# Após eleição, o que mudou na tese de petroleiras? Petrobras e PRIO são as preferidas

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/mercados/apos-eleicao-o-que-mudou-na-tese-de-petroleiras-petrobras-e-prio-sao-as-preferidas/)
- Publicado em: 2026-10-30T17:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1437281-apos-eleicao-o-que-mudou-na-tese-de-petroleiras-petrobras-e-prio-sao-as

> Com dólar mais forte, petróleo elevado e incertezas sobre política energética, analistas seguem otimistas com produtoras de óleo, enquanto distribuidoras são vistas como apostas mais defensivas

A forte volatilidade observada nos mercados após as eleições redirecionou o foco dos investidores para um grupo reduzido de vencedoras na Bolsa brasileira, e poucas teses aparecem de forma tão recorrente nos relatórios quanto as do setor de petróleo e gás.

Entre as principais casas de análise, o consenso é que produtoras de petróleo continuam oferecendo uma das combinações mais atraentes de geração de caixa, dividendos e proteção cambial do mercado brasileiro. Nesse cenário, Petrobras ( PETR3 ; PETR4 ) e PRIO ( PRIO3 ) surgem como as principais recomendações do setor, mantendo as preferências pré-eleitorais.

Segundo o Itaú BBA, a Petrobras continua sendo sua principal escolha no segmento mesmo após a forte correção das ações na segunda-feira pós-eleição . O banco avalia que o caso de investimento volta a ficar ancorado principalmente nos fundamentos operacionais, especialmente crescimento da produção, política de preços dos combustíveis e evolução do mercado global de petróleo. A instituição calcula que a companhia oferece rendimento de fluxo de caixa livre ao acionista ( FCFE yield ) de cerca de 32% para 2027, considerando Brent próximo de US$ 95 por barril.

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A visão é semelhante no Goldman Sachs, que mantém recomendação de compra para Petrobras. O banco estima que a estatal pode entregar yield de fluxo de caixa livre de aproximadamente 15% em 2027 e dividend yield próximo de 20%, beneficiada pela expansão da produção no pré-sal, receitas dolarizadas e ausência de mudanças relevantes esperadas em sua política de dividendos.

Produção fortalece a tese da Petrobras

Além do cenário macroeconômico, os últimos dados operacionais reforçaram o otimismo dos analistas.

O BTG Pactual projeta EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) próximo de US$ 19 bilhões para o terceiro trimestre de 2026, apoiado pela produção recorde de petróleo, que alcançou cerca de 2,83 milhões de barris por dia, e por exportações também recordes. A casa espera ainda dividendos de aproximadamente US$ 3,6 bilhões referentes ao período.

O banco destaca que o crescimento da produção continua sendo impulsionado pelo ramp-up das plataformas P-78 e P-79 em Búzios e pelo FPSO Alexandre de Gusmão, em Mero, além do aumento da eficiência operacional. Para os analistas, esse desempenho aumenta as chances de revisões para cima nas projeções de produção ao longo dos próximos anos.

A tese também ganhou força após o enfraquecimento do real uma vez que, como a maior parte das receitas da Petrobras é denominada em dólar, enquanto parcela relevante dos custos permanece em reais, a desvalorização cambial funciona como um importante impulso para a geração de caixa.

O Bradesco BBI aponta que a conclusão do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil traz um cenário provável de juros mais altos por mais tempo, exigindo uma postura mais defensiva na alocação do setor de Petróleo e Gás. Petrobras segue como favorita do banco.

&#8220;Vemos a troca de posições mais sensíveis a juros, como Cosan ( CSAN3 ) e Compass ( PASS3 ), por empresas mais resilientes e ligadas ao crescimento do PIB doméstico, como Vibra Energia e Ultrapar, como um movimento estratégico. Além disso, o combate contínuo à informalidade de combustíveis reforça a perspectiva positiva para as distribuidoras. A Petrobras segue como a principal escolha do setor devido aos seus sólidos fundamentos operacionais e resiliência&#8221;, destaca o BBI.

PRIO ganha espaço como aposta mais pura em petróleo

Se Petrobras permanece favorita para investidores de longo prazo, vários analistas veem a PRIO como uma das ações com maior potencial de desempenho relativo no curto prazo.

O Itaú BBA avalia que a companhia possui menor exposição aos riscos políticos e macroeconômicos domésticos, funcionando como uma aposta mais direta na alta do petróleo. Segundo o banco, a empresa oferece FCFE yield próximo de 34% para 2027.

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O Goldman Sachs segue a mesma linha uma vez que, como praticamente 100% da produção da companhia é exportada, o banco vê a PRIO como uma das maiores beneficiárias de um real mais fraco. Além disso, o fato de a Petrobras não dever retomar seu programa de venda de ativos reduz oportunidades de aquisições, mas aumenta o potencial de distribuição de dividendos. O Goldman estima dividend yield próximo de 20% para a empresa em 2027.

Combustíveis e preços seguem no radar

Um dos principais temas acompanhados pelos investidores continua sendo a política de preços da Petrobras. O Itaú BBA calcula que os preços domésticos do diesel estão abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina também apresenta defasagem, aumentando a expectativa por reajustes.

Já o Goldman Sachs avalia que a reeleição do atual governo não deve provocar mudanças significativas no modelo de precificação da companhia. O banco argumenta que o estatuto da Petrobras e a legislação vigente continuam funcionando como barreiras contra interferências diretas mais profundas na política comercial da estatal.

O mercado, porém, segue monitorando temas como subsídios aos combustíveis, possíveis renovações do imposto sobre exportação de petróleo e discussões sobre uma eventual volta da Petrobras ao segmento de distribuição de combustíveis.

E as distribuidoras?

Enquanto produtoras concentram as recomendações de compra, as distribuidoras ocupam posição intermediária nas preferências dos analistas. O Itaú BBA avalia que Vibra ( VBBR3 ) e Ultrapar ( UGPA3 ) podem funcionar como alternativas mais defensivas em um ambiente de margens relativamente estáveis e subsídios que sustentam a competitividade do setor. As ações negociam entre 7 e 9 vezes o lucro projetado para 2027.

O Goldman Sachs, por sua vez, mantém recomendação neutra para ambas. O banco acredita que as distribuidoras continuam expostas a um cenário de crescimento mais fraco da economia brasileira e vê potencial de normalização das margens nos próximos trimestres.

Assim, os bancos concentram as suas avaliações nas produtoras de petróleo. Petrobras aparece como a principal escolha para quem busca uma combinação de dividendos elevados, crescimento da produção e valuation descontado. Já PRIO surge como a aposta mais alavancada ao petróleo e ao dólar, com potencial de forte geração de caixa e remuneração aos acionistas.

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