# O grande ano de 2026 para a Lagum

- Seção: Entretenimento
- Fonte: Rolling Stone Brasil (https://rollingstone.com.br/musica/o-grande-ano-de-2026-para-a-lagum/)
- Publicado em: 2026-10-30T11:32:18.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1433177-o-grande-ano-de-2026-para-a-lagum

> Em 8 de maio de 2016, a Lagum lançou de forma independente Seja o Que Eu Quiser , gravado em um pequeno estúdio de Belo Horizonte. Pedro Calais assumia os vocais, Zani ( Otavio Cardoso ) e Jorge ( Glauco Borges ) tocavam guitarra, e Chicão…

Dez anos depois, agosto chegou, e o baixista Chicão resume o que sente com a mesma simplicidade de então: “Tá sendo muito mágico, porque a gente lançou nosso primeiro álbum e ele entregava ali naquela época tudo que a gente queria fazer. A gente queria viver de música, a gente queria colocar nossas ideias no mundo”. A faixa que parecia uma promessa se tornou, aos poucos, um retrato de quem a banda foi e do que se tornou.

Para entender a dimensão de 2026, é preciso voltar aos primeiros anos, quando o grupo ainda era pequeno. “Desde o início, a gente era uma banda muito pequena e o objetivo inicial era sair de Belo Horizonte, sair do estado”, lembra Zani . A ambição de cruzar as fronteiras da cidade permanecia, mas o horizonte era outro. Jorge , guitarrista, descreve aquele começo com uma palavra que faz questão de não usar em sentido pejorativo: “A gente era ingênuo. Uma ingenuidade que você não bota amarras nos sonhos”. Dez anos depois, essa ingenuidade se transformou em uma maneira de olhar para o próprio caminho com mais clareza — e com a mesma vontade.

A comemoração de 2026 foi acontecendo, tomando forma ao longo de um ano em que a banda decidiu transformar o aniversário em uma série de gestos. O primeiro aconteceu no centro de Belo Horizonte.

O verso de 2016 chega à Sapucaí

O primeiro gesto foi um show surpresa na Rua Sapucaí, em Belo Horizonte. A banda tocou na varanda da pizzaria Panorama, com vista para um dos cartões-postais da cidade: o viaduto de Santa Teresa, com o metrô passando ao fundo. Tudo foi decidido na semana anterior. A notícia circulou por e-mail, não como anúncio de um show, mas como convite para comemorar a chegada de agosto de 2026. Muita (realmente muita) gente apareceu, e a banda não esperava um público tão grande. “A gente não sabia o que poderia acontecer”, lembra o vocalista Pedro Calais .

Tocar de forma crua, com a varanda como palco, fez a banda sentir algo inesperado. As vozes do público se sobrepuseram aos instrumentos, e a noite ganhou um tom diferente de qualquer show anterior. “Foi muito legal porque isso, de certa forma, também conecta com o nosso início. Isso também é um resgate da nossa essência”, diz Pedro . Foi ali que o ano começou a ganhar sentido: a celebração retomava o jeito como tudo começou.

Essa vontade de voltar ao básico não ficou restrita à Sapucaí. Para Pedro , ela também aparece na maneira de tocar e de se apresentar. “Eu tô com vontade de fazer mais coisas como essas, sabe? Ao vivo, na tora, no estilo faça você mesmo”. Foi dessa vontade que surgiu a ideia de um novo tipo de projeto, capaz de levar a música para além dos palcos habituais.

Água, terra e ar

As sessões ao vivo nasceram do desejo de sair do roteiro. A ideia surgiu durante um show em Porto Alegre, quando as luzes do palco se apagaram no meio da apresentação e a banda ficou alguns minutos no escuro. Foi naquele silêncio que veio a proposta de gravar em lugares inusitados e visualmente marcantes. A ideia ficou guardada até o planejamento das comemorações, quando a equipe começou a procurar cenários improváveis.

O primeiro foi o Bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. A banda teve duas horas e meia para gravar, e o prazo curto exigiu preparo. “A gente entrou com tudo, ensaiou, pá. Entrou, gravou em duas horas e meia”, contam. O repertório reúne “ Ninguém Me Ensinou ”, “ A Cidade ”, “ Fifa ” e “ Bem Melhor ”, além de “ Seu e Só ”, faixa inédita lançada com a sessão.

