Às 10h45, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,435%, em alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 14,366% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,3%, com avanço de 7 pontos-base ante 15,234%.
A vitória de Lula no último domingo, que surpreendeu o mercado, seguia influenciando os negócios. Ao mesmo tempo em que aguardam indicações sobre quem ocupará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os investidores esperam por detalhes sobre como será a política fiscal no novo governo.
A necessidade de ajuste nas contas públicas é um tema recorrente no mercado, que vê a questão como fundamental para o controle da inflação e, consequentemente, para a redução sustentável dos juros.
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Dados do Banco Central mostraram na quinta-feira que o setor público consolidado registrou em setembro déficit nominal — que já inclui o pagamento dos juros da dívida pública — de R$113,0 bilhões. Em 12 meses até setembro, o déficit nominal está em R$1,275 trilhão, ou 9,51% do Produto Interno Bruto (PIB).
‘O problema fiscal é muito grave e precisa ser enfrentado pelo governo sob pena de um grande desarranjo macroeconômico, nosso maior temor’, pontuou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório. ‘Além da dívida do governo, as famílias e as empresas estão muito endividadas’, alertou.
Nesta manhã de sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no país recuou para 5,2% no terceiro trimestre do ano, a mais baixa para o período desde o início da série histórica, em 2012. O dado veio em linha com as expectativas dos economistas.
Já o rendimento real habitual do trabalhador ficou estável na comparação com o trimestre imediatamente anterior, em R$3.790, com alta de 3,6% na comparação anual.
Na próxima quarta-feira, o Banco Central anunciará sua primeira decisão sobre juros após o segundo turno da eleição presidencial. As preocupações sobre o equilíbrio fiscal no governo Lula conduziram nesta semana boa parte das apostas do mercado para a manutenção da taxa básica Selic em 13,75% ao ano.
‘Antes das eleições, existia uma probabilidade maior implícita nos preços de uma continuidade no ciclo de corte de juros. E o que passamos a ver pós-segundo turno, pós-reeleição do presidente Lula, foi uma probabilidade maior de uma manutenção na próxima reunião’, pontuou Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos.
‘Não foi a eleição que mudou os fundamentos de inflação ou a atividade de um dia para o outro, o que mudou foi essa percepção de risco sobre a trajetória futura das contas públicas, continuidade da condução da política fiscal, e como isso pode impactar câmbio, curva de juros e expectativas de inflação’, acrescentou.
Na última quarta-feira — atualização mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 66,5% de chance de manutenção da Selic na próxima semana, contra 32% de probabilidade de corte de 25 pontos-base. No dia 23 de outubro, antes do segundo turno, a precificação era de 17,5% para manutenção e 76% para corte de 25 pontos-base.
No exterior, às 10h45 o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– caía 6 pontos-base, a 4,931%.
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