Na entrevista após a convocação, o coordenador executivo da Seleção, Rodrigo Caetano, explicou os critérios adotados para elaborar a lista da próxima Data FIFA. Avisou, por exemplo, que não foi chamado nenhum jogador de Flamengo e Palmeiras, postulantes ao título do Brasileiro. E, de resto, buscou-se convocar no máximo um jogador de cada time da Série A.

O Brasil joga contra o Japão em 14 de novembro, um sábado, e enfrenta Singapura três dias depois. Ambas as partidas acontecem no Estádio Nacional de Singapura.

Somadas à necessidade de renovar a Seleção, as restrições impostas pela reta final do Brasileiro murcharam a lista de nomes anunciados pelo técnico italiano. É a convocação menos expressiva de Ancelotti desde que assumiu, em maio de 2025, e é difícil de imaginar que os novos nomes tenham muito protagonismo nos compromissos mais sérios do Brasil, como as Eliminatórias para a Copa do Mundo, com início previsto para 2027.

Cinco jogadores foram chamados pela primeira vez: Jonathan Jesus (zagueiro do Cruzeiro), André Luiz (meia do Corinthians), Allan (Manchester City), Marlon Gomes e Alisson Santana (ambos do Shakhtar Donetsk). São nomes que surpreendem. Não defendo que apenas nomes conhecidos do público brasileiro deveriam ser chamados, mas a coisa parece estar passando um pouco dos limites. A busca por novidades começa a revelar também a escassez de alternativas.

Carlo Ancelotti anunciou convocados da Seleção para enfrentar Japão e Singapura

No caso dos que atuam no Brasil, Jonathan Jesus é uma excelente aposta, bem como André -- e a impressão é que foram lembrados mais pelo potencial do que pela exigência do momento. A média de idade da convocação é de 23 anos, e as Olimpíadas serão um momento crucial para avaliar estes nomes, como o próprio Ancelotti fez questão de ressaltar. Nome mantido da última convocação, Gabriel Bontempo, do Santos, parece ter caído nas graças de Ancelotti -- e com razão.

Carlo Ancelotti deixou claro que é uma convocação muito vinculada à disputa do Campeonato Brasileiro. Mas há algo que fica cada vez mais nítido e não depende do perrengue pelo título nacional: a fragilidade do meio-campo da Seleção. A convocação privilegiou a versatilidade, mas dessa vez ficou ainda mais explícita a falta de qualidade e de peso.

Confira a convocação da Seleção Brasileira!

O técnico fez questão de ressaltar que não terá restrições a convocar jogadores que não estejam atuando em seus clubes, como é o caso de Estêvão e Endrick. E nesse caso, nem deveria – são alguns dos nomes mais promissores pensando no futuro da Seleção. E justamente no ataque reside todo o otimismo que a atual Seleção pode despertar: Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth) e Vini Jr. (Real Madrid) são nomes naturais.

A convocação tem cara de colcha de retalhos — e era difícil evitar isso nessas circunstâncias, com o Brasileiro em suas rodadas finais. Também é fundamental que a Seleção passe por uma reciclagem. O assustador é perceber que a falta de alternativas não parece ser apenas um problema desta convocação.