O músico se apresenta no próximo domingo, 1º de novembro, no Espaço Unimed, em São Paulo. Ingressos estão disponíveis via Eventim .

O que esperar da apresentação? A Rolling Stone Brasil preparou um guia com repertório, horários, recepção crítica de performances anteriores e mais. Confira!

Horário dos shows

Os portões do Espaço Unimed serão abertos às 18h do dia 1º de novembro. O show se inicia às 20h.

Crianças e adolescentes de até 15 anos precisam estar acompanhados de pais ou responsáveis. Acima de 16 anos não há qualquer restrição.

Contexto da turnê

A turnê atual de Ronnie Wood, promovendo Fearless: The Ronnie Wood Anthology 1965-2025 , é a primeira turnê solo de fato do guitarrista e cantor desde pelo menos 1992. Nos mais de 30 anos entre as excursões, o principal foco do músico era tocar com os Stones ou realizar aparições em shows de Rod Stewart , outro grande parceiro musical desde os anos 1960.

Em entrevista a Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil , Ronnie explicou que esses shows servem para ele ilustrar sua carreira através dos projetos do qual fez parte e daqueles artistas responsáveis por moldar sua personalidade musical. Uma vida inteira em cerca de 20 músicas:

“Estou desenterrando músicas, sejam elas covers, composições minhas, composições em parceria ou inspiradas por mim. Estou tentando integrá-las todas em um único show.”

A performance, inclusive, pode ser gravada para o lançamento de um álbum ao vivo. Ao menos é o que diz Wood.

O trunfo de Ronnie celebrar sua discografia reside no fato de ela ilustrar as diferentes eras do rock no Reino Unido entre os anos 1960 e 1970. Wood começou sua carreira no The Birds , uma banda de blues rock bem ao estilo dos Stones no começo da carreira. Após um período no grupo de garage rock mais psicodélico The Creation , ele foi convidado para fazer parte do The Jeff Beck Group , inicialmente como guitarrista e depois como baixista.

Esse projeto ajudou a moldar a sonoridade do rock britânico para a próxima década, pois era muito mais expansivo na sua abordagem instrumental. Solos eram mais longos, havia mais firulas de estúdio e o virtuosismo instrumental se tornou a moeda do reino.

Nem tudo dura pra sempre e no caso de Ronnie, significou ir para o Small Faces com Rod Stewart, vocalista do Jeff Beck Group. Os dois logo se tornaram as figuras chave da banda, que mudou de nome para apenas Faces . O conjunto elaborou em cima de ideias estabelecidas pelos Stones na virada da década de 70 com uma pegada mais blues e folk.

Quando Mick Taylor saiu dos Stones e a banda precisava de um guitarrista, o cara que basicamente acompanhou todas as mudanças sonoras da música daquele país pareceu natural. O resto é história.

Visual e performance

Nessa turnê, Ronnie Wood é acompanhado pela The Ammo Band – Johnny Lee Schell (guitarra), Willie Weeks (baixo), Andy Newmark (bateria), Andy Wallace (teclados), Mera Royle (violino), Chanel Haynes (vocais) e Imelda May (vocais, creditada como artista convidada) – num palco que lembra muito o cenário de Later… with Jools Holland . O músico já tocou várias vezes no programa musical da BBC, mais recentemente no especial de Ano Novo 2026, chamado Hootenanny , acompanhado pela The Ammo Band.

O design é simples. Alguns refletores atrás da banda virados para a plateia, amplificadores e nenhum lugar para se esconder. Atrás de todo mundo, uma bandeira gigante com a capa da antologia musical Fearless . O único elemento incomum é um stand com três microfones no centro do palco, onde ao longo do show Ronnie usa todos eles enquanto se mexe de um lado para o outro, além das outras vocalistas se aproximarem para duetos ou momentos climáticos da apresentação.

Um aspecto que vale reforçar é o fato do músico não ser um vocalista de profissão. Isso valia para seu auge físico e mais ainda para os tempos atuais. Wood veste os excessos do rock como um terno, e parte do charme de sua performance reside no entusiasmo do cara, mesmo com suas limitações diante do microfone principal.

