A sessão também contou com forte saída de capital estrangeiro. Ao todo, o estrangeiro do exterior retirou cerca de R$ 2,85 bilhões em apenas um dia. O dado não surpreende de todo, uma vez que a saída de estrangeiros já era percebida desde a semana anterior e não chegou a compensar a forte entrada tanto no pregão após o 1º turno (quando o fluxo aumentou em R$ 10 bilhões) quanto nos dias que se seguiram.

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Bolsas de Nova York começam dia com amplas quedas

Entre os dados fornecidos pela B3 sobre as compras e vendas de investidores no dia, um número chega a chamar mais atenção que a saída de gringos: a aposta de investidores individuais na Bolsa no momento de maior queda no ano.

Como mostram os dados, os investidores individuais intensificavam vendas em outubro, com fluxo negativo em R$ 2,5 bilhões até dia 23 de outubro, último pregão antes do segundo turno das eleições. Já no dia 26, a posição se inverte e os individuais foram os únicos com entrada superior a saída, comparando com investidores institucionais, estrangeiros e instituições financeiras. O dado inverteu de sinal e ficou positivo em R$ 3,6 bilhões.

A entrada, no entanto, não foi suficiente para impactar o percentual de participação de investidores na Bolsa. Em 23 de outubro, individuais respondiam por 9,68% da Bolsa e, após a entrada, passaram a corresponder por 9,70% do capital da B3. O percentual também é o menor no ano, considerando que o fluxo de individuais ficou negativo por vários meses de 2026.

O investidor individual vai voltar?

De acordo com Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, o movimento não muda a trajetória de investidores individuais em relação ao índice. Na realidade, é possível que o evento tenha apenas mostrado oportunidade para posicionamento para alguns investidores, mas não necessariamente reflita a mudança do investidor.

“Eu entendo que o investidor individual pode ter notado algum exagero nas vendas de segunda feira. O próprio institucional viu algumas quedas e aproveitou para comprar ações de empresas que consideram boas oportunidades”, afirma.

O estrategista considera, no entanto, que agora com a trajetória da dívida dificilmente interrompendo sua trajetória de alta, nos próximos quatro anos, os juros seguirão mais elevados adiante. Com isso, é possível que haja manutenção de boa parte dos investidores na renda fixa.

Como fica o capital estrangeiro?

Apesar da turbulência, os estrategistas do Bradesco BBI identificam poucos sinais de fuga significativa do capital estrangeiro.

Com base no comportamento dos ETFs internacionais ligados ao mercado brasileiro, o banco afirma que os fluxos continuam relativamente resilientes. Na avaliação do BBI, isso ocorre porque o Brasil voltou a negociar com múltiplos considerados muito baratos e porque os investidores estrangeiros enxergam poucas alternativas atrativas dentro do universo emergente.

O mercado brasileiro passou a negociar a menos de 8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, tornando-se o segundo mais barato do mundo, atrás apenas da Coreia do Sul.

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