Toda cidade tem uma história para contar. Algumas estão registradas em livros, fotografias e construções antigas. Outras vivem nas lembranças de quem cresceu brincando nas ruas, nas conversas entre vizinhos, nas tradições que atravessam gerações e nos pequenos detalhes que fazem um lugar ser chamado de lar. Itatiba, que completa 169 anos neste domingo, 1º de novembro, carrega um pouco de tudo isso. Uma cidade que cresceu, se transformou e continua sendo construída diariamente por quem escolheu viver, trabalhar e criar suas raízes aqui.

Mas aniversários não servem apenas para recordar o passado. São também uma oportunidade de olhar para o presente e, principalmente, imaginar o futuro. Afinal, como queremos encontrar Itatiba daqui a dez anos? O que não podemos perder pelo caminho? E quais transformações precisam começar agora para que as próximas gerações encontrem uma cidade ainda melhor?

Foi a partir dessas perguntas que o Itatiba Hoje decidiu celebrar o aniversário do município de uma maneira diferente: ouvindo quem faz parte de sua história e participa, de alguma forma, de seu desenvolvimento. Convidamos representantes de diferentes setores da sociedade a compartilhar suas percepções sobre as riquezas da cidade, os desafios que ainda precisam ser enfrentados e os sonhos que alimentam para o futuro.

Da educação à saúde, do campo ao desenvolvimento urbano, da cultura à preservação ambiental, cada olhar revela uma Itatiba diferente, mas igualmente importante. Há quem enxergue o futuro nas oportunidades oferecidas aos jovens, quem defenda a valorização de nossas riquezas naturais, quem sonhe com mais acesso à moradia, emprego e serviços públicos e quem acredite que preservar o acolhimento e a solidariedade dos itatibenses seja tão importante quanto construir novas estruturas.

São perspectivas que se encontram, se complementam e, por vezes, apontam prioridades distintas. E é justamente nessa diversidade que está a riqueza da discussão. Porque pensar a cidade que queremos não significa imaginar uma Itatiba perfeita, sem problemas ou divergências, mas reconhecer que seu futuro depende de escolhas, planejamento, participação e compromisso coletivo.

Nos próximos depoimentos, essas diferentes vozes ajudam a desenhar possibilidades para a Itatiba de amanhã. Mais do que apresentar desejos, o convite é refletir sobre o que cada um de nós, cidadãos, instituições, empresas e poder público, pode fazer para transformar expectativas em realidade.

Afinal, os 169 anos de Itatiba celebram a história que construímos até aqui. Mas a cidade que teremos daqui para frente começa a ser construída hoje.

Uma cidade onde a cultura seja oportunidade, e não privilégio

Coreógrafo e diretor do Kinisi Dança, Sandro Zambonini defende a valorização dos artistas locais e a ampliação do acesso à arte como caminhos para transformar vidas e fortalecer a comunidade.

Para Sandro Zambonini, coreógrafo e diretor do Kinisi Dança, a maior riqueza de Itatiba está nas pessoas, na história e na capacidade que a cidade tem de produzir cultura e transformação. A partir de sua experiência com a dança, ele acompanha de perto como a arte pode contribuir para o desenvolvimento humano, estimulando autonomia, disciplina, sensibilidade e sentimento de pertencimento. Por isso, acredita que preservar a identidade do município também significa reconhecer e valorizar quem constrói sua vida cultural, oferecendo mais oportunidades para artistas, educadores e projetos que aproximam a população das diferentes manifestações artísticas.

Na visão de Sandro, um dos principais desafios para os próximos anos é democratizar o acesso à cultura, especialmente entre crianças e jovens. Ele ressalta que nem todos têm as mesmas oportunidades de participar de atividades artísticas e que essa desigualdade precisa ser enfrentada. “A cultura não deveria ser vista como um privilégio, mas como parte da formação humana”, defende. Para o coreógrafo, fortalecer projetos culturais, ampliar os espaços de participação e levar a arte para mais comunidades são medidas capazes de produzir impactos que ultrapassam os palcos e alcançam a educação, as relações sociais e a qualidade de vida.

