Em entrevista ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, o ex-BC fala sobre as incertezas da trajetória fiscal do país e a projeção de avanço da relação dívida/PIB, o que contribui para aumentar a desconfiança dos investidores e limita a capacidade do governo de gerar desenvolvimento de longo prazo.
Loyola também avaliou que o aumento do endividamento tem reflexos diretos sobre os indicadores de risco e a atração de capital. “Eu acho que a situação macroeconômica é das mais delicadas. Porque o governo Lula até agora expandiu muito o gasto público e a dívida pública”, disse.
“Esse período eleitoral adicionou mais gasto ainda e algumas promessas. Então, não há como fugir de uma situação fiscal bastante difícil no próximo ano e nos próximos.”
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O especialista destacou que os incentivos do governo para fazer a economia crescer esbarram na alta de juros do BC para conter a inflação. Segundo ele, o governo esgotou “todo o seu arsenal para gerar atividade econômica” nos últimos meses, enquanto o BC “puxava o freio da economia” na outra ponta.
Além das incertezas internas, o cenário geopolítico também pesa consideravelmente; guerras e aperto monetário nas principais economias estão entre os principais fatores de pressão. Loyola pontua que essas tensões no exterior reduzem o espaço para recuperação, preservando apenas setores específicos.
“A situação externa agora é bastante mais complicada, não apenas pelos juros mais altos, mas pelas tensões geopolíticas, que estão longe de acabar. Eu vejo uma perspectiva de baixo crescimento para a economia brasileira nos próximos anos, com juros ainda elevados”, completou.
Resistência política a cortes de gastos pode levar à recessão
A estratégia de focar o reequilíbrio das contas públicas na elevação da arrecadação, sem promover reformas estruturais profundas, é vista pelo mercado como insuficiente.
Medidas focadas no aumento de tributos, como o ajuste no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ou a revisão de isenções em Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), tendem a retirar recursos do setor privado e gerar impacto negativo sobre a atividade econômica, segundo o especialista.
Para Loyola, a recusa do governo em alterar despesas obrigatórias, combinada com um Congresso desalinhado com o Executivo, cria entraves fortes para a aprovação de reformas estruturais de grande porte, como a revisão da Previdência ou a desindexação de gastos.
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“Está muito estabelecido na teoria econômica e na prática de vários países que ajuste fiscal via receita não é eficiente e traz impacto negativo sobre a atividade econômica e, portanto, sobre a própria arrecadação em algum momento, enquanto o corte de gastos tende a ser muito mais eficaz”, disse.
Na avaliação de Loyola, a falta de um plano focado na redução efetiva de despesas e o desgaste na articulação com os parlamentares aumentam o risco de o país ingressar em um período prolongado de estagnação. Esse cenário poderia afetar diretamente a oferta de crédito e os níveis de emprego.
“Vejo um risco de a gente repetir o segundo governo da Dilma, em que a economia acabou se afundando. Nós tivemos um dos maiores períodos recessivos da história contemporânea do Brasil”, concluiu o ex-presidente do BC.
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