A convocação de Allan Elias para a Seleção Brasileira principal, anunciada por Carlo Ancelotti nesta quinta-feira, foi motivo de muita comemoração em Florianópolis. Aos 22 anos, o atacante do Manchester City realiza um sonho que começou ainda na infância, quando o futebol já fazia parte da rotina de toda a família.
Ao ge, os avós maternos Paulo Duarte e Rosângela Maria Costa relembraram os primeiros passos do neto, a ligação dos familiares com o esporte e as dificuldades enfrentadas até a chegada ao futebol profissional.
Avós de Allan Elias: Rosângela Maria Costa e Paulo Duarte
Carlos Rauen / NSC TV
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A notícia da convocação chegou aos avós por uma ligação de Fabrício Elias, pai do jogador. Os dois estavam assistindo à televisão quando receberam a confirmação. Para Rosângela, a emoção foi tão grande que a noite seguinte acabou sendo de pouco sono.
— Nem dormi direito essa noite. Ontem a felicidade foi tanta, tanta, tanta! A gente já esperava, mas a felicidade foi tanta que só tenho a agradecer a Deus. Ah, meu Deus do céu! A alegria foi demais, foi demais! Não conseguia nem respirar — contou a avó.
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O sentimento também foi compartilhado pelo avô. Paulo revelou que a família já alimentava a expectativa de ver Allan entre os convocados e que chegou a acreditar que a oportunidade surgiria antes. O primeiro contato com o neto foi por mensagem de áudio, mas a resposta ainda não havia chegado por conta da diferença de horário e das comemorações.
— Ele é muito merecedor, merece mesmo, né? Pelo futebol que ele vem jogando. Ele vem apresentando um belo futebol desde o ano passado. Então, a gente já estava na expectativa de que viesse essa convocação — afirmou Paulo.
Futebol de família: da avó lateral-esquerda ao neto na Seleção
O futebol não começou com Allan na família. Rosângela também teve sua experiência dentro das quatro linhas. Durante a adolescência, jogou por aproximadamente quatro anos no futebol amador, em Florianópolis, ao lado da irmã. A trajetória terminou depois que a irmã sofreu uma fratura na clavícula e ela decidiu abandonar o esporte por medo de passar pela mesma situação.
— Eu era lateral-esquerda e gostava de atacar. Até dava dicas para o Allan, mas ele sempre falava: "Eu sei, eu sei, vó!" — relembrou, aos risos.
Elias, avô paterno de Allan também jogava futebol
O pai de Allan também tinha talento para o futebol. Segundo o avô Paulo, Fabrício chegou a receber um convite para se tornar jogador profissional, mas precisou abrir mão da oportunidade por questões familiares. O irmão do atacante também seguiu no esporte, embora sem alcançar a mesma projeção.
— Tá no sangue. Tá no sangue, sim, do avô, do pai, da avó, né? Do próprio irmão também. O irmão dele também joga bastante, é muito bom também. Só que o Allan foi o único da família que se dedicou mesmo para isso — explicou.
Pais de Allan comemorando título da Superliga Biguaçuense do Galáticos FC, com Alisson, irmão de Allan
A relação com a bola era evidente desde pequeno. Nascido em Florianópolis e criado na comunidade da Vila Aparecida, na região continental da capital catarinense, onde o irmão, Alisson, comemorou a convocação (confira no vídeo acima), Allan não demonstrava o mesmo interesse das outras crianças por brinquedos e brincadeiras.
— Sempre focado no futebol, ele sempre atrás da bola. Não pegava uma bicicleta, não pegava uma pipa. Os outros tudo na pipa, na bicicleta, e ele só queria saber de bola. A gente ia passear todo final de semana e ele ia com aquela bolinha dele: 'Vamos, mano! Vamos, mano!', chamando o irmão para jogar bola — contou Rosângela.
A falta de passagem de ônibus que o levou ao Figueirense
Os primeiros contatos com o futebol organizado aconteceram no futsal, aos sete anos, pelo 12 de Agosto, de Florianópolis. Allan também passou pela AABB, onde chamou a atenção dos professores pela habilidade.
— O Fábio (treinador) chamou a mim e ao pai dele. Disse que o Allan era muito diferenciado dos outros garotos. O guri era mesmo diferenciado. Então, ele disse que a gente procurasse a base de um time profissional para ele pegar mais experiência no futebol, para ele poder se destacar — disse o avô.
