# O ar-condicionado que antes era agradável começou a incomodar depois dos 40? Médico explica como músculos, metabolismo e cérebro podem mudar a sensação de frio com a idade

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: Tribuna de Jundiaí (https://tribunadejundiai.com.br/saude/bem-estar/o-ar-condicionado-que-antes-era-agradavel-comecou-a-incomodar-depois-dos-40-medico-explica-como-musculos-metabolismo-e-cerebro-podem-mudar-a-sensacao-de-frio-com-a-idade/)
- Publicado em: 2026-10-30T00:04:03.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1426571-o-ar-condicionado-que-antes-era-agradavel-comecou-a-incomodar-depois-dos-40

> O ar-condicionado está na mesma temperatura de sempre, mas agora parece gelado demais. O casaco que antes ficava guardado começa a fazer falta até dentro de casa, e aquele vento fresco que costumava ser agradável passa a incomodar. Para…

Uma das razões está nos músculos. Além de permitir os movimentos, eles participam da produção de calor do corpo. Quando a massa muscular diminui, essa capacidade pode ser afetada, tornando mais difícil manter a temperatura em ambientes frios. Mas essa é apenas uma das transformações que ajudam a explicar o fenômeno.

O médico francês Jean-Marc Sène abordou o assunto em uma reportagem da emissora TF1. Segundo ele, o envelhecimento modifica gradualmente a capacidade de adaptação do organismo às baixas temperaturas. O processo envolve não apenas os músculos, mas também o metabolismo e os mecanismos cerebrais responsáveis por controlar o calor corporal.

Os músculos funcionam como parte do aquecimento do corpo

Ao contrário do que muita gente imagina, os músculos não servem apenas para caminhar, carregar objetos ou praticar exercícios. Eles também ajudam a manter a temperatura corporal, produzindo calor durante suas atividades.

Um exemplo são os tremores que surgem quando sentimos muito frio. Essas contrações involuntárias representam uma tentativa do organismo de aumentar a produção de calor e evitar que a temperatura interna caia.

O problema é que a massa muscular tende a diminuir com o envelhecimento, especialmente quando a pessoa mantém uma rotina sedentária. Essa redução pode contribuir para uma menor produção de calor, tornando o organismo mais vulnerável às temperaturas baixas.

Em situações mais avançadas, a perda progressiva de massa e força muscular pode caracterizar a sarcopenia, condição associada a dificuldades de mobilidade e redução da capacidade funcional. Mas nem toda diminuição muscular representa necessariamente essa condição.

É justamente por isso que preservar os músculos ao longo da vida pode trazer benefícios que vão além da força física.

Preservar a massa muscular ajuda o organismo a produzir calor e contribui para a manutenção da força e da capacidade funcional ao longo da vida. &#8211; Foto: Imagem ilustrativa/Tribuna de Jundiaí

Por que o corpo pode produzir menos calor com a idade?

A segunda explicação está no metabolismo, responsável pelos processos químicos que transformam os nutrientes dos alimentos em energia.

Parte dessa energia é liberada na forma de calor, ajudando a manter o organismo funcionando em uma temperatura adequada. Quando a atividade metabólica diminui, a quantidade de calor produzida também pode ser reduzida.

Jean-Marc Sène compara o metabolismo a uma espécie de caldeira interna que, com o passar do tempo, pode perder parte de sua capacidade de aquecimento.

Essa mudança está relacionada a fatores como alterações hormonais, composição corporal e nível de atividade física. A perda muscular também interfere nesse processo, já que os músculos consomem energia mesmo quando estamos em repouso.

Isso ajuda a explicar por que duas pessoas no mesmo ambiente podem sentir temperaturas de maneiras diferentes. Enquanto uma permanece confortável, a outra pode precisar de um casaco, mesmo sem qualquer alteração no termômetro.

O termostato do cérebro também pode perder eficiência

Existe um terceiro mecanismo que participa dessa relação com o frio e que muitas pessoas desconhecem.

No cérebro, uma região chamada hipotálamo funciona como um termostato interno. Ela ajuda a identificar alterações na temperatura corporal e coordena respostas para manter o organismo em equilíbrio.

Quando sentimos frio, por exemplo, o corpo pode diminuir a circulação de sangue próximo à superfície da pele, reduzindo a perda de calor para o ambiente. Em outras situações, provoca tremores musculares para aumentar a produção de calor.

Com o envelhecimento, esses mecanismos de regulação podem se tornar menos eficientes. Alterações na circulação sanguínea, na composição da pele e na quantidade de gordura sob ela também interferem na capacidade de conservar a temperatura.

Segundo o especialista francês, essas transformações ajudam a compreender por que o corpo pode apresentar maior dificuldade para se adaptar ao frio conforme os anos passam.

