O IBGE divulgou nesta quinta-feira (29) novidades que vão mudar a forma como se estuda o mapa do Brasil.
A paisagem convida ao descanso. Pela primeira vez, as montanhas estão oficialmente classificadas no mapa de relevo do Brasil. O IBGE produziu o novo documento com a participação de 70 pesquisadores.
“O mapeamento antigo não considerava a montanha como termo, embora a unidade de relevo sempre existiu lá. A Serra do Mar sempre existiu, a Serra da Mantiqueira sempre foi classificada, só que não classificadas como montanhas", explica Gabriel Bias Fortes, chefe do setor de base territorial do IBGE/MG.
Para ser montanha, a formação precisa ter altura mínima de 300 m em relação à superfície vizinha, com o topo em forma de triângulo e com inclinação acentuada. As montanhas estão presentes em 20 estados e ocupam menos de 2% do território. A maior extensão fica em Minas Gerais, com quase 40%. Depois, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.
“O termo ‘serras’ é um termo muito brasileiro. É um termo nosso, assim como as chapadas. E a gente procura a literatura internacional e não encontra esse termo. Então, a gente resolveu se incorporar dentro de uma terminologia internacional, que são montanhas”, conta Marcelo Dantas, geógrafo e pesquisador do Serviço Geológico do Brasil.
Pela primeira vez, as montanhas estão oficialmente classificadas no mapa de relevo do Brasil
Jornal Nacional/ Reprodução
A maior parte do país é formada pelas superfícies rebaixadas, mais presentes nas regiões Norte e Nordeste, antes chamadas de depressões; e os planaltos, comuns no Centro-Oeste e no Sul. O país também é formado por planícies, como no Pantanal. E os tabuleiros, com seus topos planos e encostas íngremes, são mais comuns no Norte e no Nordeste.
O novo mapa deve ajudar, por exemplo, na gestão ambiental de parques, como um na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que recebe muitos visitantes e pesquisadores. O documento vai ser usado para aprimorar o monitoramento nas partes mais altas da unidade de conservação e para situações de emergência, como incêndios florestais.
“A gente conhece, através dos mapas, qual é a localização que a gente tem do incêndio em função da nossa câmera que está em um alto de montanha. Então, ela está focalizando aquela região e, às vezes, a gente não tem bem noção se é muito íngreme e se não é. E, muitas vezes, você tem acessos também para trilhas, para o turismo, por exemplo. Então, isso é muito importante”, afirma Henri Dubois Collet, gerente do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça.
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