# Democratas questionam papel de Trump em fuga de Flávio do Brasil

- Seção: Política
- Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-internacional/democratas-questionam-papel-de-trump-em-fuga-de-flavio-do-brasil/)
- Publicado em: 2026-10-30T16:28:47.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1436923-democratas-questionam-papel-de-trump-em-fuga-de-flavio-do-brasil

> Deputados democratas dos EUA enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, nesta 6ª feira (30.out.2026) para questionar o papel do governo de Donald Trump (Partido Republicano) na fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil e na…

O documento foi assinado por 25 congressistas democratas da Câmara dos Representantes e tem como líderes as deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus. Entre os signatários estão integrantes do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, órgão que já havia criticado publicamente o asilo concedido ao senador brasileiro. Leia a íntegra da carta, em inglês (PDF – 3 MB).

O grupo questiona se o governo norte-americano estava ciente das investigações criminais às quais Flávio Bolsonaro estava submetido no Brasil antes de facilitar sua entrada no país. Os congressistas também pedem esclarecimentos sobre se as autoridades tinham conhecimento da ordem do STF que impedia o senador de sair do território brasileiro e determinava a entrega de seus passaportes.

A imprensa norte-americana ainda afirma que o governo Trump teria custeado o voo em jatinho particular que levou Flávio e sua família à Flórida.

&#8220;A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da suposta restrição judicial brasileira à sua saída?&#8221; , afirma a carta. O documento acrescenta que &#8220;o povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em compreender se recursos diplomáticos e de imigração dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias.&#8221;

Flávio Bolsonaro , sua mulher e as duas filhas adolescentes do casal fugiram do Brasil por se sentirem ameaçados por eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal expediu um pedido de apreensão do passaporte de Flávio só 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial , às 21h09 de 25 de outubro de 2026 –o vencedor foi Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio.

O magistrado avalizou o pedido da PF para apreender os documentos de Flávio e proibi-lo de sair do país. Leia a linha do tempo do caso aqui .

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), disse na 4ª feira (28.out.2026) que aprovaria a entrada de Flávio Bolsonaro no país , mas afirmou que não pretendia se envolver no caso. Também classificou a eleição brasileira como “muito estranha” e disse considerar que o senador e sua família foram tratados de maneira injusta.

Na 5ª feira (29.out), o jornal norte-americano The New York Times informou que Jason Miller, assessor de Trump, ajudou Flávio a deixar o Brasil e entrar nos Estados Unidos . Segundo a reportagem, Miller providenciou o jato particular que transportou o senador da Argentina até Miami, com escala no Equador. O governo norte-americano autorizou a entrada de Flávio e de seus familiares no país.

No mesmo dia, Trump afirmou que não tomou partido na eleição brasileira a pedido de Lula . O republicano voltou a criticar o pleito, que classificou como uma “vergonha” , sem apresentar provas de irregularidades. Questionado por jornalistas, evitou dizer se reconheceria a vitória do petista e afirmou que ainda conversaria com o presidente brasileiro.

Questionamento sobre vistos

Os congressistas também pedem detalhes sobre o processo de concessão de vistos à família Bolsonaro. Uma consulta ao sistema CBP (U.S. Customs and Border Protection), a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, indica que Flávio recebeu autorização para permanecer no país por 1 ano.

O documento questiona diretamente a legalidade da decisão. &#8220;Qual foi a base legal para a emissão ou aprovação de vistos para o senador Bolsonaro e sua família? Quais categorias de visto e critérios de elegibilidade foram considerados, e o Departamento levou em conta as investigações criminais em andamento envolvendo o senador Bolsonaro ao tomar essa decisão?&#8221; , indaga a carta enviada ao Departamento de Estado norte-americano.

Eis a tradução da carta do deputados democratas, em português:

&#8220;Prezado secretário Rubio,

&#8220;Escrevemos para solicitar esclarecimentos imediatos sobre o papel do Departamento de Estado, caso tenha havido algum, na facilitação da saída do senador brasileiro Flávio Bolsonaro do Brasil e de sua entrada nos Estados Unidos, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal brasileiro que restringiu suas viagens internacionais.

&#8220;Segundo reportagem publicada em 27 de outubro de 2026, o senador Bolsonaro teria deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos depois de perder a eleição presidencial brasileira e de não cumprir uma ordem judicial que exigia a entrega de seus passaportes. A referida decisão teria sido proferida no âmbito de uma investigação criminal envolvendo o senador por suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades financeiras relacionadas.

&#8220;É particularmente preocupante que, segundo reportagens, um alto funcionário do Departamento de Estado tenha declarado que os Estados Unidos concederiam vistos ao senador Bolsonaro e a seus familiares, permitindo sua entrada no país. Outras reportagens levantaram dúvidas sobre se autoridades norte-americanas tinham conhecimento dos preparativos para sua saída ou participaram deles.

&#8220;Esses acontecimentos levantam questões importantes sobre o processo de tomada de decisões do Departamento de Estado, seu conhecimento da ordem judicial brasileira e a possibilidade de funcionários do governo dos Estados Unidos terem prestado assistência antes ou depois da emissão dessa ordem.

&#8220;A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília ou qualquer outro órgão do governo norte-americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da restrição judicial brasileira à sua saída?