Ao imaginar Itatiba em 2036, Sandro deseja encontrar uma cidade em que os jovens tenham condições de desenvolver seus talentos, os artistas possam viver de seu trabalho e os projetos culturais contem com continuidade e reconhecimento. Para transformar essa visão em realidade, aponta a importância de investir em educação, incentivar iniciativas locais e estabelecer parcerias que fortaleçam o setor cultural. Mais do que oferecer atividades de entretenimento, ele defende que a cultura seja reconhecida como parte essencial do desenvolvimento do município.

Para Sandro, construir essa Itatiba do futuro exige escolhas feitas desde agora, com oportunidades que alcancem diferentes públicos e permitam que mais pessoas participem da vida cultural da cidade. Como resume, “O futuro que desejamos não se constrói sozinho: ele começa nas escolhas e nas oportunidades que oferecemos às pessoas agora”.

Crescer sem perder o lado humano e onde todos possam ter um lar: esse é o objetivo

Com mais de 30 anos de atuação no mercado imobiliário, Fernando Perobelli destaca a solidariedade dos itatibenses e defende o acesso à moradia como parte essencial do desenvolvimento da cidade.

Para Fernando Perobelli, que nasceu, constituiu família e construiu sua trajetória profissional em Itatiba, a maior riqueza do município está nas pessoas. Mais do que a localização privilegiada ou as oportunidades de crescimento, ele valoriza o acolhimento característico do interior e, especialmente, a cultura de voluntariado presente na cidade. Segundo o profissional do setor imobiliário, o trabalho desenvolvido por ONGs, entidades e moradores que dedicam seu tempo ao próximo representa um patrimônio que merece ser preservado. “Esse espírito de solidariedade, de estender a mão a quem precisa e de trabalhar pelo bem coletivo é uma das maiores riquezas de Itatiba”, afirma.

Ao pensar nas transformações necessárias para os próximos anos, Fernando defende uma cidade que consiga integrar desenvolvimento econômico, saúde e qualidade de vida. Entre suas prioridades estão o fortalecimento da saúde pública, com diagnósticos mais rápidos, acesso a medicamentos e atendimento humanizado, além de investimentos em prevenção, atividades físicas, proteção animal e espaços de convivência. Na economia, acredita que atrair novas empresas, fortalecer os negócios já instalados e explorar o potencial do ecoturismo são caminhos para gerar empregos, movimentar o comércio e ampliar as oportunidades para a população.

Mas é quando o assunto chega à moradia que sua visão de futuro ganha um significado especialmente pessoal. Com mais de três décadas de experiência no mercado imobiliário, Fernando sonha com uma Itatiba onde todas as famílias tenham a oportunidade de conquistar a casa própria. Para ele, o acesso à moradia representa muito mais do que uma conquista material: significa segurança, dignidade e a possibilidade de construir uma história. Para transformar esse desejo em realidade, aponta a necessidade de parcerias entre o poder público e a iniciativa privada, com planejamento de loteamentos inteligentes, desenvolvimento urbano ordenado, regularização e ampliação do acesso à habitação.

Ao projetar Itatiba para 2036, Fernando imagina uma cidade de referência em segurança, saúde, inclusão, mobilidade e bem-estar animal, mas sem abrir mão da solidariedade que considera uma de suas principais características. Seu maior desejo, porém, permanece ligado à própria experiência profissional: “Meu sonho é que, daqui a dez anos, nenhuma família de Itatiba deixe de acreditar que pode ter um lar para chamar de seu”. Uma visão que coloca as pessoas no centro do desenvolvimento e reforça a ideia de que o crescimento de uma cidade também deve ser percebido na qualidade de vida de quem nela mora.

Crescer sem perder a essência: educação e planejamento para a Itatiba do futuro

Para representantes do Colégio Litteratus, preservar a identidade da cidade e investir nas novas gerações são caminhos para um desenvolvimento equilibrado.

Conciliar o crescimento urbano com a preservação das características que tornam Itatiba um lugar especial para viver. Esse é um dos principais desejos dos representantes do Colégio Litteratus para o futuro do município. Para Carla Ubinha, sócia e responsável pela instituição, Mario Bastos, diretor, e Camila Cremonesi, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, a proximidade com a natureza, as áreas verdes e os vínculos comunitários são patrimônios que merecem ser valorizados. Mesmo situada a cerca de 80 quilômetros da capital paulista, Itatiba ainda preserva características da vida no interior, que precisam caminhar lado a lado com o desenvolvimento.

