Os analistas utilizaram duas abordagens para a leitura: uma análise histórica e outra fundamentalista. A primeira, examinando como o lucro por ação (LPA) e os múltiplos de valuation se comportaram no passado, em períodos de crise. A outra, utilizando uma metodologia própria, que considera o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) esperado.
Ações de tecnologia despencam nos EUA com temores sobre gastos em IA
Resultados de Amazon, Alphabet e Intel reforçam dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial e pressionam a Nasdaq
BBI: histórico traz cautela após tombo da Bolsa; recuperação pode levar meses ou anos
Após o maior sell-off da história recente do mercado brasileiro, estrategistas do Bradesco BBI afirmam que valuations ficaram atrativos, mas alertam que juros altos, incerteza fiscal e cortes de lucro ainda podem pressionar as ações
Ao longo da trajetória da Cyrela, a companhia sofreu revisões negativas nas estimativas de LPA em todos os anos entre 2009 e 2018, com uma média de aproximadamente 25%. Supondo que a empresa sofra uma crise semelhante à observada em 2014-2015, a previsão do JP é de que possa haver uma revisão negativa de 40% a 60% nas estimativas de LPA para 2027.
Levando em conta que as revisões das estimativas para 2026 já estão em -14%, um novo ciclo de mercado baixista com duração de vários anos, poderia manter o múltiplo da companhia entre 0,5x e 0,8x por um longo período.
Por outro lado, a leitura fundamentalista apresenta uma perspectiva mais construtiva. Para o banco, o preço atual da ação, de aproximadamente R$ 17,40, já incorpora um custo de capital próprio de 18% a 19% e um ROE sustentável de cerca de 14%.
Considerando que o ROE médio da companhia desde 2008 foi de 12%, os analistas do banco explicam que seu valor justo ficaria entre R$ 13,50 e R$ 15,50. Ou seja, a leitura fundamentalista mostra um potencial de queda limitado a partir dos níveis atuais.
Mesmo assim, sem catalisadores para uma recuperação no curto ou médio prazo, a companhia decidiu manter a recomendação neutra para a ação.
Onde a leitura pode variar?
Um ponto de destaque dos analistas sobre a leitura histórica diz respeito ao LPA. Atualmente, de acordo com o JP Morgan, o LPA da companhia deveria mostrar maior resiliência do que em outros momentos de crise.
Hoje, a Cyrela possui uma participação maior no segmento de baixa renda, que representou 27% dos lançamentos nos primeiros nove meses de 2026. Entre 2014 e 2015, a participação era inferior a 10%.
Além disso, a rentabilidade dos empreendimentos voltados à baixa renda era significativamente menor no passado do que é atualmente.
The post JPMorgan: Cyrela (CYRE3) está barata? Analistas apontam até onde ação pode cair appeared first on InfoMoney .

