O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, a chefe de gabinete Roseli Loss e os advogados Grhegory Paiva Pires, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe Jose Glinke foram transferidos para os presídios após a audiência de custódia na tarde desta quinta-feira (29).
Após deixarem a sede da Polícia Federal, Sérgio Ricardo foi transferido para o Batalhão de Operações Especiais (BOPE), Roseli foi para o presídio feminino Ana Maria Couto, em Cuiabá, enquanto os três advogados foram enviados para penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. Conforme apurado pela reportagem, os advogados ficarão em celas separadas.
Não foram repassadas informações sobre Adriangelo Barros Antunes, assessor do Sérgio Ricardo, também preso na operação.
Sérgio Ricardo, Roseli Loss, Grhegory Paiva Pires, Gustavo Fernandes da Silva e Adriangelo Barros Antunes
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🔍Por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Sérgio Ricardo, o procurador do tribunal Grhegory Paiva Pires e outros quatro servidores foram presos por suspeita de envolvimento no esquema de suspensão de pagamentos a fornecedores com contratos regulares para priorizar repasses a empresas de publicidade.
Em nota, o TCE-MT informou que adotará todas as providências necessárias para cumprir as determinações da Justiça. A instituição afirmou que assegura o comapromisso com a normalidade administrativa, a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais.
A nota esclarece ainda que o expediente e os prazos processuais desta quinta-feira foram suspensos, assim como a sessão plenária prevista para a próxima terça-feira (3), para fins de organização processual.
O esquema: como presidente e servidores sacaram R$ 15 milhões em banco dentro do órgão
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Uma agência bancária instalada nas dependências do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) teria sido utilizada para transformar em dinheiro vivo parte dos recursos milionários movimentados pelo grupo em um esquema de corrupção. A investigação identificou 150 saques em contas do presidente do tribunal, Sérgio Ricardo, que somam R$ 15,6 milhões em menos de dez meses de 2025.
A movimentação foi identificada por meio de extratos bancários, relatórios de inteligência financeira e imagens de câmeras de segurança da agência localizada no TCE-MT. Segundo a decisão do STJ, funcionários ligados à presidência participavam da retirada e circulação do dinheiro, incluindo a chefe de gabinete Roseli Loss, apontada como uma das principais responsáveis pelos saques, e também presa nesta quinta.
De acordo com a decisão do ministro Og Fernandes, do STJ, dos mais de R$ 15 milhões sacados entre janeiro e outubro do ano passado, 64 saques foram realizados diretamente nos caixas bancários, e outros 86 ocorreram em terminais de autoatendimento.
As movimentações chamaram a atenção da PF porque ocorreram após o recebimento de valores do próprio TCE-MT, por meio de ordens bancárias avulsas e de canais normalmente utilizados para pagamentos a fornecedores.
Segundo a decisão, Sérgio Ricardo recebeu R$ 15,4 milhões em 101 lançamentos bancários no período analisado. Desse montante, R$ 10,7 milhões foram classificados como ordens bancárias avulsas e R$ 4,3 milhões apareceram sob rubricas de pagamento a fornecedores. Apenas cerca de R$ 305 mil foram identificados como salário.
A suspeita dos investigadores é de que a estrutura administrativa do tribunal tenha sido utilizada para realizar pagamentos irregulares e, posteriormente, converter os valores em espécie, dificultando o rastreamento do dinheiro.
Conforme os autos, a investigação começou após uma denúncia de que o conselheiro Sérgio Ricardo, que assumiu a Presidência do TCE-MT em 2024, teria editado portarias para suspender pagamentos de contratos sob a justificativa de contenção orçamentária, mas mantido empresas selecionadas na lista de pagamentos.
Dados extraídos do Portal da Transparência apontariam uma contradição entre a justificativa de restrição orçamentária e a evolução dos pagamentos mensais. Segundo a investigação, mesmo durante o período de contenção, os valores teriam aumentado de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões por mês.
De acordo com dados utilizados pela Polícia Federal, a receita estadual teria aumentado de aproximadamente R$ 37 bilhões, em 2023, para R$ 39 bilhões, em 2024, e R$ 42,696 bilhões, em 2025.
Conforme a investigação apesar do contexto de suspensão contratual, algumas empresas teriam mantido ou aumentado os recebimentos.
Entre as citadas estão prestadoras de serviços de fornecimento de mão de obra para diversas atividades, como limpeza, conservação, copeiragem, transporte, manutenção, serviços elétricos, recepção e apoio administrativo, além de empresas de publicidade e propaganda.
Sérgio Ricardo presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso
Segundo fontes ligadas à investigação, além dos presos, são alvos da operação:
Sérgio Ricardo de Almeida: Presidente do TCE/MT, biênios 2024-2025 e 2026-2027, e Conselheiro desde 16/05/2012 (afastado da função entre 2017-2021) – Mandando de Busca e Prisão Preventiva
Guilherme Antônio Maluf: Conselheiro do TCE/MT, desde 01/03/2019, anteriormente Deputado Estadual – Mandando de Busca
José Carlos Novelli: Conselheiro do TCE/MT, desde 29/06/2001 (afastado da função entre 2017-2021) - Mandando de Busca
Alisson Carvalho de Alencar: ex-Procurador de Contas do Ministério Público de Contas do Estado de Mato Grosso, atual Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (Nomeação: 23/12/2025) – Mandando de Busca
Valter Albano da Silva: Conselheiro aposentado do TCE/MT, embora atue como Titular da Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal (afastado da função entre 2017-2021) – Mandando de Busca
Grhegory Paiva Pires Moreira Maia: Procurador da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, cedido ao TCE/MT, desde 01/02/2020, onde exerce a função de Consultor Jurídico Geral – Mandando de Busca e Prisão Preventiva
Da esquerda à direita: Valter Albano, Guilherme Maluf, Alisson Alencar e José Carlos Novelli