Na visão dos educadores, um dos principais desafios para os próximos anos é planejar a expansão da cidade de maneira integrada, considerando infraestrutura, mobilidade, segurança e preservação ambiental. Nesse cenário, espaços como o Parque Luís Latorre e o Parque Linear podem ganhar ainda mais protagonismo na rotina dos moradores, com atividades esportivas, culturais e de lazer. A ampliação de ciclovias, áreas verdes e iniciativas que valorizem artistas e artesãos locais também aparece entre as propostas para fortalecer a convivência e a qualidade de vida.

A educação, naturalmente, ocupa um lugar central nessa perspectiva. Os representantes do Litteratus defendem que a formação das novas gerações ultrapasse os muros da escola, estimulando hábitos saudáveis, consciência ambiental e participação comunitária. Para eles, a aproximação entre instituições de ensino, poder público e sociedade pode transformar os espaços da cidade em ambientes de aprendizagem, integração e troca de experiências entre diferentes gerações.

Ao imaginar Itatiba em 2036, os educadores desejam encontrar uma cidade que tenha crescido com planejamento, preservado sua identidade e ampliado o acesso a serviços públicos de qualidade, cultura, esporte e oportunidades. Para alcançar esse cenário, destacam a importância de fortalecer a educação desde a primeira infância, acompanhar os resultados das políticas e iniciativas implementadas e preparar os jovens para as transformações tecnológicas e profissionais. Afinal, como ressaltam os representantes da instituição, investir em educação significa contribuir não apenas para o futuro de cada estudante, mas também para o desenvolvimento das famílias, do mercado de trabalho e de toda a comunidade.

Desenvolvimento, infraestrutura e qualidade de vida pautam os planos para o futuro de Itatiba

Prefeito Thomás Capeletto de Oliveira destaca avanços da administração municipal e aponta obras de mobilidade, combate às enchentes e habitação popular entre as prioridades para os próximos anos.

Preservar a essência acolhedora de Itatiba sem abrir mão de seu potencial de crescimento. Esse é o desejo do prefeito Thomás Capeletto de Oliveira para o futuro do município, que completa 169 anos. À frente da administração municipal há quase seis anos, ele acredita que a cidade deve continuar avançando em desenvolvimento e qualidade de vida, mantendo as características que a tornam um lugar especial para viver. Para o chefe do Executivo, conciliar essas duas dimensões é fundamental para o planejamento dos próximos anos.

Ao avaliar os desafios e conquistas do município, Thomás destaca os resultados alcançados durante sua gestão, especialmente nas áreas de educação, segurança e geração de empregos. Segundo o prefeito, Itatiba ocupa a terceira posição nacional em qualidade da educação e a sexta entre as cidades mais seguras do país, além de apresentar um cenário favorável de oportunidades de trabalho. Ele também ressalta a ampliação do orçamento municipal, que, conforme afirma, dobrou durante sua administração. Na sua avaliação, a gestão responsável dos recursos públicos tem permitido ampliar investimentos e promover melhorias, embora reconheça que áreas como a saúde ainda precisam avançar.

Para os próximos anos, o prefeito aponta a continuidade das obras de infraestrutura como uma das prioridades. Entre os projetos mencionados estão as intervenções de combate às enchentes e a segunda fase de implantação das avenidas marginais, cuja primeira etapa tem entrega prevista para novembro. Thomás também destaca os trabalhos para viabilizar moradias populares e a conclusão da Via Perimetral, projeto articulado com o Governo do Estado. Na área ambiental, cita a previsão de entrega do Jardim Botânico e a implantação de novos parques lineares, que, além de oferecerem espaços de lazer e convivência, também integram o planejamento de prevenção às enchentes.

Ao imaginar Itatiba em 2036, Thomás projeta um município que continue crescendo de maneira sustentável, com infraestrutura adequada e investimentos voltados às necessidades da população. Para ele, a continuidade das iniciativas em andamento e o planejamento de novas ações são fundamentais para consolidar os avanços que considera terem sido alcançados. Sua visão de futuro está diretamente ligada à capacidade de dar sequência aos projetos de desenvolvimento urbano e ampliar seus impactos positivos na vida dos itatibenses.

Saúde pública, geração de empregos e modernização estão entre as prioridades para o futuro de Itatiba

Presidente da Câmara Municipal, David Bueno defende a construção de um hospital público, melhorias na mobilidade urbana e planejamento para garantir crescimento econômico e acesso à moradia.

