Apenas 11 das 76 ações do Ibovespa subiram no mês. São elas: PRIO ( PRIO3 ), Suzano ( SUZB3 ), Petrobras ( PETR3 ; PETR4 ), Caixa Seguridade ( CXSE3 ), BB Seguridade ( BBSE3 ), TIM ( TIMS3 ), Vivo ( VIVT3 ), Embraer ( EMBJ3 ), Brava Energia ( BRAV3 ) e Gerdau ( GGBR4 ).
Embora atuem em setores distintos, essas companhias compartilham características que passaram a ser particularmente valorizadas em muitos casos, como receitas dolarizadas, geração robusta de caixa, dividendos elevados, perfil defensivo ou baixa dependência do ciclo econômico brasileiro.
Já o grupo de maiores baixas é bem mais extenso, com 26 ações caindo mais de 20% e a maior parte delas sendo ações relacionadas à economia doméstica. Isso em meio à alta dos juros futuros, que encerraram a semana pós-eleição com altas acumuladas de mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos, refletindo o ajuste de posições em meio à reeleição de Lula e às preocupações com a política fiscal do futuro governo. As preocupações com o equilíbrio fiscal no governo Lula conduziram nesta semana boa parte das apostas do mercado para a manutenção da taxa básica Selic em 13,75% ao ano.
Vamos ( VAMO3 ), Cosan ( CSAN3 ), Hapvida ( HAPV3 ), Cyrela ( CYRE3 ), CSN ( CSNA3 ), Minerva ( BEEF3 ), C&A ( CEAB3 ), Cogna ( COGN3 ) e Localiza ( RENT3 ) estiveram entre as ações que caíram mais de 30% no mês. Enquanto isso, 26 ações do Ibovespa caíram mais de 20%.
O ranking das maiores quedas do mês de outubro é composto por ações que, no começo do mês, estavam entre os maiores avanços. Papéis ligados a consumo e, portanto, diretamente correlacionados aos juros foram as grandes perdedoras do mês. Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais, papéis que apresentaram forte alta após o primeiro turno do pleito devolveram seus ganhos no pregão após o segundo turno e também acrescentaram perdas.
A Vamos ( VAMO3 ) esteve entre as maiores perdas do dia, com menos 56,79%, a R$ 2,77, na primeira sessão pós eleições. A principal perdedora do pregão do dia 26, no entanto, foi a Magazine Luiza ( MGLU3 ), que mesmo com fortes altas durante o mês, ainda encerra outubro com menos 30,78%.
A segunda ação que mais recuou foi a Cosan ( CSAN3 ), que anunciou na quinta (28) uma transação tributária individual com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal, no contexto da recuperação extrajudicial da Raízen. A operação prevê R$ 3,2 bilhões em contingências tributárias. A XP vê o a cordo como neutro . Para além do contexto de volatilidade que acometeu todo o Ibovespa no mês, a Cosan também teve outro fato no noticiário próprio: encerramento de negociações para venda de fatia da Rumo ( RAIL3 ). A companhia afirmou seguir avaliando alternativas para otimizar a estrutura de capital.
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O ranking segue composto por outros nomes que já enfrentavam turbulência, como é o caso da Hapvida ( HAPV3 ), e se somaram a varejistas e construtoras entre as principais perdas. Para o Bradesco BBI, a deterioração de expectativas para os juros reais levou a forte revisão dos preços-alvo para varejistas. Além dos juros, os analistas citam novas pressões potenciais sobre as empresas, incluindo mudanças trabalhistas e aumento da carga tributária com a implementação da reforma do consumo.
O ambiente é de cautela, mas analistas veem algumas companhias como capazes de crescer mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador. Entre os destaques negativos de outubro nos setores, estão Cyrela ( CYRE3 ), C&A ( CEAB3 ) e Cogna ( COGN3 ), além da própria Magalu.
Fora dos setores mais impactados, a Minerva ( BEEF3 ) também figura entre as maiores quedas. Outro papel que se tornou destaque negativo no mês foi a CSN ( CSAN3 ), com queda ligada a forte alavancagem que enfrenta. Mesmo a n otícia de acordo de exclusividade de dez dias com a chinesa Huaxin para a venda da CSN Cimentos , por um valor de empresa (EV) de R$ 12,7 bilhões não foi capaz de amenizar as perdas do papel no último dia do mês.
