FLO é uma das atrações do Afropunk Brasil 2026 , que ocorre nos dias 7 e 8 de novembro no Parque de Exposições Salvador, na cidade de Salvador. O trio se apresenta no primeiro dia do festival, dividindo o topo da programação com a cantora britânica Jorja Smith . Ingressos estão disponíveis via IDW Tickets .
Em entrevista à Rolling Stone Brasil , as integrantes do grupo mostraram muito entusiasmo pela ideia de tocar no país. Segundo Stella Quaresma, o desejo de vir é bem antigo:
“Todo ano, eu me lembro de a gente perguntando: ‘Quando vamos fazer um show no Brasil? Quando vamos fazer um show no Brasil este ano? Será que vamos conseguir?’ E finalmente conseguimos. Foi uma longa jornada para nós também. E estamos muito animadas.”
Grande parte dessa motivação envolve o público brasileiro. Segundo Renée Downer, o carinho contínuo dos fãs daqui desde o começo da carreira não passou despercebido:
“Imaginávamos que, depois de tanto tempo, o entusiasmo pudesse diminuir. Mas, na verdade, aconteceu o contrário. Tornou-se mais presente, mais forte. Estamos muito animadas para compartilhar nosso… não quero dizer talento, mas nossos esforços. Estamos muito animadas para compartilhar nossos esforços com vocês.”
FLO (Foto: divulgação)
Disco de platina
O FLO está no meio de uma onda de sucesso no Brasil graças ao hit “Leak It” , primeiro single do seu álbum mais recente, Therapy at the Club , lançado em agosto último. A música já ganhou certificação de platina no país, algo que parece surreal para Renée Downer:
“É realmente incrível ver nossa música alcançar patamares mais altos em outros lugares do que onde estamos agora. E isso nos faz sentir, eu acho, mais conectados a eles e mais como se fôssemos uma família.”
Stella Quaresma ecoou essa incredulidade positiva ao reforçar que elas nunca se apresentaram no país antes. Vindas do Reino Unido, as três estão acostumadas a um mercado de alto contato com o público:
“É incrível como alguém, como a Jorja disse, que nunca nos viu pessoalmente, gosta tanto de nós. Eu sinto que quando vamos a algum lugar, temos a impressão de que nossa música é popular lá porque eles já nos viram ao vivo. Já nos ouviram cantar ao vivo. Já os conhecemos. Já estiveram conosco pessoalmente. Mas não estiveram. Então, isso é ainda mais louco. E é muito emocionante.”
Sobre o festival em si no qual o conjunto vai se apresentar, as integrantes do FLO não pouparam elogios às outras artistas internacionais na programação. Além da já mencionada Jorja Smith — com quem o grupo toca no primeiro dia do evento —, a outra data do Afropunk Brasil terá como headliners as cantoras americanas Kehlani e Kelela .
O fato de os principais nomes do lineup serem todos de mulheres — e nenhuma delas branca — é algo que deixa Jorja Douglas bem emocionada:
“Em primeiro lugar, há outras três mulheres, lindas mulheres negras, o que torna o festival muito especial. Em muitos festivais que fazemos, geralmente há uma atração principal muito importante, normalmente branca. E às vezes somos apenas a última atração, sem muita importância. Mas neste festival, todas as atrações principais são mulheres negras, o que é algo muito gratificante, e elas também são uma inspiração para nós. Então, na verdade, é meio surreal estarmos no mesmo nível que elas.”
A empolgação não termina nos nomes internacionais. Apesar de não estarem tão familiarizadas com música brasileira, as integrantes estão a fim de formar laços com artistas daqui, como Renée Downer afirmou:
“Estamos muito animadas para ver artistas brasileiros de perto, assistir a algumas apresentações, conhecer um pouco da cultura e talvez fazer alguns amigos brasileiros, alguns amigos artistas.”
Veja o lineup abaixo:
Sábado — 7 de novembro
Domingo — 8 de novembro
Criolo (canta Nó na Orelha)
Quanto ao show do FLO em si, o plano é recompensar o público brasileiro pela espera e o apoio contínuo ao longo dos anos. Para exemplificar, o grupo mencionou uma turnê recente pela Ásia na qual fizeram um set com várias músicas mais antigas, mas ainda construído em torno de Therapy at the Club . Downer até brincou sobre enquetes de fãs para escolher canções raras do setlist:
“Algumas estão na lista, outras não, mas não dá para agradar a todos. Vai ser ótimo.”
FLO (Foto: divulgação)
Therapy at the Club não é um sucesso apenas no Brasil. O álbum manteve o êxito do disco de estreia do grupo, Access All Areas (2024), ao mesmo tempo em que investiu em uma sonoridade mais experimental. Segundo Renée Downer, isso veio de um desejo das integrantes de tomar mais controle sobre a direção criativa do grupo:
“Estávamos experimentando e tentando nos tornar mais protagonistas na discografia do FLO. Realmente nos entregamos à música ainda mais profundamente do que antes. Acho que as pessoas percebem isso e respeitam o fato de termos dedicado tempo para experimentar e explorar. E há tantas músicas com as quais as pessoas se identificam.”
Apesar disso, é evidente na conversa que as três ainda não estão completamente satisfeitas. Stella Quaresma reconheceu uma insatisfação. Therapy at the Club atingiu o 5º lugar nas paradas britânicas, enquanto Access All Areas chegou à 3ª posição. Nos Estados Unidos, o novo trabalho ficou em 22º nas paradas especializadas em R&B, enquanto o antecessor foi 20º. Ótimas marcas, mas as integrantes obviamente queriam mais.
Mesmo assim, a integrante demonstrou gratidão pelo impacto do álbum no público:
“Sempre temos grandes expectativas e nossos objetivos são altíssimos. Então, em alguns aspectos, não atingiu exatamente o que esperávamos. Mas, para nós, foi um grande avanço. E é incrível ver como nos surpreendemos com certas pessoas e suas músicas favoritas. Algumas músicas realmente significam muito para elas. E essa é, na verdade, a maior conquista. Se as músicas significam algo para alguém e essa pessoa quer dançar ou chorar ao som delas, é exatamente por isso que as criamos.”
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