A defesa do influenciador digital Emerson Freitas (MDB), eleito deputado estadual neste ano, afirmou que ele é inocente e alegou "vazamento seletivo" de informações do caso, em que o crime de extorsão é investigado.
Emerson Freitas está foragido desde a quinta-feira (29), dia em que teve a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Nesta sexta-feira (30), a defesa do deputado eleito fez uma coletiva de imprensa e afirmou que não teve acesso ao processo em que o influenciador é réu.
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O processo em que Emerson Freitas teve a prisão decretada está em segredo de Justiça. Por causa disso, detalhes da suposta extorsão não foram divulgadas. Na decisão, a 15ª Vara Criminal da Capital também aceita denúncia contra uma mulher chamada Rizelly da Silva Santos, que não teve a prisão decretada.
O g1 tentou, mas não conseguiu contato com a defesa de Rizelly da Silva Santos, também citada na denúncia. Também procurou a Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco para obter outras informações sobre o caso, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
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Em entrevista à TV Globo, o advogado criminalista Weryd Simões afirmou que o inquérito contra Emerson Freitas foi aberto porque ele "foi às redes sociais denunciar o crime organizado, denunciar o toque de recolher, denunciar as facções".
"A polícia, em vez de investigar os criminosos responsáveis por esse toque de recolher, começou a investigar o próprio Emerson, alegando ter feito uma análise, uma perícia num aparelho celular. Esse aparelho celular pertence a uma pessoa falecida, que não podia ter autorizado a análise desse aparelho celular. Num segundo aspecto, esse aparelho celular podia sim ser periciado por autorização judicial. Não consta dos documentos que nós tivemos acesso nenhuma autorização judicial para que esse aparelho fosse periciado", alegou o advogado, sem dar detalhes de quem seria a pessoa dona do celular periciado.
A coletiva de imprensa e que o advogado falou sobre o caso ocorreu no Alto do Mandu, na Zona Norte da capital. No local, havia viaturas do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil, e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Polícia Militar, para tentar capturar o influenciador foragido.
Segundo Weryd Simões, a campana é realizada "na casa de um dos eleitores" de Emerson Freitas.
"Emerson não está nessa residência, que é a casa de um eleitor. A comunidade assustada, a vizinhança, com essa escolta policial aqui há mais de 24 horas. Agora, fato importante, por que Emerson não teve oportunidade de ser ouvido? Por que não foi dado acesso à defesa de Emerson a tudo que tem nesse inquérito policial?", questionou o advogado.
O advogado também afirmou que:
o mandado de prisão preventiva foi expedido às 14h10 da quinta-feira (29);
o inquérito foi instaurado no mês de julho deste ano, é composto por prints de Instagram e do WhatsApp, e não tem relação com a campanha política do deputado;
houve o vazamento seletivo de informações sigilosas da decisão judicial;
desde quinta-feira (29), solicitou acesso à decisão judicial, mas teve o pedido negado, e alegou que não pode realizar a defesa sem ter conhecimento amplo das acusações;
No inquérito, Emerson se colocou à disposição da Justiça, foi qualificado, interrogado, informou o telefone e o próprio endereço, que não é o que está cercado por policiais;
uma "eleitora" do deputado foi chamada para testemunhar sobre o caso e, posteriormente, tornou-se investigada;
existe um conflito jurídico ao tornar a eleitora testemunha e investigada.
Questionado se Emerson Freitas vai se entregar à polícia, Weryd Simões disse que ele "vai cumprir a decisão judicial assim que tiver acesso" e que "é impossível cumprir uma decisão judicial que nós não tomamos conhecimento".
Relembre o caso
A 15ª Vara Criminal da Capital, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), decretou a prisão preventiva de Emerson Freitas na quinta-feira (29). No documento expedido pela Justiça, consta:
a ordem judicial indica o artigo 158 do Código Penal, que trata do crime de extorsão;
o pedido de prisão preventiva assinado pelo magistrado Abérides Nicéas de Albuquerque Filho;
que a Justiça aceitou denúncia do Ministério Público contra Emerson Freitas e contra Rizelly da Silva Santos, mas não detalha a participação dos envolvidos no esquema de extorsão;
a necessidade de manutenção da prisão cautelar seja reavaliada em 90 dias.
Procurado pelo g1, o diretório estadual do MDB afirmou que "acompanhará o caso e aguardará os esclarecimentos das autoridades competentes, reafirmando seu respeito ao devido processo legal, ao amplo direito de defesa e à presunção de inocência".
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