Confira as ações do Ibovespa que tiveram baixa em outubro:
Ticker Preço (R$) Variação no mês (%) VAMO3 2,38 -47,11% CSAN3 2,33 -41,75% HAPV3 4,2 -39,74% CYRE3 17,09 -37,28% CSNA3 3,88 -35,12% BEEF3 2,54 -34,62% CEAB3 6,55 -34,04% COGN3 1,58 -32,77% RENT3 27,85 -30,43% USIM5 5 -29,48% ASAI3 7,88 -29,39% MGLU3 5,35 -29,33% BBAS3 16,47 -28,45% NATU3 4,86 -28,00% B3SA3 13,43 -27,44% TEND3 20,01 -26,94% VIVA3 17,3 -26,91% MRVE3 4,05 -25,69% BBDC4 13,86 -24,26% AZZA3 14,33 -22,96% VBBR3 29,6 -22,02% LREN3 8,98 -21,30% MULT3 25,19 -21,06% BBDC3 12,71 -20,81% EQTL3 32,6 -20,29% ALOS3 23,5 -20,28% DIRR3 8,06 -19,96% IGTI11 21,79 -19,86% BPAC11 51,52 -19,12% YDUQ3 8,91 -19,07% RADL3 15,22 -18,44% MOTV3 14 -17,89% RDOR3 31,68 -17,61% AURE3 10,87 -17,53% ENGI11 44,29 -16,75% UGPA3 31,76 -16,62% RAIL3 13,78 -16,43% CSMG3 48,11 -15,24% AXIA3 47,43 -14,29% SANB11 23,94 -14,19% HYPE3 21,27 -13,85% FLRY3 20,47 -13,81% ITSA4 12,45 -13,42% ITUB4 38,69 -12,37% POMO4 3,7 -11,90% VALE3 62,02 -11,78% EGIE3 26,26 -11,01% CPLE3 14,32 -11,00% SBSP3 24,7 -10,18% CPFE3 41,9 -10,11% ISAE4 24,76 -10,09% BRAP4 18,27 -9,91% CMIG4 10,07 -9,77% SMFT3 15,52 -9,66% ENEV3 25,7 -8,35% MBRF3 15,61 -7,63% TOTS3 32 -7,46% PSSA3 44,75 -6,46% TAEE11 39,59 -5,38% CURY3 25,9 -5,37% ABEV3 14,6 -5,32% KLBN11 17,2 -4,34% WEGE3 48,36 -2,42% GOAU4 11,11 -1,33% CMIN3 4,86 -1,02%
Entre os principais destaques do período estão as produtoras de petróleo . O dólar mais forte passou a favorecer empresas com receitas indexadas à moeda americana, enquanto a disparada do Brent para níveis próximos ou superiores a US$ 100 por barril reforçou as expectativas de geração de caixa.
Os bancos de investimento passaram a apontar Petrobras ( PETR4 ) e PRIO ( PRIO3 ) como as principais escolhas do setor após as eleições, destacando dividend yields potencialmente próximos de 20% e forte geração de fluxo de caixa livre. Além disso, a Petrobras voltou a surpreender positivamente com produção recorde no pré-sal, reforçando a percepção de que os fundamentos operacionais voltaram a ocupar o centro da tese de investimento. Essa combinação ajudou a blindar os papéis da aversão generalizada ao risco observada no mercado brasileiro.
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Entre as principais casas de análise, o consenso é que produtoras de petróleo continuam oferecendo uma das combinações mais atraentes de geração de caixa, dividendos e proteção cambial do mercado brasileiro
A Brava Energia ( BRAV3 ) também se beneficiou desse movimento. Além da exposição ao petróleo, a companhia passou a ser vista como uma forma de capturar a alta da commodity sem a interferência dos debates sobre política de preços que frequentemente cercam a Petrobras.
Sobre a Suzano ( SUZB3 ), análises de Citi, Bradesco BBI, JPMorgan, BTG Pactual e XP destacaram que a companhia possui uma das maiores sensibilidades cambiais da Bolsa. Como praticamente toda a receita da empresa é dolarizada e boa parte dos custos permanece em reais, a desvalorização da moeda brasileira aumenta diretamente geração de caixa, Ebitda e fluxo de caixa livre.
Em um ambiente em que os investidores passaram a procurar proteção cambial, Suzano deixou de ser apenas uma aposta em celulose e passou a ser encarada como um hedge para o risco Brasil.
