A Polícia Civil (PC) deflagrou nesta sexta-feira (30) a operação Rastro Oculto, que cumpriu um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão contra uma ex-funcionária do Banco da Amazônia em Novo Progresso, no sudoeste do Pará, a mais de mil km de Belém.

Segundo as investigações, a mulher é investigada por peculato, inserção de dados falsos em sistema de informações, estelionato e lavagem de dinheiro. Ela é suspeita de integrar um esquema de desvio de recursos financeiros de clientes idosos da instituição bancária.

O g1 solicitou posicionamento ao Banco da Amazônia, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Como o esquema teria funcionado

Mulher foi presa em Novo Progresso, no interior do Pará.

As investigações começaram após a denúncia de um idoso que identificou movimentações financeiras não autorizadas em sua conta, com prejuízo de R$ 138.977,66.

De acordo com a apuração, a investigada teria se aproveitado da relação de confiança estabelecida com a vítima para cadastrar o aplicativo bancário em um aparelho celular próprio e realizar várias transações fraudulentas.

Os investigadores identificaram indícios de que a suspeita teria usado os recursos da vítima para fazer compras, como um celular avaliado em R$ 9.890,00, adquirido no próprio município, e de ostentar um padrão de vida com diversas viagens.

Quebras de sigilos bancário e telemático, autorizadas judicialmente, revelaram ainda indícios de outras vítimas, incluindo outro idoso que teria sofrido prejuízo de R$ 49.950,00, além de outras movimentações financeiras que apontam para possíveis mais vítimas.

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Perseguição por quatro estados

Após tomar conhecimento das investigações e de ser afastada das atividades bancárias, a investigada deixou Novo Progresso e passou a ir para diferentes localidades.

O trabalho de inteligência chegou a identificar a suspeita em uma região ribeirinha de difícil acesso, em Abaetetuba, no nordeste do Pará, onde uma operação fluvial chegou a ser articulada com apoio da Delegacia de Homicídios do município, mas a mulher não foi presa.

O monitoramento contínuo também permitiu localizar a investigada no dia último dia 28 no Aeroporto Internacional de Belém, com deslocamentos posteriores por Guarulhos (SP) e Sinop (MT), o que levou a uma articulação com a Polícia Civil de Mato Grosso.

No fim da tarde de quinta-feira (29), a mulher foi localizada em uma área rural de Castelo dos Sonhos, distrito de Altamira, sudoeste paraense, e passou a ser acompanhada pela inteligência policial.

A estratégia operacional priorizou a prisão em Novo Progresso, cidade vizinha a Altamira, para permitir o cumprimento simultâneo das buscas domiciliares e a apreensão de aparelhos celulares e de outros elementos fundamentais para identificar novas vítimas, possíveis outros envolvidos nos crimes e rastrear os valores supostamente desviados.

Por volta das 6h30 desta sexta-feira (30), a Polícia Civil localizou e prendeu a investigada em imóvel. Na sequência, foram cumpridas as buscas em dois endereços da cidade: um apartamento na avenida Jamanxim, no bairro Rui Pires de Lima, e um imóvel na rua Siébra Maia, no bairro Jardim Santarém.

A investigada permanece à disposição da Justiça. As investigações seguem para esclarecer a extensão do suposto esquema, identificar outras vítimas e envolvidos e rastrear a destinação dos recursos desviados.

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