificial entre a legitimidade constitucionalmente reconhecida e uma suposta legitimidade pessoal, cuja existência dependeria apenas da palavra de quem a reivindica.

&#8220;Insinua que as instituições teriam proclamado uma falsidade e que o autoproclamado vencedor encarnaria, exclusivamente, a vontade autêntica da nação.

&#8220;Essa operação discursiva degrada o pluralismo, pois tende a converter os adversários vencedores do pleito eleitoral em usurpadores e a tratar os cidadãos que os escolheram , em votação majoritária, como participantes de uma vontade eleitoral ilegítima.

&#8220;O desrespeito alcança, assim, o próprio eleitorado. O voto de quem escolheu outro candidato não vale menos, não possui dignidade inferior e não pode ser apagado pela recusa do vencido em reconhecer sua eficácia.

&#8220;A soberania popular não se fraciona conforme as conveniências de uma liderança: pertence igualmente aos cidadãos que a apoiam e aos que a rejeitam. Apropriar-se da representação exclusiva do povo significa negar a igualdade política sobre a qual repousa a República.

&#8220;A referência à comunidade internacional acrescenta outra dimensão ao problema. É legítimo denunciar violações de direitos e recorrer aos mecanismos internacionais de proteção. Diversa é a pretensão de obter, no exterior, uma consagração política capaz de substituir a decisão eleitoral brasileira.

&#8220;Nenhum apoio estrangeiro confere mandato presidencial, assim como nenhuma afinidade ideológica entre governantes autoriza a sobreposição de suas preferências à autodeterminação do povo brasileiro”.

Reportagem completa: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/autoproclamacao-de-flavio-degrada-a-democracia-diz-celso-de-mello/

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