Levantamento do InfoMoney com dados do Tesouro Nacional compara nove títulos prefixados e atrelados à inflação entre o fechamento da sexta-feira (23) e o desta sexta (30). O Tesouro IPCA+ 2050 teve a maior desvalorização, de 17,19%. A taxa do papel subiu de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,28% ao ano.

Nos prefixados, as taxas avançaram entre 2,20 e 2,47 pontos percentuais na semana, com o Prefixado 2032 indo de 12,89% para 15,36%. Nos títulos atrelados à inflação, as altas ficaram entre 0,86 e 1,17 ponto.

Com isso, as taxas ficam bem acima das registradas no fim da semana do primeiro turno. No fechamento oficial do Tesouro Direto em 9 de outubro, os títulos atrelados à inflação pagavam entre IPCA + 6,55% e IPCA + 6,68% ao ano, e os prefixados, entre 12,31% e 12,51%. Nesta sexta, as faixas são de IPCA + 7,28% a IPCA + 7,89% e de 14,96% a 15,36%, respectivamente.

O nível atual supera inclusive o de antes da eleição. Na manhã de 2 de outubro, sexta-feira anterior ao primeiro turno, o Prefixado 2032 pagava 14,15% e o IPCA+ 2050, IPCA + 7,06%.

Investimento Variação da taxa Variação na semana Quanto viram R$ 10 mil Tesouro IPCA+ 2050 +0,86 ponto -17,19% R$ 8.281 Tesouro IPCA+ 2040 +1,01 ponto -11,99% R$ 8.801 Tesouro IPCA+ c/ Juros Semestrais 2060 +0,96 ponto -11,41% R$ 8.859 Tesouro Prefixado c/ Juros Semestrais 2037 +2,34 pontos -11,24% R$ 8.876 Tesouro Prefixado 2032 +2,47 pontos -10,29% R$ 8.971 Tesouro IPCA+ c/ Juros Semestrais 2045 +0,92 ponto -8,65% R$ 9.135 Tesouro IPCA+ c/ Juros Semestrais 2037 +1,05 ponto -7,00% R$ 9.300 Tesouro IPCA+ 2032 +1,17 ponto -5,92% R$ 9.408 Tesouro Prefixado 2029 +2,20 pontos -3,83% R$ 9.617

Fonte: Tesouro Nacional com cálculos do InfoMoney

O resultado, porém, mede a desvalorização de quem já tinha os títulos antes do segundo turno e só se concretiza se o papel for vendido antes do vencimento . Quem leva o título até o fim recebe a rentabilidade contratada na compra. Para quem comprou numa sexta e vendeu na seguinte, a perda seria maior, porque a conta incluiria um preço de compra mais alto que o de venda. Por outro lado, não haveria cobrança de IOF nem de Imposto de Renda, que incidem apenas sobre ganhos.

Nos títulos públicos, preço e taxa andam em sentidos opostos, e quanto mais distante o vencimento, maior a sensibilidade do preço a cada variação da taxa. Por isso o IPCA+ 2050 lidera as perdas mesmo com a menor alta de taxa entre os nove títulos. Já o Prefixado 2029, de prazo mais curto, recua 3,83% apesar de uma alta de 2,20 pontos.

A segunda-feira concentrou a maior parte do movimento. A plataforma do Tesouro Direto ficou fechada pela manhã por causa da volatilidade nas taxas. Ela abriu às 12h13, foi suspensa às 16h25 e voltou a operar só no fechamento. Na abertura, o Prefixado 2032 chegou a 15,78%, a maior taxa da série do título, iniciada em fevereiro de 2025, e o IPCA+ 2032 foi a IPCA + 8,10%.

Pelo histórico do Tesouro Direto, a alta de 2,88 pontos dos prefixados naquele dia é a maior desde dezembro de 2004, na comparação entre taxas de abertura. Ela supera a registrada em 12 de março de 2020, no início da pandemia.

O Tesouro Nacional reagiu cancelando os leilões de NTN-B, LFT e prefixados previstos para a semana. Também recomprou títulos, em operações que somaram cerca de R$ 31,6 bilhões na segunda e na terça.

Depois do choque inicial, os prefixados recuaram ligeiramente em relação ao fechamento de segunda, enquanto os títulos IPCA+ mais longos continuaram subindo. A taxa do IPCA+ 2050, que havia terminado o dia 26 em IPCA + 7,03%, encerrou a semana em IPCA + 7,28%.

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