&#8220;Caso essa assistência tenha ocorrido, o Congresso precisa compreender que tipo de ajuda foi prestada, quem a autorizou, quando ocorreu e quais informações estavam disponíveis às autoridades norte-americanas naquele momento.

&#8220;Diante disso, solicitamos respostas por escrito às seguintes perguntas:

&#8220;Perguntas encaminhadas ao Departamento de Estado

&#8220;1. Quando o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília ou qualquer outra missão diplomática norte-americana tomou conhecimento, pela primeira vez, de que o Supremo Tribunal Federal brasileiro havia determinado que o senador Bolsonaro entregasse seus passaportes e restringido sua possibilidade de deixar o Brasil?

&#8220;2. Alguma autoridade do governo dos Estados Unidos recebeu, examinou ou discutiu uma cópia da decisão judicial antes da suposta saída do senador Bolsonaro do Brasil?

&#8220;3. Antes de autorizar ou facilitar qualquer visto ou providência relacionada à viagem, o Departamento de Estado verificou se o senador Bolsonaro tinha autorização legal para deixar o Brasil?

&#8220;4. O Departamento de Estado sabia que o senador Bolsonaro supostamente havia descumprido o prazo estabelecido pela Justiça para entregar seus passaportes? Em caso afirmativo, quando tomou conhecimento desse descumprimento e quais providências foram adotadas, se houve alguma?

&#8220;5. O Departamento de Estado emitiu, aprovou, acelerou, renovou ou facilitou de alguma outra forma a concessão de visto ao senador Bolsonaro ou a qualquer integrante de sua família durante este período eleitoral?

&#8220;6. Segundo reportagens, um alto funcionário do Departamento de Estado declarou que o órgão concederia vistos ao senador Bolsonaro e a seus familiares e permitiria sua entrada nos Estados Unidos. Quem autorizou essa decisão?

&#8220;7. Os vistos foram aprovados ou outras providências migratórias foram tomadas antes de o Departamento de Estado tomar conhecimento da decisão judicial brasileira? Em caso afirmativo, o Departamento reconsiderou, suspendeu ou reavaliou essas providências depois de tomar conhecimento da decisão?

&#8220;8. Algum funcionário do Departamento de Estado, da Embaixada dos Estados Unidos, da Casa Branca ou outro representante do governo norte-americano se comunicou, direta ou indiretamente, com o senador Bolsonaro, seus familiares, advogados, assessores políticos ou intermediários sobre sua viagem aos Estados Unidos?

&#8220;9. Alguma autoridade do governo dos Estados Unidos prestou assistência na organização de voos, documentação de viagem, transporte, acesso a aeroportos, agendamentos consulares, planejamento da entrada no país ou outras providências logísticas relacionadas à suposta saída ou chegada do senador Bolsonaro?

&#8220;10. O Departamento de Estado coordenou ações com o Departamento de Segurança Interna, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos ou qualquer outro órgão federal em relação à chegada prevista do senador Bolsonaro? Em caso afirmativo, descreva a natureza e o momento dessa coordenação.

&#8220;11. O Departamento de Estado consultou o Departamento de Justiça ou qualquer outro órgão federal sobre as implicações de facilitar a entrada de uma figura política estrangeira que supostamente deixou seu país em violação de uma ordem judicial?

&#8220;12. O Departamento de Estado considerou as possíveis consequências diplomáticas para as relações entre Estados Unidos e Brasil, incluindo a possibilidade de que a assistência ao senador Bolsonaro fosse interpretada como interferência em processos judiciais brasileiros ou em assuntos políticos internos do Brasil?

&#8220;13. O Departamento de Estado recebeu alguma solicitação das autoridades brasileiras relacionada à localização do senador Bolsonaro, à situação de sua viagem ou à possível entrada nos Estados Unidos? Em caso afirmativo, como o Departamento respondeu?

&#8220;14. Qual foi a base legal para emitir ou aprovar vistos ao senador Bolsonaro e a seus familiares? Quais categorias de visto e critérios de elegibilidade foram considerados? O Departamento avaliou as investigações criminais em andamento envolvendo o senador Bolsonaro ao tomar essa decisão?

&#8220;15. Alguma autoridade do governo dos Estados Unidos lotada na Argentina ou no Equador coordenou com o senador Bolsonaro seu itinerário de viagem?

&#8220;Prazo para resposta

&#8220;Diante das importantes questões levantadas por essas reportagens, solicitamos uma resposta por escrito às perguntas anteriores até 13 de novembro de 2026.

&#8220;Solicitamos também que o Departamento de Estado disponibilize as autoridades competentes para uma reunião informativa com assessores do Congresso dentro desse mesmo prazo.

&#8220;O povo norte-americano e o Congresso têm legítimo interesse em exercer sua função de fiscalização para compreender se recursos diplomáticos e migratórios dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias.

&#8220;A transparência é particularmente importante quando os acontecimentos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação coerente das políticas migratórias e diplomáticas dos Estados Unidos.

&#8220;Aguardamos uma resposta rápida e completa.

Integrante da Câmara dos Representantes

Integrante da Câmara dos Representantes

Integrante da Câmara dos Representantes

&#8220;Glenn F. Ivey

Integrante da Câmara dos Representantes

Integrante da Câmara dos Representantes

&#8220;Jonathan L. Jackson

Integrante da Câmara dos Representantes&#8221;

Reportagem completa: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/democratas-questionam-papel-de-trump-em-fuga-de-flavio-do-brasil/

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