Depois veio o Rio Negro, na Amazônia. A banda seguiu de barco com uma equipe de 22 pessoas e passou quatro dias embarcada, longe de qualquer estrutura de estúdio. “Não tem energia direito”, resume Jorge , ao descrever um trabalho em que todo mundo colocou a mão na massa. A gravação rendeu duas músicas inéditas, entre elas “ Na Calada da Tarde ”, e seis releituras de sucessos da banda. A experiência também mostrou que cada lugar pedia uma maneira própria de tocar.

A atenção ao cenário organiza as sessões. “A gente pensou nos lugares, porque são lugares que têm imagens muito fortes”, explica Pedro . No Bondinho, a música precisava combinar com o movimento dos cabos sobre a cidade. Na Amazônia, o som tinha de dialogar com a floresta ao redor. A sequência, portanto, não é apenas geográfica: é um método que se aprimora a cada gravação e que, na terceira sessão, levou a banda a um lugar que ninguém havia imaginado.

Música feita num balão

A terceira sessão ao vivo, revelada com exclusividade à Rolling Stone Brasil , foi gravada em um balão. Pela primeira vez, a banda tocou a uma altura que nunca havia experimentado. Pedro e Jorge têm medo de altura, e foi justamente isso que tornou a gravação um desafio pessoal. “Foi um grande desafio para mim e para o Jorge , porque a gente morre de medo de altura”, conta Pedro , rindo. Ainda assim, decidiram enfrentar o medo e fazer música lá em cima.

A decisão não foi simples. A banda não se limitou a gravar uma sessão diferente no chão: subiu em um balão para tocar no alto. Cada etapa exigiu atenção à segurança, ao som e à imagem. “Foi um grande desafio psicológico, técnico”, resume Zani . A equipe precisou cuidar de cada detalhe para que a música funcionasse em um espaço muito diferente de um palco ou estúdio, e cada integrante teve de encontrar seu próprio ritmo para lidar com a sensação de estar suspenso.

O resultado agradou especialmente à banda. “Eu acho que foi, musicalmente falando, uma das que eu acho mais legais assim”, diz Pedro , avaliando a sessão. Com o balão, a série se completa: água no Rio Negro, terra no Bondinho e ar em Praia Grande. São três sessões, em diferentes regiões do país, do Norte ao Sul — uma comemoração que também se tornou um mapa.

A sessão será lançada no dia 10 de novembro, e Pedro vê nela uma ligação direta com a turnê. “Eu acho que ele junta, sim, e dá mais força para essa turnê, que é o Lagum em Todo Lugar ”, diz. Para ele, o vídeo e o show contam a mesma história, a de chegar a lugares novos.

Lagum em Todo Lugar

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Produzida pela Live Nation , a turnê Lagum em Todo Lugar é um desdobramento natural desse percurso. O roteiro começou em Belo Horizonte, em 17 de outubro, na Arena Hall. Depois, segue para o Rio de Janeiro, no sábado, 7 de novembro, na Qualistage; Brasília, no sábado, 28 de novembro, no Ulysses Guimarães; Ribeirão Preto, no sábado, 5 de dezembro, no Multiplan Hall; Porto Alegre, na sexta, 11 de dezembro, no Araújo Vianna; Florianópolis, no sábado, 12 de dezembro, no P12 Jurerê; e Curitiba, no domingo, 13 de dezembro, no Cine Lido. Os ingressos estão à venda pela Ticketmaster e nas bilheterias oficiais.

O anúncio prevê 10 cidades brasileiras, e as sete datas já confirmadas compõem um roteiro que atravessa três regiões. As demais cidades, incluindo praças do Nordeste, serão divulgadas em breve. Para a banda, a turnê significa mais do que cumprir uma agenda. “A gente quer romper as bolhas, né, do algoritmo, de tudo que a gente vem sendo colocado, para espalhar mais o nosso som”, diz Chicão . Levar o show a lugares fora do circuito habitual é uma forma de fazer a música chegar a quem ainda não a conhece.