Para o presidente da Câmara Municipal de Itatiba, David Bueno, o maior patrimônio da cidade está em sua população. O vereador destaca o acolhimento dos itatibenses como uma característica que merece ser preservada, especialmente diante do crescimento do município. Na sua avaliação, Itatiba é reconhecida pela maneira como recebe visitantes e novos moradores, mantendo relações de proximidade que contribuem para a qualidade de vida. “Itatiba tem um povo muito acolhedor, que recebe muito bem todos os seus visitantes”, afirma.

Quando o assunto são os desafios para os próximos anos, David coloca a saúde pública no centro das prioridades. Para ele, a construção de um hospital público municipal seria uma das principais transformações para melhorar o atendimento à população. O presidente da Câmara aponta dificuldades enfrentadas atualmente pelos usuários dos serviços de saúde, como demora na realização de exames, falta de leitos e problemas de atendimento na Santa Casa e na UPA. Na sua avaliação, uma nova estrutura hospitalar poderia ampliar a capacidade de atendimento e contribuir para melhorar a qualidade dos serviços oferecidos aos itatibenses.

A mobilidade urbana também ocupa espaço importante em sua visão de futuro. David defende um planejamento que contemple não apenas melhorias no trânsito, mas também no transporte coletivo, com horários de ônibus mais adequados às necessidades dos moradores e pontos de parada adaptados. Outra proposta é modernizar a cidade por meio da tecnologia, ampliando a conectividade e utilizando ferramentas digitais em áreas como saúde, mobilidade e segurança pública. Entre as referências mencionadas está o Smart Sampa, sistema utilizado na capital paulista, que, segundo ele, poderia inspirar iniciativas de monitoramento e segurança em Itatiba.

Na área econômica, o presidente do Legislativo considera fundamental incentivar a instalação de novas empresas, fortalecer a geração de empregos e investir na qualificação da mão de obra local. Para David, essas medidas podem criar um ciclo positivo, no qual melhores oportunidades profissionais ampliem a renda das famílias e movimentem o comércio da cidade. O planejamento habitacional também faz parte dessa perspectiva, com a proposta de estabelecer parcerias com o Governo do Estado e desenvolver iniciativas de moradia popular, incluindo programas como o Minha Casa, Minha Vida.

Ao imaginar Itatiba em 2036, David Bueno projeta uma cidade mais moderna, com serviços públicos fortalecidos, oportunidades de trabalho e crescimento urbano organizado. Para ele, o caminho passa por uma sequência de investimentos que começa pela geração de empregos, avança na ampliação do acesso à moradia e incorpora melhorias na saúde, na mobilidade e na segurança. “Tenho certeza de que daqui a dez anos vai ser uma nova Itatiba”, afirma, ao defender que o desenvolvimento econômico e a modernização sejam acompanhados de benefícios para toda a população.

Onde os jovens encontram oportunidades para construir o próprio futuro

Para Wagner Checon, da direção geral do Colégio Next, investir em educação, tecnologia e inovação é fundamental para que Itatiba se torne referência em desenvolvimento sem perder sua identidade.

Uma Itatiba que preserve o acolhimento e a qualidade de vida característicos do interior, mas que também ofereça aos jovens oportunidades para desenvolver seus talentos e realizar seus sonhos sem precisar deixar a cidade. Essa é a visão de futuro de Wagner Checon, da direção geral do Colégio Next. Para ele, um dos maiores patrimônios do município está justamente em sua juventude e no potencial da comunidade escolar, capaz de formar estudantes preparados para competir em nível nacional e internacional. O desafio, segundo o educador, é fortalecer essa vocação, unindo o respeito às raízes locais ao incentivo à ciência, à tecnologia e à inovação.

Nesse caminho, Wagner considera essencial ampliar a integração entre educação, tecnologia e preparação para o futuro. Mais do que garantir o acesso às ferramentas digitais, ele defende uma formação que desenvolva pensamento crítico, autonomia, inteligência emocional e responsabilidade no uso das novas tecnologias. Na sua avaliação, uma educação conectada à realidade e aos desafios contemporâneos pode formar cidadãos capazes de encontrar soluções para questões que também fazem parte do cotidiano de Itatiba, como sustentabilidade, inclusão e convivência comunitária.