A Embraer ( EMBJ3 ) também se beneficia neste cenário, por possuir receitas em dólar, baixa exposição ao consumo brasileiro, carteira de pedidos equivalente a vários anos de produção e forte crescimento esperado dos lucros. Além disso, o mercado continua monitorando potenciais contratos para o cargueiro KC-390, novas encomendas de aeronaves comerciais e o desenvolvimento da Eve.
Na última semana, o Bradesco BBI reforçou recomendação de compra para a ação e elevou levemente o preço-alvo, que passou de R$ 126 para R$ 127. “Em um ambiente de juros reais mais altos e maior incerteza doméstica, a Embraer combina receitas em dólares, menor exposição à economia brasileira e elevada visibilidade de resultados. A carteira de pedidos equivale a aproximadamente cinco anos de produção na aviação comercial e três anos na aviação executiva, protegendo os resultados dos próximos anos e sustentando a trajetória de crescimento”, apontou.
Assim, a Embraer é a sua principal preferência no setor de transportes e bens de capital, apoiada por fundamentos sólidos e exposição internacional. “Estimamos crescimento médio anual de aproximadamente 20% do EBIT ajustado entre 2026 e 2028, impulsionado por maiores volumes e margens. A companhia também apresenta potenciais catalisadores, como novos pedidos de jatos comerciais, campanhas do C390 no segmento de defesa, incluindo a oportunidade na Índia, e o avanço da Eve em direção à certificação”, aponta.
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A Gerdau ( GGBR4 ) também aparece como um dos poucos desempenhos positivos uma vez que grande parte de sua operação está fora do Brasil. Cerca de três quartos do Ebitda da companhia vêm da América do Norte, especialmente dos Estados Unidos. Isso fez com que bancos como BTG Pactual, JPMorgan e Itaú BBA passassem a tratar a siderúrgica como uma empresa dolarizada e uma proteção natural contra a deterioração do cenário brasileiro.
Na última semana, o Itaú BBA elevou a recomendação para as ações GGBR4 de marketperform (desempenho em linha com a média do mercado, equivalente à neutra) para outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), e aumentou o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 29 para R$ 31 por ação.
Segundo o banco, a combinação de fundamentos mais fortes e uma queda recente das ações voltou a tornar a relação risco-retorno atrativa. “O pano de fundo passou a jogar a favor da Gerdau”, afirmam os analistas. Entre os fatores destacados estão a desvalorização do real frente ao dólar, para cerca de R$ 5,40, e uma série de aumentos de preços implementados pela companhia no mercado norte-americano ao longo do terceiro trimestre e início do quarto trimestre.
Outra consequência importante do pós-eleição foi a migração dos investidores para negócios financeiros mais previsíveis, com sguradoras como Caixa Seguridade ( CXSE3 ) e BB Seguridade ( BBSE3 ) passaram a ganhar destaque.
Casas como Citi e JPMorgan passaram a defender que essas empresas combinam distribuição consistente de dividendos, elevada geração de caixa e menor sensibilidade ao ciclo econômico. Além disso, juros mais altos tendem a beneficiar parte dos resultados financeiros dessas companhias.
Na semana pós-eleição, o Citi elevou a recomendação de Caixa Seguridade, apontando um perfil mais defensivo em um ambiente macroeconômico adverso, combinando resultados previsíveis, elevada geração de caixa e dividendos atrativos.
As teles também passaram a ocupar papel defensivo nas carteiras. Apesar das preocupações recentes envolvendo a Starlink, o mercado passou a valorizar características como previsibilidade de receitas, geração recorrente de caixa e dividendos elevados.
Relatório do Itaú BBA destaca que TIM e Vivo oferecem dividend yields significativamente superiores aos observados em operadoras globais, além de negociarem a valuations considerados atrativos após a correção das ações. Já a XP destacou Vivo como uma das suas preferidas no setor. “Embora as condições competitivas no segmento móvel tenham se tornado mais desafiadoras, os indicadores operacionais da Vivo mantiveram-se relativamente resilientes, sustentados por sua escala, portfólio diversificado de serviços e forte posição no segmento pós-pago”, aponta a equipe de análise.
Confira as altas do Ibovespa no mês de outubro:
Ticker Preço (R$) Variação no mês (%) PRIO3 71,48 16,32% SUZB3 50,14 15,90% PETR3 60,01 9,43% CXSE3 21,38 7,44% PETR4 52,71 5,91% BBSE3 41,32 5,44% TIMS3 19,17 5,21% VIVT3 30,7 4,17% EMBJ3 99,62 2,67% BRAV3 18,42 1,32% GGBR4 25,13 0,20%
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