# Por que a Anthropic alerta sobre riscos que ela mesma pode criar

- Seção: Tecnologia
- Fonte: Olhar Digital (https://olhardigital.com.br/2026/10/29/pro/por-que-a-anthropic-alerta-sobre-riscos-que-ela-mesma-pode-criar/)
- Publicado em: 2026-10-29T19:16:12.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1423437-por-que-a-anthropic-alerta-sobre-riscos-que-ela-mesma-pode-criar

> A Anthropic , desenvolvedora do Claude , publicou um documento importante nesta semana. Chamado S-1, o documento foi protocolado pela empresa na SEC – a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos – na segunda-feira (26).

Com 289 páginas, o documento é o prospecto da abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da Anthropic na Nasdaq.

Dessas, 93 foram dedicadas a fatores de risco. Isto é, possíveis entraves para o negócio prosperar.

A princípio, isso pode soar burocrático. E é mesmo. Afinal, trata-se de um documento voltado para investidores em potencial.

Mas, quando o assunto é desenvolvimento de inteligência artificial (IA), alguns entraves potenciais podem ser lidos como riscos existenciais para a humanidade.

“Ora, por que uma empresa de IA alerta para riscos que ela própria pode criar?”, você talvez esteja se perguntando.

O Olhar Digital conversou com um especialista para entender não só esta aparente contradição, mas os alertas existenciais listados pela empresa.

Seção sobre riscos em documento da Anthropic ‘funciona como bula de remédio’, explica professor

É comum que empresas que planejam abrir seu capital descrevam fatores de risco.

“A seção de fatores de risco existe para proteger a companhia diante do investidor”, explica Kenneth Corrêa, especialista em IA e professor da FGV.

“Pela lei americana, um risco omitido que depois se materializa vira processo de acionista”, acrescenta o especialista.

A seção de fatores de risco existe para proteger a empresa de Dario Amodei diante do investidor, segundo professor da FGV &#8211; Imagem: 1 Andrew Thomas 1/Shutterstock

O professor explica: “Funciona como bula de remédio, que lista até o efeito colateral mais raro porque o laboratório responde pelo que deixar de fora.”

“A proporção mostra onde está o peso”, diz Corrêa. “São 93 páginas e 88 fatores de risco. Pelas minhas contas, os quatro ligados diretamente à segurança dos modelos ocupam cerca de 12% do texto.”

“O que torna essa bula diferente é que vários efeitos colaterais já aconteceram e estão descritos no documento como fato consumado”, observa o especialista.

Uso malicioso, perda de controle, chantagem: o que preocupa a Anthropic

No caso da Anthropic, os tais fatores de risco não são triviais. Para você ter ideia, entre eles está o receio de que sua tecnologia seja usada no desenvolvimento de armas químicas, por exemplo.

Outra preocupação é com a possibilidade de o seu produto (bem avançado, diga-se) escapar do controle da humanidade.

Confira abaixo os principais fatores de risco listados pela Anthropic relacionados aos seus modelos de IA (tanto os que já existem quanto os ainda por vir):

Uso malicioso do Claude

Agentes mal-intencionados poderiam usar sua tecnologia no desenvolvimento de armas perigosas, segundo a Anthropic.

“Em particular, nossos modelos mais capazes demonstraram – e espera-se que modelos futuros também demonstrem – capacidades que poderiam oferecer um auxílio significativo a agentes mal-intencionados que buscam desenvolver armas químicas, biológicas ou outros tipos de armas perigosas”, diz o documento.

Humanos podem perder o controle do Claude

Os agentes de IA da Anthropic foram projetados para executar, de forma autônoma, tarefas complexas com várias etapas ao longo de horas ou dias.

Agentes mal-intencionados poderiam usar o Claude para desenvolver armas, admite Anthropic &#8211; Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock

Hoje em dia, não é raro encontrar relatos sobre agentes que agiram por conta própria. E fizeram coisas que seus programadores não estavam esperando.

No caso dos agentes da Anthropic, a empresa diz, no documento, que eles podem executar ações como alterar códigos, &#8220;excluir ou modificar dados&#8221;, invadir sistemas e concluir transações financeiras &#8220;antes de uma intervenção eficaz ser possível&#8221;.

Acompanhar o que a IA está fazendo pode ficar impossível

A Anthropic diz usar IA no desenvolvimento e aprimoramento dos seus modelos de IA.

Essa tecnologia avança rápido. Por isso, não é descabido considerar que existe o risco de a IA &#8220;crescer&#8221; rápido o suficiente para escapar da supervisão humana.

&#8220;O ritmo e o volume de execução autônoma – especialmente em implementações corporativas – podem superar a capacidade de revisores humanos de compreender e avaliar, de forma significativa, se cada ação é apropriada&#8221;, diz a empresa.

E, por mais que a supervisão dos humanos envolvidos esteja afiada, ainda existe risco.

(Saiba mais nesta reportagem do Olhar Digital .)

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Reportagem completa: https://olhardigital.com.br/2026/10/29/pro/por-que-a-anthropic-alerta-sobre-riscos-que-ela-mesma-pode-criar/

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