Este é o assunto do programa Olhar Espacial desta sexta-feira (30), que recebe o físico Alexandre Cherman para discutir como o IceCube ajuda a investigar os fenômenos mais extremos do Universo e o que os neutrinos podem revelar sobre eles. Astrônomo, doutor em física teórica, cientista de dados, educador, palestrante e autor de oito livros, Cherman também é coautor do Banco Imobiliário Cósmico, jogo educativo da Estrela Cultural. Atualmente, dirige a área de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.
Cinco mil sensores distribuídos por um quilômetro quadrado perto do polo Sul são encarregados de responder a uma das grandes questões pendentes da física: a gravidade quântica existe? – Crédito: IceCube/NSF
A ideia de transformar o gelo antártico em um detector de partículas surgiu em 1988. Após mais de duas décadas de desenvolvimento, o IceCube entrou em operação em 2010. Sua estrutura ocupa aproximadamente um quilômetro cúbico de gelo e reúne 5.160 sensores ópticos distribuídos em 86 cabos verticais, entre 1,45 e 2,45 quilômetros de profundidade.
Os neutrinos são partículas subatômicas sem carga elétrica e com massa extremamente pequena. Produzidos em diferentes fenômenos naturais, atravessam planetas, estrelas e até o corpo humano praticamente sem interagir com a matéria. Estima-se que cerca de 100 trilhões deles passem por uma pessoa a cada segundo.
Alexandre Cherman é o convidado do programa Olhar Espacial desta sexta-feira (30). – Crédito: Arquivo pessoal
A detecção ocorre quando um neutrino colide com um átomo no gelo e produz partículas eletricamente carregadas. Elas emitem um breve clarão azulado, chamado radiação Cherenkov. Os sensores registram esses sinais e permitem aos pesquisadores estimar a energia e reconstruir a direção de chegada da partícula.
Diferentemente dos telescópios tradicionais, que captam luz, o IceCube observa partículas. Como os neutrinos não têm carga elétrica, seus trajetos não são desviados por campos magnéticos. Assim, podem indicar a localização de aceleradores cósmicos, ambientes extremos capazes de produzir partículas com energias muito superiores às alcançadas em laboratórios terrestres.
As descobertas impulsionaram a astronomia de neutrinos, que complementa observações de luz e ondas gravitacionais. O observatório continua funcionando e recebe melhorias para ampliar sua capacidade de detecção, identificar novas fontes dessas partículas e ajudar a compreender os fenômenos mais extremos do Universo.
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Como assistir ao Programa Olhar Espacial
Apresentado por Marcelo Zurita , presidente da Associação Paraibana de Astronomia – APA; membro da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira; diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e coordenador nacional do Asteroid Day Brasil, o programa é transmitido ao vivo, todas as sextas-feiras, às 21h (horário de Brasília), pelos canais oficiais do veículo no YouTube , Facebook , Instagram , X (antigo Twitter) , LinkedIn e TikTok .
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