Ao projetar o município para 2036, o representante do Colégio Next imagina uma cidade reconhecida pela inovação sustentável, pela formação humana e pelo protagonismo juvenil. Para isso, aponta duas frentes prioritárias: a valorização e capacitação contínua dos educadores, acompanhada de atenção ao desenvolvimento socioemocional dos estudantes, e a criação de parcerias entre escolas, poder público e iniciativa privada. A proposta é ampliar os espaços de aprendizagem prática, experimentação científica e desenvolvimento tecnológico, aproximando o conhecimento produzido nas salas de aula das necessidades da comunidade.

Para Wagner, o futuro de Itatiba começa a ser construído muito antes de os jovens ingressarem no mercado de trabalho. Começa nas oportunidades que recebem para descobrir suas habilidades, desenvolver suas competências e compreender seu papel na sociedade. Como sintetiza, “A Itatiba do futuro é aquela que estamos desenhando hoje dentro das nossas salas de aula, onde cada criança é encorajada a descobrir seu potencial e a construir uma história de impacto”.

Cultura e criatividade como caminhos para novas oportunidades

Fundador e diretor do Coletivo Jangada, Henrique De Souza Silva defende a valorização da cultura, o fortalecimento das iniciativas comunitárias e a ampliação de oportunidades para crianças e jovens.

O maior patrimônio de Itatiba está nas pessoas e na capacidade que elas têm de criar, trabalhar e transformar a realidade ao seu redor. Essa é a visão de Henrique De Souza Silva, fundador e diretor do Coletivo Jangada, que destaca a riqueza cultural do município, construída por suas tradições, artistas, educadores, empreendedores e cidadãos que participam diariamente da vida da cidade. Como educador e agente cultural, Henrique reconhece o potencial da produção artística local, mas avalia que muitos talentos e iniciativas ainda precisam de maior visibilidade e reconhecimento. Para ele, preservar a identidade de Itatiba significa também valorizar sua memória, seus espaços públicos e as relações que fortalecem o sentimento de pertencimento à comunidade.

Entre as transformações que considera prioritárias, está a democratização do acesso à educação, à cultura e às oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional. Na sua avaliação, investimentos em atividades culturais, esportivas e na economia criativa não devem ser vistos apenas como opções de entretenimento, mas como instrumentos de inclusão social, geração de renda e promoção da cidadania. Para ampliar esses resultados, defende políticas públicas contínuas, incentivo aos pequenos empreendedores e maior integração entre o poder público, as instituições de ensino, as empresas e a sociedade civil.

Ao imaginar Itatiba em 2036, Henrique deseja encontrar uma cidade mais inclusiva, sustentável e culturalmente ativa, onde os espaços públicos sejam ocupados pela população e os jovens tenham oportunidades de desenvolver seus projetos sem precisar buscar todas elas fora do município. Uma cidade que reconheça seus artistas, fortaleça seus empreendedores e forme cidadãos críticos, criativos e participativos. Para alcançar esse cenário, considera essencial investir em educação de qualidade, fortalecer políticas culturais de longo prazo e ampliar a participação popular nas decisões sobre o futuro do município.

A experiência à frente do Coletivo Jangada reforça sua convicção de que a transformação social também pode começar com iniciativas pequenas, desde que construídas coletivamente. Para Henrique, o desenvolvimento de Itatiba depende da capacidade de reunir pessoas, ideias e instituições em torno de objetivos comuns. Como resume, “A cidade que queremos encontrar daqui a dez anos será resultado das oportunidades que decidirmos construir hoje”.

Valorizar quem produz é garantir o futuro de quem vive na cidade

Produtora rural do Sítio Bom Jesus, Bete destaca a importância do apoio à agricultura e defende que o reconhecimento do trabalho no campo comece agora.

Quando se fala no futuro de Itatiba, é preciso olhar também para quem trabalha a terra e ajuda a colocar alimentos na mesa da população. Para Bete, produtora rural do Sítio Bom Jesus, a valorização da agricultura deve fazer parte das prioridades do município nos próximos anos. Ela reconhece iniciativas importantes já existentes, como a tradicional Festa do Caqui e os subsídios destinados aos produtores rurais, mas acredita que esse apoio precisa ser preservado e ampliado. Afinal, produzir frutas, verduras, legumes e grãos já é uma tarefa desafiadora, e a continuidade dessa atividade depende também de incentivos e condições adequadas para quem vive do campo.

