# Nova regra eleitoral pode mudar força de candidatos como Nikolas e Pavanato

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/politica/nova-regra-eleitoral-pode-mudar-forca-de-candidatos-como-nikolas-e-pavanato/)
- Publicado em: 2026-10-30T17:00:00.000Z
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> O crescimento do PL nas eleições de 2026 colocou uma antiga proposta de reforma política de volta à discussão no Congresso. Lideranças do Centrão começaram a avaliar a adoção do voto distrital misto, sistema que mudaria a maneira como os…

A discussão ganhou força depois que nomes como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato conquistaram milhões de votos e contribuíram para ampliar a bancada do PL. Pelo modelo proporcional de lista aberta, utilizado atualmente no Brasil, os votos recebidos por um candidato ajudam a determinar o número de cadeiras conquistadas por sua legenda.

Em entrevista ao Mapa de Risco , programa de política do InfoMoney , o cientista político Ivan Fernandes, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), afirmou que propostas de mudança nas regras eleitorais costumam ganhar espaço quando partidos percebem riscos à manutenção de seu poder.

“Toda vez que você tem uma tensão política, isso acontece. Quem vê que está perdendo apoio pensa em novas regras”, afirmou.

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A proposta discutida por lideranças partidárias prevê uma transição em 2030 e a adoção do voto distrital misto em 2034. As conversas, porém, ainda estão em estágio inicial, sem um modelo definitivo.

Como funcionaria o voto distrital misto?

Atualmente, o eleitor brasileiro escolhe um candidato a deputado federal, mas o resultado depende também da votação total recebida pelo partido ou federação.

Isso permite que candidatos com grande votação ajudem a eleger outros integrantes da mesma legenda, desde que sejam cumpridas as exigências individuais e partidárias previstas na legislação.

No sistema distrital misto, parte dos deputados seria escolhida em distritos eleitorais, enquanto outra parcela seria eleita por listas partidárias. A distribuição das cadeiras dependeria das regras específicas adotadas, incluindo a forma de combinar os dois tipos de votação.

Uma das consequências possíveis seria fortalecer candidatos com bases eleitorais concentradas em determinadas regiões, em vez de nomes que recebem votos espalhados por todo o estado.

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Segundo Fernandes, a mudança poderia alterar a dinâmica de renovação da Câmara e a maneira como os partidos organizam suas candidaturas.

No sistema atual, candidatos com forte presença nas redes sociais podem conquistar projeção nacional e transformar essa popularidade em votos. Já no modelo distrital, a ligação com o eleitorado de uma região tende a ganhar maior importância.

O professor ressalta, contudo, que nenhum sistema eleitoral é necessariamente superior aos demais.

“Todos os modelos têm virtudes e têm defeitos”, afirmou.

Por que a mudança enfrenta resistência?

Para Fernandes, o principal obstáculo à reforma está no próprio Congresso. Os parlamentares que hoje ocupam cadeiras na Câmara e no Senado foram eleitos pelas regras atuais. Alterá-las significa criar incertezas sobre suas possibilidades de reeleição.

“Se você mudar a regra, você não sabe se eles vão ser eleitos”, disse.

O cientista político considera que mudanças dessa dimensão exigem negociações amplas e tendem a encontrar resistência dos grupos que se beneficiam do sistema vigente.

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Isso inclui novas lideranças que conquistaram espaço por meio do voto proporcional de lista aberta e que poderiam perder parte dessa vantagem em um modelo diferente.

Fernandes também questiona reformas concebidas para responder ao resultado de uma eleição específica. Na avaliação dele, mudanças estruturais deveriam ser discutidas com horizonte mais longo, sem que os partidos consigam calcular imediatamente quem será beneficiado.

“Uma reforma que seja institucional para o país e não para reduzir o poder político de grupo A ou de grupo B”, defendeu.

Ainda não há consenso sobre a proposta nem garantia de que ela avançará. Para Fernandes, justamente por alterar as condições de disputa de todos os partidos, uma reforma dessa dimensão dificilmente será aprovada sem uma negociação política ampla.

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