# Para CEO da Ouro Preto, “todas as nuvens mostram que vem tempestade” em 2027

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/onde-investir/para-ceo-da-ouro-preto-todas-as-nuvens-mostram-que-vem-tempestade-em-2027/)
- Publicado em: 2026-10-30T08:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1430985-para-ceo-da-ouro-preto-todas-as-nuvens-mostram-que-vem-tempestade-em-2027

> A economia brasileira terá uma recessão em 2027, com risco de estagflação (retração combinada com inflação alta), provocada por fatores externos e internos, avalia João Peixoto, CEO da Ouro Preto Investimentos, uma das maiores gestoras de…

&#8220;Todas as nuvens mostram que vem tempestade, a economia já está parando e algumas empresas reduziram a tomada de crédito, pois já chegaram no limite do endividamento&#8221;, afirma Peixoto.

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&#8220;Se o governo mantiver mesma lógica, de não ter preocupação com esse equilíbrio fiscal ou achar que resolve só continuar subindo imposto, o juro vai continuar alto e podemos ter uma grande crise interna&#8221;, acrescenta.

Para o executivo, a recessão pode não começar logo no início do ano, &#8220;mas em meados do ano, com certeza&#8221;. Ele avalia que, qualquer que fosse o resultado da eleição, o país teria uma crise em 2027.

&#8220;Temos a crise mundial, as guerras na Ucrânia e no Irã continuam e corremos o risco de ter uma crise do petróleo como a de 1973, fora a desaceleração da economia na China, que vai afetar preços de commodities, minério e agrícolas&#8221;, lembra. &#8220;E tem a crise que o próprio Lula ajudou a criar, que é o descontrole fiscal.&#8221;

Com os juros ainda altos, a situação de empresas e famílias endividadas tende a se complicar. &#8220;As empresas e famílias vão continuar buscando crédito para rolar as dívidas, mas com taxa alta é mais difícil&#8221;, explica.

Ajuste pela receita

Para ele, a expectativa agora é que o ajuste fiscal venha pelo aumento de impostos, como já ocorreu em outras crises, inclusive no Plano Real. &#8220;Mas o país já está no limite, pois a carga tributária já está alta e, se subir mais, é capaz de a arrecadação cair e o país colapsar&#8221;, alerta. &#8220;Não basta fazer só um plano [econômico] inteligente, é preciso fazer um ajuste fiscal, mas isso sempre foi feito pelo lado da receita.&#8221;

Na visão de Peixoto, a saída seria o governo adotar medidas para aumentar a produtividade da economia e enfrentar uma nova reforma da Previdência Social. Ainda assim, ele espera um ajuste mais modesto das contas públicas, sem cortes de despesas, o que deve manter os juros reais altos.

No curto prazo, esse cenário tende a deixar as aplicações em crédito privado mais atrativas do que eram antes, como os fundos de recebíveis, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) . &#8220;Mas no longo prazo, isso vai ter um custo&#8221;, alerta.

Na comparação com outras aplicações, porém, o título público leva vantagem. &#8220;Hoje o melhor para o investidor é colocar o dinheiro em um título público, com uma taxa de juro altíssima, mas o governo deve fazer tudo para baixar essa taxa, o que eu concordo&#8221;, diz.

Peixoto defende a queda dos juros, mas com uma condição. &#8220;Eu discordo dos economistas, acho que tem de baixar a taxa de juros, mas antes o governo teria de mostrar que é responsável em termos fiscais&#8221;, afirma.

Apesar de defender juros menores, o executivo não vê motivo para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afrouxar a política monetária no curto prazo. &#8220;Se ele não fez antes para beneficiar Lula, agora tem menos motivo para fazer&#8221;, lembra.

Para Peixoto, mesmo uma eventual troca de diretores já no começo do ano não deve significar juros mais baixos. Ele cita como exemplo o próprio Galípolo, que também foi indicado por Lula e manteve uma política monetária dura.

FIDCs crescendo, crédito seletivo

Peixoto acredita que o mercado de FIDCs vai continuar crescendo em 2027, mesmo com a economia em retração, por causa da desintermediação financeira . &#8220;Os bancos vão continuar reduzindo os empréstimos e deixando o mercado de capitais ocupar mais espaço no crédito para empresas e pessoas&#8221;, diz.

Segundo ele, a expansão não virá do crescimento da economia. O avanço deve vir da migração de operações dos bancos para o mercado e do crescimento vegetativo dos FIDCs, impulsionado pelos juros altos.

Peixoto também espera que o governo interprete os sinais dados pela forte reação negativa dos mercados após a eleição e pelo receio de recessão. &#8220;O risco é ele [o governo] perceber só tardiamente esses sinais e achar que dá para levar a coisa do jeito que está, mas vamos saber em seis meses, quando tivermos os ministros empossados e trabalhando como vai ser a política do novo governo&#8221;, diz.

Para Peixoto, o investidor vai continuar procurando a renda fixa por falta de opção. A procura por FIDCs deve seguir grande, já que esses fundos entregam rentabilidade na casa de 110% do CDI. Ele espera, porém, mais cautela de quem investe em crédito .

&#8220;A preferência vai ser por bons papéis de primeira linha dos bancos, e bons FIDCs, pois vai ser preciso separar bem o joio do trigo, pois com juro alto devemos ter problemas de inadimplência, isso é estatístico&#8221;, afirma. &#8220;O ideal também é selecionar bem os FIDCs e buscar uma diversificação, não concentrar os recursos em um único fundo, para reduzir os riscos.&#8221;

Entre os setores mais expostos aos juros altos, Peixoto cita o varejo tradicional nacional. Segundo ele, o segmento ainda enfrenta a concorrência dos sites internacionais e deve sofrer bastante. As instituições financeiras também devem ser afetadas, pela retração do mercado de capitais e pela inadimplência.

O agronegócio, por sua vez, enfrenta a retração da economia chinesa e a alta nos custos de fertilizantes e combustíveis causada pela guerra no Irã, apesar dos ganhos com o dólar mais alto na exportação. &#8220;E o agro já está muito endividado, já estava em dificuldade e tem ainda o El Niño&#8221;, diz.

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Em 2026, a Ouro Preto deve ampliar em cerca de 30% seu patrimônio sob gestão e espera um resultado parecido em 2027. Esse avanço deve ser impulsionado pela transferência de operações do mercado bancário e pelos juros altos. Até o fim deste ano, a gestora pretende concluir novas operações de FIDCs de cerca de R$ 1 bilhão, mas o resultado vai depender do apetite do investidor após as eleições.

&#8220;Vimos o impacto muito ruim nas bolsas, mas acredito até que esse ambiente pode tornar os FIDCs mais atraentes, pois o investidor em bolsa está comprando um resultado futuro e o FIDC é mais o presente&#8221;, afirma. &#8220;Mas as empresas vão cortar investimentos, vão ser mais cautelosas diante das incertezas.&#8221;

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