O desafio, porém, está no repertório. São cerca de 70 músicas lançadas, e cada escolha implica deixar outras de fora. “A gente fica tentando tocar as coisas mais especiais, né? Aquilo que mais comove o público”, diz Pedro . Há também os pedidos por lados B, faixas menos óbvias reivindicadas por parte do público. A banda nem sempre consegue atender a todos, mas reconhece que essa diversidade faz parte da construção do show. “Tá sendo uma construção difícil assim de uma setlist”, admite.

Por isso, a comemoração não se limita às músicas. “A gente tá trazendo essa comemoração não só no repertório, mas também nas falas, no visual, nos interlúdios”, explica Pedro . Chicão vê na turnê algo mais duradouro do que as excursões habituais, que costumavam durar cerca de seis meses. “A gente tá construindo um show para ser o melhor da nossa carreira até hoje”, afirma.

Um convite para o mesmo palco

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Antes da turnê própria, a banda dividiu o palco com o Maroon 5 em três shows. O convite chegou em agosto e, até a confirmação, a espera foi marcada pela ansiedade. “Com muita ansiedade, ainda mais porque foi durante o mês de agosto”, lembra a banda.

Para Pedro , o convite fecha um ciclo que começou com uma música de outra banda. No início, o grupo tocava “ Sunday Morning ”, do Maroon 5 , e foi essa canção que Pedro publicou como uma de suas primeiras versões na internet. “Para mim, tem uma realização pessoal”, diz. Chicão também lembra que o Maroon 5 foi uma das bandas que o inspiraram a ser músico. Quando receberam a confirmação, a reação foi de alegria.

O encontro com os integrantes da banda norte-americana foi, segundo a banda, melhor do que eles imaginavam. “Os caras [foram] super-receptivos, recebendo [a gente] de igual para igual, trocando ideia, superengajados”, conta. A conversa foi natural, com interesse genuíno pela trajetória da banda. “Assinaram vinil, trocaram ideia, tiraram foto. Foi infinitamente melhor do que a gente podia imaginar”.

A experiência também serve de laboratório. A banda testa um novo repertório, uma maneira diferente de tocar as músicas e arranjos pensados para grandes públicos. “A gente se propôs a fazer uma configuração musical que fosse, de fato, para lugares muito grandes”, explica Pedro . Os arranjos precisam ser claros o bastante para não embolar e fortes o suficiente para causar impacto. “A gente tá testando isso em estádios e tá sendo muito legal”, diz. Para a Lagum , é um passo concreto em direção a um sonho que sempre esteve no horizonte: “A gente quer ter um estádio só pra gente. A gente quer ter essa carreira longeva”.

Um ano que cabe em um disco

Se a história começou com um disco independente gravado em um pequeno estúdio, a celebração encontrou no vinil do primeiro álbum sua forma mais íntima. A edição numerada, limitada e assinada à mão pelos quatro integrantes esgotou-se em 10 minutos. “A gente sabe que tem uma base de fãs que apoia muito e que está sempre muito a fim de compartilhar fisicamente boas memórias e boas lembranças”, diz a banda.

Pedro escreveu o encarte, com histórias sobre cada música, e a banda brinca que o trabalho também foi um exercício de caligrafia. “A gente brinca que treina a caligrafia”, diz ele, rindo. Chicão , apreciador de vinil, destaca o que o formato tem de especial: “Quando você pega um vinil e abre ele assim, você vê que ele abre, sabe?” Para a banda, o objeto resume o sentido da comemoração: algo feito à mão e com cuidado.

Quem diria que um verso despretensioso, escrito em 2016 quase como um detalhe de rima, chegaria a 2026 como o fio que liga tudo isso? Entre o show surpresa na Sapucaí, as live sessions, o vinil que esgotou em 10 minutos e a abertura dos shows do Maroon 5 , o ano foi se montando passo a passo, sem que a banda tivesse um roteiro fechado. Cada celebração abriu caminho para a seguinte, e a comemoração de uma década acabou sendo também a celebração do que ainda vem.

“Estamos juntos, logo em todo lugar, vamos que vamos”, resumem.

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