O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, viajou aos Estados Unidos para participar, nesta sexta-feira (30), de um encontro de chanceleres do G20, que acontece em Atlanta, no estado da Geórgia. No evento, Vieira tem previsto se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
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Ainda não havia previsão sobre a data e horário do encontro entre Vieira e Rubio até a última atualização desta reportagem.
Reunião durante encontro de ministros de Relações Exteiores do G20, em Atlanta, na Geórgia, nos EUA, em 30 de outubro de 2026.
Divergências profundas sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio provavelmente impedirão ações ou declarações unificadas em uma reunião de dois dias dos ministros das Relações Exteriores das 20 maiores economias do mundo, em Atlanta, afirmaram especialistas e diplomatas.
Os EUA, que detêm a presidência rotativa do G20 este ano, têm buscado concentrar a atenção de seus aliados nos desequilíbrios comerciais, ao mesmo tempo em que formam uma coalizão para combater o controle da China sobre minerais essenciais. No entanto, as guerras — e seu impacto econômico — continuam sendo a principal preocupação para muitos membros do G20.
Os EUA não convidaram a África do Sul para a reunião ministerial, que ocorre de 30 a 31 de outubro, enquanto o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, estará presente, o que aumenta as tensões. Até mesmo a tradicional foto de família do G20 causou algumas dores de cabeça, com algumas autoridades europeias sugerindo agora duas fotos separadas — uma com Lavrov e outra sem ele.
Com os membros do G20 — Rússia, China e muitas potências médias, como Brasil e Índia — tentando lidar com a competição estratégica entre EUA e China, há “uma divisão muito maior do que já tivemos”, disse Heidi Crebo-Rediker, que foi economista-chefe do Departamento de Estado dos EUA durante o governo do ex-presidente norte-americano Barack Obama.
Ao longo da última década, os países do G7 pelo menos “chegavam a um acordo sobre uma plataforma coordenada antes de comparecerem ao G20, mas agora nem mesmo isso temos”, acrescentou ela.
Um funcionário do Departamento de Estado disse aos repórteres na quinta-feira que a reunião em Atlanta se concentraria nos desafios relacionados à energia e à cadeia de suprimentos, considerados cruciais para o desenvolvimento da inteligência artificial. O funcionário afirmou que quatro reuniões ministeriais do G20 realizadas este ano alcançaram algum consenso, mas que ainda era necessário mais trabalho antes da cúpula de líderes, que ocorrerá de 14 a 16 de dezembro em Miami.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que está organizando o encontro, tem defendido a iniciativa Pax Silica, que visa unir os países do G20 preocupados com o domínio da China sobre terras raras e outros minerais críticos.
Mas qualquer avanço nessa frente provavelmente ocorrerá posteriormente, afirmaram especialistas, apontando para uma declaração liderada pelos EUA sobre o excesso de capacidade industrial que alguns ministros do Comércio do G20 assinaram depois que o grupo não conseguiu chegar a um consenso.
“Vai ser muito difícil chegar a um acordo completo sobre qualquer uma das questões estratégicas mais amplas que normalmente estariam na pauta”, disse Crebo-Rediker.
Elaine Dezenski, ex-autoridade norte-americana que dirige o Centro de Poder Econômico e Financeiro da Fundação para a Defesa das Democracias, um think tank com sede em Washington, disse que tais declarações de grupos para esta finalidade podem se revelar o caminho a seguir.
“A reunião de Atlanta ocorre em um ambiente de crescente desacordo sobre a ordem econômica global, e o verdadeiro teste é se os EUA conseguirão construir cooperação com seus parceiros quando o consenso entre todos os membros parece estar fora de alcance”, disse ela a repórteres nesta semana. Ela observou que o Quad — um grupo de segurança formado por EUA, Índia, Japão e Austrália — também se reunirá em Atlanta nos próximos dias.

