O MP pediu ainda a absolvição de um réu cadeirante e paraplégico que foi indiciado pela Polícia Civil e denunciado pelo Ministério Público como soldado armado do tráfico de drogas.

Os 51 réus na Justiça após a denúncia do Ministério Público foram divididos em três processos diferentes: um com 16 pessoas, outro com 33 denunciados que estão foragidos ou não foram citados pela Justiça e um terceiro, com apenas dois réus. Um outro réu morreu e teve a punibilidade extinta.

No dia 5 de outubro, a promotora Juliana Pompeu, da 42ª Vara Criminal, pediu a condenação de 15 réus, por diferentes crimes:

André Felipe Mendes da Silva, o "Ceguinho" soldado do tráfico

Carlos Alexandre Siqueira Pinto, o "Alex Macarrão", soldado do tráfico

Daniel Afonso de Andrade, o "Danado", soldado do tráfico

Davi da Silva Candido, soldado do tráfico

Fabrício Dias Correia, o "Pelezinho", soldado do tráfico de drogas na Penha

Fagner Campos Marinho, o "Bafo", soldado do tráfico e integrante da segurança de Doca

Henrique Wesley Braga Neves, o "Rick", soldado do tráfico responsável por patrulhamento

João Vitor Machado, o "Dilma", responsável pela segurança da casa de Doca

Nikolas Fernandes Soares, o "Hurley", soldado do tráfico responsável por patrulhamento

Pedro Paulo Guedes, o "Pedro Bala", chefe executivo do tráfico na Penha

Rosimaria Victor de Souza, por prestar auxílio e suporte logístico para o tráfico na Penha

Thiago Barbosa Conrado, o "TH do Rasta"

Vagner Rodrigues de Freitas, o "Malvadão", com anotações por homicídio e roubo

Vinicius de Almeida Silva, soldado do tráfico na contenção armada e vigilância

Walmir Oliveira Santos, soldado do tráfico e contenção armada na Penha

O que aconteceu um ano após megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha com 122 mortos

Todos respondem por associação ao tráfico majorada, por crimes cometidos próximos a estabelecimentos de ensino, com emprego de arma de fogo e visando atingir crianças ou adolescentes. Um dos réus também responde pelo crime de tortura.

📌Um ano da megaoperação: esta reportagem faz parte de uma série do g1 sobre os desdobramentos da ação realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, com 122 mortos. Veja todas as reportagens.

MP pede absolvição de paraplégico

Herbert na cadeira de rodas

Nas alegações finais, a promotora também pediu a absolvição de Herbert da Silva de Souza, de 31 anos, que possui o vulgo "Negão".

Nas investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, ele foi indiciado como soldado armado do Comando Vermelho na Penha, com o emprego usual de fuzil citado no relatório final do caso.

No entanto, ele é paraplégico e cadeirante desde 2012, como mostram documentos anexados ao processo. Na época, Herbert tinha 17 anos e levou um tiro nas costas quando participava de uma tentativa de assalto em março daquele ano na Vila da Penha, na Zona Oeste.

Segundo a Polícia Civil, ele também era integrante de um dos grupos de Whatsapp da "contenção" da facção, ligada aos soldados responsáveis pelo patrulhamento e contenção armada do tráfico na comunidade.

Nas audiências do processo na Justiça, o advogado de Herbert, Michel Brito, apresentou documentos que comprovam que ele é cadeirante há 14 anos.

Não há investigações em andamento contra Herbert. Ele foi indiciado em 2019 por resistência qualificada e associação para o tráfico, mas foi absolvido na Justiça em 2022 por ausência de provas suficientes para a condenação em um processo na 21ª Vara Criminal.

Questionados durante uma audiência na Justiça, o delegado titular da DRE, Moyses Santana, e outros policiais envolvidos na investigação diziam não se recordar de Herbert especificamente.

Um deles chegou a afirmar que, se soubesse que Herbert era paraplégico, "não faz sentido ele ser soldado do tráfico".

Nas alegações finais, a promotora diz que, apesar de identificado como integrante dos grupos de Whatsapp, Herbert não poderia atuar como soldado armado sendo cadeirante:

"A função atribuída a ele no organograma do tráfico, a saber, soldado armado, não se revela em consonância com a sua condição física dele, visto que apresenta “Paraplegia traumática completa (AIS-A)” há mais de dez anos", diz um trecho do documento.

"Assim, há dúvida fundada acerca de sua capacidade de praticar a conduta a ele imputada, dúvida esta que milita a seu favor, de forma que, com relação a ele, a absolvição é medida que se impõe", afirma a promotora.

Veja todas as reportagens da série:

Um ano depois, 33 alvos estão foragidos e chefes vivem na região

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Como a Penha tenta reconstruir a rotina após a megaoperação

Os efeitos da Megaoperação no RJ em crianças e jovens da Penha

Chefe da facção está entre os réus

Cartaz de Pedro Bala no Disque Denúncia

Entre os réus que tiveram a prisão pedida, está o traficante Pedro Paulo Guedes, conhecido como Pedro Bala.

Ele é apontado pelas investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) como um dos principais nomes do Comando Vermelho na Penha, responsável pelo comando das bocas de fumo, a administração financeira da quadrilha, a divisão de tarefas e a distribuição de armas.

Segundo as investigações, ele e Edgar Alves de Andrade, o Doca, dão ordens na região da Penha. Pedro Bala é o único dos chefes da facção que tem advogado constituído no processo contra os alvos ligados à cúpula do Comando Vermelho. Ele tem 9 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Principais alvos do CV na megaoperação seguem foragidos