Entretanto, não quer dizer que o público fique refém de um artista incapaz de cantar. Além de providenciar um lastro vocal robusto ao show, Chanel Haynes e Imelda May recebem a oportunidade de ser a voz principal em diversos momentos — e roubam a cena com gosto.

Haynes se encarrega de “Flying” , do Faces, e “River Deep, Mountain High” , feita famosa por Ike & Tina Turner . Enquanto isso, May sobe ao palco na sétima música para cantar “Remember (Walking in the Sand)” , do girl group The Shangri-Las . Dali para frente, ela continua presente pelo resto do show, fazendo dueto com Ronnie em “Baby What You Made Me Do” , de Jimmy Reed , e em “Spoonful” , clássico de Howlin’ Wolf composto por Willie Dixon .

Curiosamente, na música que é talvez a mais complexa de cantar do set — “Chain of Fools” , de Aretha Franklin —, Wood decide ser o cantor principal. Quando ele não consegue acertar as mesmas notas da Rainha do Soul, ele apela para sua guitarra lhe auxiliar nesse aspecto.

A banda de apoio é justamente isso. Ninguém entra no caminho de quem está à frente do palco e seguram a fundação musical para Wood, May e Haynes entreterem o público. Essa última é uma atração à parte por conta de seu carisma no palco. Mesmo quando não está cantando, faz caras e bocas ao interagir com a plateia.

No geral, o show de Ronnie Wood e The Ammo Band se assemelha muito a uma banda de baile de blues. Uma apresentação sólida com várias canções conhecidas, focada em deixar a plateia sair com um sorriso no rosto.

Análise do repertório

Como já estabelecido, o setlist de Ronnie Wood traz canções de quase todas as fases de sua carreira. Ultimamente, ele têm incluído quatro faixas dos Stones, três do Faces, duas originais de sua carreira solo e o resto são covers, desde aquelas gravadas para álbuns seus até as donas de significado especial para o artista.

Algumas escolhas fazem sentido, como várias apontadas acima. Outras são bem incomuns, vide “Take It Easy” , clássico do rocksteady jamaicano famoso na voz de Hopeton Lewis . Entretanto, no contexto de uma performance tão preocupada em entreter, dá um charme especial ao repertório.

O setlist não mudou muito durante os 12 shows feitos até agora em 2026. A maior parte das alterações ficou concentrada no final da apresentação durante a primeira metade das datas. Do começo de setembro até hoje o repertório está bem fechado, com só algumas músicas sendo trocadas dependendo da noite.

Possível setlist de Ronnie Wood em São Paulo

Veja, a seguir, um possível setlist a ser executado por Ronnie Wood em São Paulo. Lembrando que podem haver variações para além das já previstas no repertório abaixo.

1. “It’s Only Rock ‘n’ Roll (but I Like It)” (The Rolling Stones)

2. “Am I Grooving You” (Freddie Scott)

3. “Take It Easy” (Hopeton Lewis)

4. “Flying” (Faces)

5. “Hey Negrita” (The Rolling Stones)

6. “Seven Days” (Bob Dylan)

7. “Remember” (Walking in the Sand) (The Shangri‐Las)

8. “You’re So Fine” (The Falcons)

9. “Baby What You Want Me to Do” (Jimmy Reed) ou “Wee Wee Hours” (Chuck Berry)

10. “Show Me” (Johnny Winter cover)

11. “Mystifies Me”

12. “River Deep, Mountain High” (Ike & Tina Turner)

13. “Country Honk” (The Rolling Stones)

14. “Chain of Fools” (Aretha Franklin)

15. “Boogie Disease” (Doctor Ross)

16. “Spoonful” (Howlin’ Wolf)

17. “Ooh La La” (Faces)

18. “Can’t You Hear Me Knocking” (The Rolling Stones)

19. “Outlaws” ou “Plynth (Water Down the Drain)” (Jeff Beck Group)

20. Medley: “Dust My Broom” (Robert Johnson) / “Black Limousine” (The Rolling Stones) ou “Gasoline Alley” (Rod Stewart) e/ou “Plynth (Water Down the Drain)” (Jeff Beck Group )

21. “Stay With Me” (Faces)

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