# Mulher da América Latina e Caribe? Conheça os candidatos a secretário-geral da ONU

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/mundo/mulher-da-america-latina-e-caribe-conheca-os-candidatos-a-secretario-geral-da-onu/)
- Publicado em: 2026-10-30T17:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1437283-mulher-da-america-latina-e-caribe-conheca-os-candidatos-a-secretario-geral-da

> Um número recorde de conflitos armados ocorrendo em todo o mundo, problemas financeiros causados pela menor contribuição dos EUA sob a gestão de Donald Trump, ameaças sobre o potencial destrutivo da inteligência artificial e a ampliação…

Sete nomes estão na disputa pelo cargo, mas não surgiu, até agora, nenhum candidato de consenso.

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Não há uma data específica para que os países membros das Nações Unidas definam que vai substituir o português Antonio Guterres, mas essa decisão precisa ser tomada antes de ser tomada antes de 31 de dezembro.

Dos nomes apresentados desde o ano passado, sete postulantes permanecem na disputa: Ivonne A-Baki (Ecuador), María Fernanda Espinosa (Ecuador), Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica), Lana Nusseibeh (Emirados Árabes Unidos Emirates), Olara Otunnu (Uganda) e Carolyn Rodrigues Birkett (Guiana).

Ivonne A-Baki (Equador), María Fernanda Espinosa (Equador), Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica), Lana Nusseibeh (Emirados Árabes Unidos), Olara Otunnu (Uganda) e Carolyn Rodrigues Birkett (Guiana) (Fotos? Divulgação/ONU)

Não existe uma regra ou determinação prévia para a escolha, mas uma carta da Assembleia Geral da ONU no final do ano passado apontou que chegou a hora de uma mulher assumir o comando da organização – e de um nome que represente a diversidade regional da entidade.

“Observando com pesar que nenhuma mulher jamais ocupou o cargo de secretário-Geral, e convencidos da necessidade de garantir igualdade de oportunidades para mulheres e homens no acesso a cargos superiores de tomada de decisão, os Estados-Membros são incentivados a considerar fortemente a nomeação de mulheres como candidatas. Salientamos a importância da diversidade regional na seleção dos secretários-gerais.”

Acredita-se que, neste ano, será obedecido o princípio de rotação geográfica, que alterna a posição entre cinco blocos regionais geográficos, o que favoreceria o bloco latino-americano e caribenho.

O novo, ou nova, secretário-geral precisa cumprir “os mais altos padrões de eficiência, competência e integridade, bem como um firme compromisso com os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.

E essa pessoa terá de mostrar muita habilidade política num momento em que o próprio papel da ONU tem sido alvo de escrutínio. Um análise do grupo de mídia sem fins lucrativos The Conversation lembra que a cooperação internacional entre alguns países está em processo de desmoronamento.

“Muitos estão se afastando do diálogo internacional, apesar do conflito cíclico em pontos críticos da África e do Oriente Médio continuar, e das ameaças globais como mudanças climáticas, pandemias de saúde e competição em áreas recém-contestadas como o Ártico, o ciberespaço, o espaço sideral e os oceanos.”

Esse momento pode ser ilustrado pelo preocupante quadro desenhado pelo think tank Geneva Academy; estão em curso nesse momento 104 conflitos armados em todo o mundo, a maioria não internacionais (NIACs), envolvendo uma multiplicidade de atores armados não estatais e intervenções estrangeiras de potências ocidentais. São 45 conflitos no Oriente Médio, 35 na África, 21 na Ásia, sete na Europa e seis na América Latina – incluindo a violência armada envolvendo organizações criminosas.

Falta de verba

Para gerir essas crise, a ONU passa por um período crítico de subfinanciamento. Neste ano, a organização já operou sob a ameaça de um corte de quase 20% em seu orçamento. Uma das causas é a redução dos aportes pelo governo de Donald Trump.

Os EUA estão atrasados em cerca de US$ 5 bilhões em contribuições relacionadas à sua filiação à ONU, com mais de US$ 2 bilhões devidos ao orçamento regular. E Trump notificou recentemente o Congresso seu plano de aportar US$ 850 milhões à organização.

