A ação solicita que os conteúdos sejam retirados em até 24 horas, sob pena de multa de R$ 500 mil por publicação mantida. O MPT também quer a suspensão de perfis reincidentes e mudanças permanentes nas políticas de moderação da empresa.
Segundo o MPT, depois do 2º turno das eleições, em 25 de outubro, empresários, influenciadores e parlamentares passaram a publicar mensagens incentivando empregadores a identificar o voto de funcionários e demitir aqueles com posições políticas diferentes.
Algumas publicações também expõem trabalhadores, divulgam seus nomes e imagens ou comemoram demissões. De acordo com o órgão, apenas 4 publicações de um perfil verificado, com 3,8 milhões de seguidores, acumulavam mais de 2 milhões de curtidas.
Das 0h de 26 de outubro até as 12h desta 5ª feira (29.out), o MPT recebeu 1.459 relatos de assédio eleitoral. Ao todo, foram registrados 3.396 durante o processo eleitoral de 2026.
RESPONSABILIDADE DA META
Na ação, o MPT argumenta que a Meta permite a circulação de conteúdos ilegais e que seus sistemas de recomendação, como a aba Explorar e os Reels sugeridos, contribuem para ampliar o alcance das publicações.
O órgão afirma que a empresa dispõe de ferramentas automatizadas e de revisão humana capazes de identificar conteúdos que violem suas regras.
“Se não os emprega para identificar a incitação à discriminação de trabalhadores por convicção política, é por escolha, e não por impossibilidade técnica” , afirmam os procuradores responsáveis pela ação.
Além da retirada das publicações, o MPT pede que a Meta:
exiba um aviso aos usuários brasileiros informando que não tolera conteúdos que incentivem discriminação ou punição de trabalhadores por orientação política;
notifique os responsáveis pelas publicações consideradas ilegais;
suspenda por 30 dias os perfis que voltarem a divulgar esse tipo de conteúdo;
desative os perfis em caso de nova reincidência;
estabeleça uma política permanente de prevenção ao assédio eleitoral;
reforce a moderação durante períodos eleitorais e apresente relatórios periódicos à Justiça.
A ação é assinada pelo procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, pela procuradora-chefe do MPT em São Paulo, Vera Lúcia Carlos, e por outros 5 procuradores.
O Poder360 procurou a Meta para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da ação. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
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