A Amazon revisou as orientações para engenheiros sobre o uso de inteligência artificial no trabalho.
Empresa alerta que transformar tokens ou quantidade de código em metas pode aumentar custos e incentivar comportamentos ruins.
Engenheiros continuam sendo incentivados a usar IA, mas devem avaliar quando a tecnologia realmente ajuda.
A Amazon está revendo como avalia o uso de inteligência artificial por seus engenheiros de software. Em uma nova orientação interna, a empresa afirma que quantidade de tokens consumidos, adoção de ferramentas e volume de alterações em código são métricas “profundamente falhas” quando usadas como metas.
A companhia não está abandonando a IA . A mudança é de foco: em vez de premiar quem usa mais ferramentas ou gera mais código, a Amazon quer avaliar o impacto do trabalho sobre clientes, negócios e equipes.
Por que a Amazon está criticando o uso excessivo de IA?
Um dos problemas é o chamado “tokenmaxxing”, expressão usada para descrever o consumo exagerado de tokens para elevar indicadores internos. Tokens são as unidades usadas pelos modelos para processar e gerar informações e também influenciam o custo de operação dessas ferramentas.
Segundo a Fortune , a Amazon alerta que transformar esse consumo em objetivo pode aumentar despesas sem necessariamente melhorar os resultados. O problema não é apenas teórico. Funcionários da companhia chegaram a executar agentes de IA em tarefas desnecessárias só para elevar seus números em um ranking interno descontinuado em maio.
Como a empresa quer analisar o trabalho?
Empresa quer combinar IA com conhecimento técnico e julgamento humano (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Para o vice-presidente da Amazon, Terk Terkowitz, o melhor critério são os resultados obtidos no longo prazo. Isso inclui impacto para clientes, para o negócio e para as próprias equipes. Indicadores como consumo de tokens e adoção de ferramentas não serão descartados. A empresa afirma que eles ainda podem ajudar a identificar padrões, mas não devem funcionar só como metas de desempenho.
A orientação também vale no sentido contrário. Para Terkowitz, descobrir onde a IA não ajuda também é uma informação útil.
A Amazon vai reduzir a aposta em inteligência artificial?
A companhia continua orientando engenheiros a aprender e incorporar IA ao trabalho diário e acredita que a tecnologia ficará no centro do desenvolvimento de software, combinada com conhecimento, experiência técnica e capacidade de avaliar quando determinada solução realmente faz sentido.
A discussão vai além da empresa. Um levantamento recente mostrou que apenas 3% das organizações superaram suas metas de economia com ganhos de produtividade por IA, mesmo com a maioria planejando ampliar os investimentos na tecnologia.
Usar mais IA não significa trabalhar melhor, diz Amazon