Na visão da produtora, a educação é outro caminho fundamental para transformar a cidade. Ela acredita que a conscientização da população pode contribuir para melhorar a qualidade de vida e fortalecer o respeito ao trabalho de quem produz. “Pessoas educadas transformam o ambiente onde vivem”, resume. Para Bete, essa transformação também passa por compreender a importância da agricultura no cotidiano, reconhecendo o esforço de quem trabalha na produção dos alimentos que chegam às famílias.

Ao imaginar Itatiba daqui a dez anos, Bete deseja encontrar uma cidade repleta de oportunidades, especialmente para o setor agrícola. Seu alerta é direto: “Comida não nasce em supermercados”. Por isso, defende que o poder público continue investindo no campo, mas ressalta que a responsabilidade não deve ficar apenas com os governantes. A sociedade também precisa reconhecer e valorizar os produtores rurais, garantindo que as próximas gerações encontrem motivos e condições para permanecer na atividade. Como enfatiza, essa valorização deve começar enquanto ainda há pessoas trabalhando na terra.

Desenvolvimento com empregos, serviços públicos e atenção a todos os bairros

Para o Sindicato dos Químicos, o futuro de Itatiba depende de crescimento planejado, valorização dos trabalhadores e investimentos que atendam às necessidades da população.

Uma cidade que cresce, gera empregos e oferece qualidade de vida aos seus moradores. Essa é a Itatiba que o Sindicato dos Químicos deseja para os próximos anos. Para a entidade, o maior patrimônio do município está nas pessoas, em sua história e nas características que fazem da cidade um lugar para viver e trabalhar. Preservar as áreas verdes, valorizar a cultura local, fortalecer o comércio e ampliar a geração de empregos são algumas das prioridades apontadas para que o desenvolvimento econômico caminhe ao lado do bem-estar da população.

Na avaliação do sindicato, uma das principais transformações necessárias é garantir que os investimentos em saúde, educação, segurança e mobilidade alcancem todos os bairros. A entidade defende que o crescimento urbano seja acompanhado de planejamento e de melhorias nos serviços públicos, considerando as necessidades reais dos moradores. A preocupação é que o desenvolvimento da cidade não fique restrito a determinadas regiões, mas represente avanços na qualidade de vida de toda a população.

Ao imaginar Itatiba em 2036, o Sindicato dos Químicos projeta um município mais seguro, sustentável e com oportunidades para todos. Para alcançar esse cenário, considera fundamental planejar o crescimento, fortalecer os serviços públicos e ampliar a participação popular nas decisões sobre o futuro da cidade. Na visão da entidade, ouvir os moradores é parte essencial desse processo, permitindo que as prioridades do município estejam conectadas às demandas de quem vive e trabalha nele.

Uma cidade mais verde, com rios preservados e desenvolvimento sustentável

Presidente da JAPPA, Sócrates José Piovani defende a recuperação dos recursos hídricos, o planejamento ambiental e mudanças na mobilidade urbana para melhorar a qualidade de vida em Itatiba.

Para Sócrates José Piovani, presidente da JAPPA, o futuro de Itatiba passa, necessariamente, pela preservação de suas riquezas naturais. Entre os patrimônios mais valiosos do município, ele destaca as nascentes, os córregos e os ribeirões, que considera fundamentais para a qualidade de vida da população. Na sua avaliação, recuperar e conservar esses recursos deve ser uma prioridade, especialmente diante dos desafios impostos pelo crescimento urbano. O objetivo é construir uma cidade capaz de se desenvolver economicamente sem comprometer o meio ambiente.

Para alcançar esse equilíbrio, Sócrates defende uma mudança de perspectiva tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Segundo ele, é necessário compreender que crescimento econômico e sustentabilidade podem caminhar juntos. Entre as medidas sugeridas estão a ampliação dos sistemas de captação de água da chuva, o aproveitamento da energia solar, a compostagem e a reciclagem nas empresas. O ambientalista também propõe a renaturalização de cursos d’água, a criação de parques lineares e jardins de chuva, além de campanhas de conscientização que incentivem o consumo de produtos orgânicos e de agricultores locais.