O presidente dos Estados Unidos é um crítico histórico da ONU, que ele acusa de possuir uma visão globalista contrária aos interesses americanos. O diário The Wall Street Journal reportou nesta semana que Trump está articulando apoios com China e Rússia para indicar ao cargo o ex-primeiro-ministro da Hungria Viktor Orbán, notícia que foi recebida nos círculos diplomáticos globais como uma zombaria.

Como funciona a escolha:

Os candidatos devem ser indicados por pelo menos um Estado-Membro da ONU e os países podem indicar um candidato cada (isoladamente ou conjuntamente), sendo proibida a autoindicação.

Embora decisão do novo secretário-geral caiba aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, França, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos), conhecidos como P5, esse grupo não pode apresentar nomes.

Assim, vence que tiver o apoio majoritário no Conselho de Segurança – e não receba nenhum veto no P5.

Conheça os perfis dos sete candidatos atuais feito pelo Council on Foreign Relations:

Ivonne A-Baki &#8211; Ex-embaixadora equatoriana em vários países, incluindo Estados Unidos, França e Catar, A-Baki diz que as Nações Unidas precisam &#8220;não de mais um interino, mas de um pacificador.&#8221; Sua declaração de visão para o cargo enfatiza a prevenção e o fim de guerras, a reforma da composição do Conselho de Segurança e a reconstrução da confiança institucional dentro da organização.

María Fernanda Espinosa Garcés &#8211; A ex-presidente da Assembleia Geral da ONU e ex-ministra das Relações Exteriores e ministra da Defesa do Equador centralizou sua candidatura em cinco pilares: paz e segurança, desenvolvimento, transformação digital e energética, redução da lacuna na entrega e reconstrução da credibilidade das Nações Unidas.

Rafael Mariano Grossi &#8211; Grossi é diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) desde 2019. Ele foi anteriormente embaixador argentino na Áustria, além de representante argentino na AIEA e em outras organizações internacionais sediadas em Viena. Grossi defende uma ONU mais eficaz e orientada a resultados, observando em entrevista em abril ao CFR que suas experiências liderando a AIEA o prepararam bem para o cargo de secretário-geral, especialmente no que diz respeito ao manejo de emergências complexas.

Rebeca Grynspan Mayufis &#8211; A ex-vice-presidente da Costa Rica é secretária-geral do Comércio e Desenvolvimento da ONU. Economista, ela diz que as Nações Unidas enfrentam simultaneamente crises políticas, de legitimidade e operacionais, e que ela concentrará seu mandato em restaurar a confiança na organização, reconstruir &#8220;os alicerces da segurança internacional&#8221; priorizando a construção da paz e entregando resultados.

Olara Otunnu &#8211; Diplomata veterano, Otunnu atuou como subsecretário-geral da ONU e representante especial para crianças e conflitos armados sob a gestão de Kofi Annan. Ele também foi embaixador e representante permanente de Uganda nas Nações Unidas e seu ministro das relações exteriores. Sua proposta de candidatura gira em torno de promover uma &#8220;era de esperança e fé&#8221; revitalizando a autoridade moral das Nações Unidas, mobilizando recursos para o desenvolvimento e aprofundando a cooperação entre as Nações Unidas e organizações regionais, entre outras ações.

Carolyn Rodrigues Birkett &#8211; Rodrigues Birkett atua como representante permanente da Guiana nas Nações Unidas desde 2020. Antes dessa posição, ocupou vários cargos no governo da Guiana, incluindo ministra dos assuntos ameríndios, ministra do comércio exterior e cooperação internacional, e ministra das relações exteriores. Em sua declaração de visão, ela foca em reafirmar os princípios fundamentais das Nações Unidas, centralizar os direitos humanos e avançar nos esforços de desenvolvimento global.

Lana Zaki Nusseibeh &#8211; Nusseibeh é ministra de Estado no Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, embora tenha tirado uma licença para focar em sua candidatura. Antes disso, ocupou vários cargos no governo dos Emirados Árabes Unidos, incluindo ministra assistente para assuntos políticos, embaixadora e representante permanente nas Nações Unidas, além de fundadora e diretora do departamento de planejamento de políticas no Ministério das Relações Exteriores. Sua declaração de visão aborda a importância da resolução multilateral de problemas; aproveitando a expertise existente, as parcerias e a presença de campo das Nações Unidas; e usando o que ela descreve como diplomacia silenciosa para evitar que conflitos se agravem.

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