“Até disse ao próprio presidente Lula que a gente possa estabelecer essa relação diplomática com o governo chinês para que possa sonhar com uma transferência de tecnologia. Hoje nós fabricamos o pack da bateria, mas nós importamos a célula da China” , disse.

Atualmente, a BYD está avança no processo de nacionalização da produção de veículos em sua fábrica de Camaçari, na Bahia. De acordo com Baldy, 85% das células de bateria usadas na produção são fabricadas na China.

Pequim impõe regras restritas sobre a transferência de tecnologia por empresas chinesas em operações no exterior. As novas condições inviabilizam que empresas chinesas transfiram ativos considerados estratégicos para grupos estrangeiros.

“É um sonho como esse que a fábrica da BYD idealiza, mas não depende de uma decisão corporativa. É muito mais uma decisão diplomática, em que nós poderíamos aproveitar que temos as maiores bacias de lítio do planeta aqui no cone sul do continente sul-americano” , afirmou.

Desde a inauguração da unidade baiana, em outubro de 2025, a montadora chinesa opera no modelo SKD ( semi-knocked down ), sistema em que kits de peças chegam parcialmente desmontados para montagem final no Brasil. A mudança em curso busca ir além desse modelo, com a instalação de fábricas de estamparia, soldagem e pintura para produzir etapas importantes da carroceria localmente.

A BYD estabeleceu como objetivo ultrapassar 50% de conteúdo local na montagem a partir de janeiro de 2027. A meta tem relação direta com as perspectivas de exportação para países do Mercosul, especialmente a Argentina, onde as exigências de conteúdo regional para a importação de veículos podem chegar a 35%.

O modelo SKD difere do CKD ( completely knock down ), em que as peças chegam completamente desmontadas. No CKD, a fábrica local precisa executar praticamente todo o processo de montagem do veículo, incluindo soldagem, pintura e estamparia, o que exige uma estrutura industrial mais robusta.

O SKD reduz os investimentos iniciais, acelera a entrada em novos mercados e facilita o treinamento da mão de obra local. O sistema também serve como estratégia para contornar impostos e tarifas de importação em determinados países.