Ao imaginar Itatiba em 2036, Sócrates deseja encontrar uma cidade mais arborizada, com menos impermeabilização do solo e espaços públicos melhor cuidados. A mobilidade urbana também aparece entre suas preocupações, especialmente a necessidade de priorizar os pedestres, melhorar as condições das calçadas, ampliar a acessibilidade e fortalecer o transporte público. Para ele, essas transformações precisam ser acompanhadas de fiscalização ambiental mais efetiva, principalmente no combate ao descarte irregular de resíduos e ao lançamento clandestino de esgoto nos cursos d’água e sistemas de drenagem.

O presidente da JAPPA também chama a atenção para a importância de fazer cumprir a legislação municipal já existente, citando como exemplo a lei do asfalto ecológico, sancionada em 2021, cuja aplicação ele questiona. Entre outras preocupações, menciona a segurança pública, a fiscalização do comércio em espaços públicos e a situação das pessoas em condição de vulnerabilidade nas ruas. Para Sócrates, a Itatiba do futuro exige mais do que novos projetos: depende de planejamento, fiscalização, manutenção dos espaços coletivos e decisões que coloquem a sustentabilidade no centro do desenvolvimento urbano.

A Itatiba que queremos também tem a voz de quem vive nela

Se os representantes de diferentes setores ajudaram a desenhar caminhos para o futuro de Itatiba, os moradores também têm muito a dizer sobre a cidade que desejam. Nas redes sociais, o Itatiba Hoje lançou a pergunta: “Se você pudesse transformar ou valorizar algo na nossa cidade, o que seria?”. As respostas revelaram preocupações que vão desde questões do cotidiano até sonhos de transformações mais profundas.

A preservação ambiental apareceu entre as reivindicações. Leonardo Barros defendeu menos desmatamento, mais parques, praças e reflorestamento, além de melhorias na saúde, na educação, na habitação e na oferta de atividades culturais. Ele também cobrou agilidade nas obras em andamento, mais oportunidades de ensino público e maior acolhimento às pessoas que chegam de outras cidades.

Milena Del Vecchio compartilhou a preocupação com o avanço dos condomínios sobre áreas verdes e destacou a importância de preservar a arquitetura histórica, a fauna e a flora, além de valorizar pontos turísticos como o Pico da Jurema.

A mobilidade urbana também ganhou espaço. Rosana Gomes pediu mais horários de ônibus circulares, inclusive opções durante a madrugada para cidades vizinhas, como Jundiaí e Campinas. Ela também destacou a necessidade de pontos de ônibus cobertos e com bancos, além de mais atividades culturais para jovens e idosos. Já Luci Nascimento chamou a atenção para a limpeza urbana, especialmente o descarte de lixo às margens da Avenida Luciano Consoline, e questionou os resultados das iniciativas para organizar a fiação nos postes.

Em poucas palavras, Regina Nunes resumiu seus desejos para Itatiba em três prioridades: “Saúde, sossego e segurança”. Rose Ribeiro, por sua vez, trouxe uma preocupação que faz parte da rotina de muitas famílias: a necessidade de ampliar a oferta de creches, escolas e projetos em período integral. Para ela, garantir espaços adequados para as crianças também significa oferecer às mães mais oportunidades de trabalhar e construir um futuro melhor para suas famílias.

Embora representem apenas uma parcela das opiniões da população, essas manifestações ajudam a revelar como os grandes temas discutidos ao longo desta reportagem se traduzem em necessidades concretas.

Ao completar 169 anos, Itatiba tem motivos para celebrar sua história, mas também muitos assuntos sobre os quais refletir. As diferentes vozes reunidas nesta edição mostram que não existe uma única resposta para a pergunta que dá nome ao especial. Existem prioridades, necessidades e sonhos que nem sempre são iguais, mas que fazem parte de uma mesma construção coletiva.

A Itatiba que queremos não será construída apenas com grandes projetos ou promessas para o futuro. Ela também depende das escolhas feitas hoje, da atenção aos problemas cotidianos e da capacidade de ouvir quem vive a cidade. Afinal, o melhor presente que podemos oferecer a Itatiba em seus 169 anos é o compromisso de fazer com que ela seja, a cada aniversário, um lugar melhor para todos.

Por Lívia Martins/Itatiba Hoje – Fotos: Divulgação/Geração IA

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