Quadros de Allan na época de Figueirense e Palmeiras, pendurados na parede dos avós
Carlos Rauen / NSC TV
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A orientação levou a família a procurar um dos grandes clubes de Florianópolis. E, antes de vestir a camisa do Figueirense, Allan poderia ter iniciado a trajetória no rival Avaí. O problema não estava dentro de campo, mas no deslocamento entre a casa da família na região continental, e o local dos treinamentos, no Sul da Ilha.
— A gente procurou o Avaí naquele momento, mas não deu porque era lá do outro lado da Ilha. O clube não dava passagem e a gente não tinha condições. Aí preferimos procurar a base do Figueirense — revelou Paulo.
Allan Elias na época de base do Figueirense; jovem foi vendido pelo Palmeiras ao City
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A escolha pelo clube do Estreito foi determinante para a carreira do atacante. Nas categorias de base do Figueirense, Allan conquistou títulos e começou a ganhar projeção. Foi também onde dividiu o campo com Vitor Isaías, o Vitinho, amigo que posteriormente se transferiu para o Flamengo e morreu no incêndio do Ninho do Urubu, em 2019.
Ainda com a camisa alvinegra, o jogador recebeu sua primeira oportunidade na Seleção Brasileira Sub-15. Aos 14 anos de idade participou de um período de atividades na Granja Comary, incluindo um jogo-treino contra o Botafogo, mas uma lesão na coxa interrompeu a passagem naquele momento.
O talento demonstrado na base chamou a atenção do Palmeiras, que contratou Allan em 2019. Naquele ano, os pais Fabrício e Débora deixaram seus empregos em Florianópolis e se mudaram para São Paulo para acompanhar a carreira do filho.
Allan Elias ao lado dos pais, Débora e Fabrício, após conquista do Brasileirão Sub-20
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A caminhada também foi marcada por dificuldades. Antes da mudança, a família havia perdido praticamente tudo em um incêndio que atingiu a casa onde morava na Vila Aparecida. Anos depois, Allan enfrentou a morte da irmã Letícia, vítima da Covid-19, e do amigo de infância Gustavo Paco, em um acidente de trânsito. A irmã é homenageada pelo jogador com um gesto de "L" nas comemorações de seus gols.
— A insistência dele é o principal, e a família também esteve junto. Porque eu acho que um grande atleta tem que estar ao lado da família, e a família apoiando, né? Então, o que faz o atleta crescer é a família. A família é tudo nesse momento — afirmou o avô.
Allan Elias na época de base pelo Figueirense
A trajetória no Palmeiras
Depois de passar pelas categorias de base do Palmeiras, Allan chegou ao elenco profissional em 2025. Um dos momentos mais marcantes daquela temporada foi o primeiro gol, de cabeça, na vitória por 3 a 2 contra o Mirassol, que garantiu a classificação da equipe às quartas de final do Campeonato Paulista. A lembrança segue viva para o avô, assim como a atuação na goleada por 4 a 0 sobre a LDU, na semifinal da Libertadores do mesmo ano.
Naquela partida, Allan participou diretamente de dois gols. Deu a assistência para Ramón Sosa abrir o placar e sofreu o pênalti convertido por Raphael Veiga, responsável pelo quarto gol e pela classificação à final.
— Cara, aquilo ali até hoje! Eu já falei para ele: de onde ele foi buscar aquele tipo de jogada? Aquilo ali não sai da minha mente. Como é que ele conseguiu fazer aquele tipo de jogada, passar no meio de dois jogadores?
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O desempenho no Palmeiras levou Allan ao Manchester City em agosto de 2026, em uma transferência de 40 milhões de euros (aproximadamente R$ 240 milhões). A estreia pelo clube inglês também teve participação decisiva: um gol e uma assistência na vitória por 5 a 0 contra o Norwich City, pela Copa da Liga Inglesa, em outubro.
Agora, o atacante terá a oportunidade de repetir o início positivo com a camisa da Seleção Brasileira principal. Allan foi um dos cinco estreantes chamados por Carlo Ancelotti para os amistosos contra Japão, no dia 14 de novembro, e Singapura, no dia 17. As duas partidas serão realizadas no Estádio Nacional de Singapura.
— A única coisa que eu rezo e espero é que ele tenha uma boa estreia, que seja como a estreia que ele teve agora no Manchester City. Que faça uma estreia com gol ou com assistência, porque ele é bom para isso mesmo — desejou o avô.
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