Há, porém, um detalhe importante: em idades mais avançadas, algumas pessoas podem até perceber menos as mudanças de temperatura, embora estejam mais vulneráveis aos efeitos do frio. Portanto, sentir mais frio e ter dificuldade para manter o corpo aquecido não são exatamente a mesma coisa.

Mas essas mudanças realmente começam aos 40 anos?

Os 40 anos são frequentemente utilizados como referência para transformações do organismo, mas não representam uma idade exata em que a tolerância ao frio muda.

O processo de envelhecimento é gradual e varia bastante de uma pessoa para outra. Alguém fisicamente ativo, com boa massa muscular e sem problemas de saúde pode apresentar uma resposta ao frio diferente da de outra pessoa da mesma idade.

O geriatra Ken Koncilja, da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, explica que alterações importantes na tolerância às temperaturas costumam se tornar mais evidentes nas décadas dos 70 e 80 anos.

Quando aparecem mais cedo, fatores como doenças da tireoide e deficiências nutricionais também precisam ser considerados.

Isso significa que o aniversário de 40 anos não provoca uma mudança automática no funcionamento do corpo. Entretanto, hábitos acumulados ao longo da vida, especialmente a redução da atividade física, podem contribuir para transformações que se tornam perceptíveis nessa fase.

Caminhar, fortalecer os músculos e se alimentar bem pode ajudar

Se parte da capacidade de produzir calor depende da atividade muscular, movimentar o corpo é uma das maneiras de ajudar o organismo a enfrentar o frio.

Jean-Marc Sène recomenda atitudes simples, como caminhar, subir escadas e evitar permanecer imóvel durante longos períodos. O movimento estimula os músculos e aumenta temporariamente a produção de calor.

Os exercícios de fortalecimento também merecem atenção. De acordo com a Cleveland Clinic, o treinamento de resistência pode ajudar a preservar a massa muscular em diferentes idades e contribuir para a regulação da temperatura corporal.

A alimentação desempenha outro papel importante. Uma dieta equilibrada, com consumo adequado de proteínas e energia, favorece a manutenção dos músculos e o funcionamento do metabolismo. A hidratação também continua necessária, mesmo nos dias frios, quando a sensação de sede pode ser menor.

Na hora de se vestir, o uso de roupas em camadas ajuda a conservar o calor e permite adaptar a proteção conforme as condições do ambiente. Proteger mãos, pés e cabeça também é importante, especialmente durante exposições prolongadas a baixas temperaturas.

Essas medidas não impedem o envelhecimento, mas podem ajudar a preservar a capacidade do organismo de responder às mudanças de temperatura.

Sentir muito frio pode ser sinal de um problema de saúde?

Nem toda sensibilidade ao frio deve ser considerada uma consequência natural da idade. Quando a sensação é intensa, persistente ou aparece de maneira inesperada, ela pode indicar alterações que merecem investigação.

Sensibilidade excessiva ou persistente ao frio pode estar associada a condições como anemia e hipotireoidismo, especialmente quando acompanhada de outros sintomas. &#8211; Foto: Imagem ilustrativa/Tribuna de Jundiaí

Segundo a MedlinePlus, serviço de informações médicas da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos , a intolerância ao frio pode estar associada a problemas como anemia, hipotireoidismo e alterações da circulação sanguínea.

O hipotireoidismo, por exemplo, ocorre quando a tireoide produz hormônios em quantidade insuficiente, prejudicando o funcionamento do metabolismo. Além de sentir mais frio, a pessoa pode apresentar cansaço, pele ressecada, constipação e ganho de peso.

Por isso, quem percebe uma mudança persistente na tolerância ao frio, especialmente acompanhada de outros sintomas, deve procurar avaliação médica. Dependendo do quadro, exames podem ajudar a identificar possíveis causas.

A diferença está em observar como essa sensação aparece. Precisar de um casaco em um ambiente climatizado pode ser apenas uma preferência individual. Mas passar a sentir frio constantemente, inclusive em situações antes confortáveis, merece atenção.

Aquele ar-condicionado que parece ter ficado mais gelado pode, na verdade, estar exatamente como sempre esteve. O que mudou talvez tenha sido a maneira como o organismo produz, conserva e percebe o calor — uma diferença que merece ser compreendida, especialmente quando começa a interferir na rotina.

*Imagem ilustrativa criada pelo Tribuna de Jundiaí com auxílio de inteligência artificial e direção criativa da equipe. Reprodução total ou parcial proibida sem autorização.

Reportagem completa: https://tribunadejundiai.com.br/saude/bem-estar/o-ar-condicionado-que-antes-era-agradavel-comecou-a-incomodar-depois-dos-40-medico-explica-como-musculos-metabolismo-e-cerebro-podem-mudar-a-sensacao-de-frio-com-a-idade/

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