A manobra de publicidade, projetada para se consolidar como o maior lançamento fonográfico da história digital, rapidamente provocou desconforto generalizado. O que a diretoria da companhia planejou como um presente exclusivo para a base de consumidores transformou a distribuição digital em uma crise pública de imagem.
Como a Igreja e a tragédia moldaram o som inicial do U2
Bono revela que tem medo de encontrar Rosalía após escrever música em sua homenagem: ‘Estou juntando coragem’
A briga de décadas entre os Beatles e Steve Jobs que rendeu o bipe mais ‘debochado’ do Mac
Por que a Apple colocou o álbum do U2 de graça no celular?
A Apple adquiriu os direitos comerciais de distribuição de Songs of Innocence (2014) para promover novos aparelhos e valorizar o iTunes. A empresa pagou ao U2 cerca de 100 milhões de dólares em marketing e royalties, inserindo o arquivo sonoro na nuvem de meio bilhão de usuários.
A iniciativa partiu do vocalista Bono , que apresentou o plano comercial ao presidente-executivo Tim Cook . O cantor sugeriu que a multinacional comprasse o projeto e entregasse as faixas gratuitamente, comparando a entrega à distribuição rotineira de jornais matinais. Posteriormente, em depoimentos biográficos registrados na obra Surrender: 40 Songs, One Story (2022), o músico assumiu a total responsabilidade pelo erro de julgamento ao forçar a entrada do trabalho fonográfico na rotina das pessoas.
Como a reação dos usuários forçou a criação de ferramenta de remoção
O público encarou o download automático como uma intromissão agressiva, já que o disco ocupou espaço de armazenamento precioso em aparelhos com memória limitada. Milhares de relatos questionaram a segurança do ecossistema diante do surgimento repentino da faixa de abertura “The Miracle (of Joey Ramone)” nas listas de reprodução diárias.
A pressão dos clientes exigiu soluções tecnológicas urgentes para conter os protestos mundiais:
criação de uma página web exclusiva para deletar o álbum do histórico da conta com um clique;
publicação de pedidos públicos de desculpas por parte dos integrantes da banda irlandesa.
A relação entre os artistas e a fabricante havia começado anos antes, em 2004, com a criação do tocador digital iPod temático com as assinaturas dos membros gravadas na traseira. O resultado controverso da ação de 2014 marcou uma virada definitiva no modelo de negócios da indústria da música, encerrando a prática de downloads não solicitados nos ecossistemas móveis.
O post Por que a Apple colocou o álbum do U2 de graça em todo iPhone apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil .

