Adaptado do romance homônimo do escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro , o longa acompanha Klara , uma robô humanoide criada para fazer companhia a seres humanos. Com uma personalidade peculiar, a personagem combina observações certeiras e humor impassível com uma sensibilidade capaz de provocar momentos emocionantes.

A mistura de comédia e drama é uma característica recorrente na filmografia de Waititi , presente em produções como Jojo Rabbit e Hunt for the Wilderpeople . Em Klara e o Sol , essa identidade também aparece na trilha sonora, que inclui Days , do Television , Fistful of Love , de Antony & The Johnsons , e Good Feeling , clássico lançado pelo Violent Femmes em 1983.

Em entrevista à revista NME , o cineasta destacou especialmente a última faixa, que tem um significado pessoal. “Essa é uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos. Nunca imaginei que teria a oportunidade de colocar uma música deles em um dos meus filmes” , afirmou.

Waititi também relembrou as bandas que acompanharam diferentes momentos de sua vida, citando Pixies , Pavement , Violent Femmes e Nirvana . “Eu era muito ligado ao indie” , resumiu.

A relação de Waititi com a música vai além das escolhas para seus filmes. Durante a conversa com a NME , o cineasta também falou sobre algumas de suas camisetas de bandas favoritas e as histórias por trás delas.

Uma delas traz a capa de Songs of Love and Hate (1971), álbum de Leonard Cohen que o diretor considera um dos mais bonitos de sua coleção. Fã declarado do cantor canadense, Waititi destacou uma apresentação que presenciou em Auckland, na Nova Zelândia, em 2008.

“Uma das minhas experiências favoritas em shows foi vê-lo ao vivo, sozinho, quando ele tocou em Auckland. Foi depois daquele episódio desagradável com seu empresário e ele precisou voltar a fazer turnês. Para mim, foi ótimo!” , brincou, em referência ao período em que Cohen retomou a estrada após descobrir que sua antiga empresária havia desviado milhões de dólares de suas contas.

Outro ícone que ocupa um lugar especial na coleção do diretor é Prince . Waititi contou que usou tanto uma camiseta do músico que a peça acabou praticamente destruída.

“Usei aquela camiseta até acabar com ela, até virar trapos e praticamente se desfazer. Acho que agora só resta metade da imagem. Naquela época, eu ainda não sabia que precisava cuidar de camisetas assim. Simplesmente usava em todos os lugares. Eu adorava” , recordou.

O cineasta também declarou sua admiração pelo artista e aproveitou para comentar Purple Rain (1984), filme protagonizado por Prince . “Sou um grande fã dele. Vamos ser sinceros, o filme não é grande coisa, mas é icônico!”

A admiração musical também se estende a Russell Crowe , com quem Waititi mantém uma amizade. O diretor contou que já acompanhou apresentações do ator e músico com o coletivo de rock Indoor Garden Party , chegando a trabalhar na mixagem de vídeo de um show realizado na Itália.

“Sou muito amigo do Russell. Já ouvi a música dele e o ajudei quando estava tocando na Itália. Fiz a mixagem de vídeo do show. Ele é maravilhoso. No palco, está ali para fazer um trabalho e, sabe, vai fazer aquilo muito bem” , elogiou.

Por fim, Waititi escolheu Surfer Rosa (1988), do Pixies , como o disco que levaria para uma ilha deserta. Ele contou que tinha aproximadamente 18 anos quando ouviu o álbum pela primeira vez e ficou completamente impressionado.

“Foi incrível. Explodiu minha cabeça. Eu não entendia o que estava acontecendo” , relembrou. O diretor também destacou a postura da banda nos shows, especialmente a maneira direta como conduz as apresentações, sem longas conversas entre as músicas.

Apesar de já ter conhecido alguns integrantes, Waititi admitiu que fica sem palavras diante de artistas que admira. “Existem certas pessoas que, quando você encontra, fazem você voltar a ser um idiota sem nada interessante para dizer” , brincou.

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