Após movimentar mais de R$ 156 bilhões em operações nos últimos três anos, a empresa pretende ampliar sua atuação entre pequenas e médias empresas (PMEs) e atingir a meta de faturamento de R$ 500 milhões em cinco anos.

A companhia atribui os resultados à experiência acumulada no mercado de câmbio e à parceria com a XP, formalizada em 2024.

Para Túlio Portella, CEO da B&T XP, a integração permitiu ampliar a oferta de produtos financeiros e aproveitar o relacionamento construído com clientes empresariais.

Túlio, CEO da B&T XP, ao lado do pai, seu xará e fundador do escritório, e Roberta: eficiência na migração para o ecossistema XP (Foto: Divulgação/B&T XP)

De corretora de câmbio a assessoria da XP

Fundada em 1993 como empresa familiar, a B&T iniciou suas atividades como corretora de câmbio regulada pelo Banco Central.

Ao longo das décadas seguintes, expandiu suas operações e chegou a disputar a liderança nacional do segmento em volume transacionado.

Com o amadurecimento do negócio, a direção passou a avaliar alternativas para diversificar as fontes de receita. A possibilidade de transformar a corretora em banco foi considerada, mas os investimentos que seriam necessários levaram a companhia a buscar outro modelo.

As conversas com a XP começaram em meados de 2022. Após aproximadamente um ano e meio de negociações, a parceria foi formalizada em 2024, permitindo à B&T ampliar a oferta de produtos e serviços financeiros.

A integração envolveu a migração de clientes, a adaptação dos profissionais e mudanças operacionais. Segundo Portella, o primeiro ano foi dedicado principalmente à continuidade dos negócios e à preservação dos relacionamentos comerciais.

No primeiro ciclo na rede XP, a B&T conquistou reconhecimento por sua atuação em câmbio. No ciclo de 2025 a 2026, alcançou o primeiro lugar no E20, voltado ao segmento Empresas, e a terceira posição no G20, ranking de desempenho entre assessorias da rede.

“A gente teve uma eficiência muito grande na migração, no tombamento, na virada para trazer o que a gente já fazia para dentro do ecossistema”, afirma o CEO.

R$ 156 bilhões em três anos

Nos últimos cinco anos, a B&T informa ter realizado mais de 313 mil operações, com volume financeiro superior a R$ 245 bilhões. No recorte dos últimos três anos, foram mais de 190 mil operações, R$ 156 bilhões movimentados e mais de 7 mil novos clientes.

A presença geográfica passou de três para cinco estados brasileiros, além da atuação nos Estados Unidos.

A assessoria de investimentos ainda representa uma parcela menor das atividades do escritório. Segundo Portella, os recursos sob custódia estão próximos de R$ 400 milhões, e a projeção é de alcançar entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões até o fim de 2026.

O executivo relata que, em determinados meses, a B&T respondeu por aproximadamente 7% a 8% do volume de câmbio do Banco XP. Segundo ele, essa participação varia conforme o período.

200 empresas captadas por mês

A atuação com pessoas jurídicas (PJs) ocupa posição central na estratégia da B&T XP. Atualmente, a companhia mantém mais de 4 mil clientes empresariais com contas abertas na XP, entre empresas da carteira histórica e novos negócios.

“A gente consegue trazer 150, 200 empresas por mês”, diz Roberta Folgueral, diretora comercial da B&T XP, que atribui o resultado à experiência da equipe no atendimento a importadores, exportadores e outros participantes do comércio internacional.

A base empresarial também participa do desenvolvimento de funcionalidades bancárias da XP. De acordo com os executivos, clientes da B&T foram envolvidos em testes de serviços como emissão de boletos e cartões de crédito para pessoas jurídicas.

Portella considera que a experiência da equipe, a carteira existente e a integração à XP contribuíram para o desempenho na premiação.

A B&T XP pretende utilizar a experiência no mercado de câmbio para ampliar o relacionamento com clientes empresariais.

Segundo Roberta, o atendimento envolve não apenas a negociação de moedas e taxas, mas também questões regulatórias, contábeis e jurídicas relacionadas às operações internacionais.

Uma operação de importação ou exportação, por exemplo, pode exigir conhecimento sobre regras do Banco Central, registros contábeis e obrigações das empresas. Segundo Roberta, a proposta é auxiliar as empresas na compreensão dessas operações e de seus possíveis desdobramentos.

“Qual é o desdobramento no balanço? Como ele pode se comprometer com o Banco Central? Por que que o Banco Central tá pedindo tudo aqui?”, diz a diretora, ao exemplificar dúvidas dos clientes que a B&T consegue responder, graças à sua experiência anterior no segmento de câmbio.

Com a parceria com a XP, a B&T passou a oferecer acesso a serviços bancários e produtos de investimento, além das operações de câmbio que marcaram sua trajetória.

Serviços financeiros para PMEs

A próxima etapa da estratégia concentra-se nas pequenas e médias empresas, especialmente aquelas que possuem necessidades financeiras mais complexas, mas não contam com estruturas internas semelhantes às de grandes companhias.

Portella identifica oportunidades entre empresas com faturamento anual de R$ 50 milhões a R$ 500 milhões.

Na avaliação do executivo, parte desse público encontra dificuldades para acessar determinados serviços financeiros disponíveis às grandes corporações. “Entendo que a gente consiga fazer aqui para PJ pequena e média o que a XP fez para o investidor pessoa física no Brasil”, avalia Portella.

A proposta inclui oferecer suporte técnico à gestão financeira das empresas, em um modelo que o executivo compara ao conceito de CFO as a Service , expressão utilizada para serviços terceirizados de direção financeira.

Nesse formato, a B&T pretende complementar o trabalho dos responsáveis pelas finanças das PMEs, com atendimento relacionado a câmbio, investimentos, gestão de recursos e outras demandas empresariais.

Expansão comercial e custódia

Para os próximos cinco anos, a B&T XP estabeleceu um plano de expansão que prevê aumentar em 200% a equipe comercial e alcançar faturamento de R$ 500 milhões no período.

A companhia também pretende conquistar mais 10 mil clientes, elevar os recursos sob custódia de cerca de R$ 400 milhões para R$ 4 bilhões e ampliar sua presença de cinco para oito estados brasileiros, mantendo a atuação nos Estados Unidos.

O planejamento inclui ainda o desenvolvimento de uma cultura de partnership , modelo que busca aproximar os profissionais dos resultados e da participação no negócio.

Segundo Portella, a expansão deverá combinar a conquista de clientes com a ampliação dos serviços oferecidos à carteira atual. A estratégia prevê aproveitar os relacionamentos estabelecidos no mercado de câmbio para desenvolver outras frentes de atuação financeira.

“Nesses últimos dois anos o nosso trabalho foi dedicado a fazer essa migração de clientes de forma correta, organizada, para que depois a gente pudesse oferecer toda a completude do ecossistema para esses clientes que já estão conosco”, conclui Portella.

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