# Sem vassoura, nem caldeirão: moradora de Jundiaí conta como é ser bruxa no século XXI

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: Tribuna de Jundiaí (https://tribunadejundiai.com.br/cidades/jundiai/moradora-de-jundiai-conta-como-e-ser-bruxa-no-seculo-xxi/)
- Publicado em: 2026-10-31T13:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1449385-sem-vassoura-nem-caldeirao-moradora-de-jundiai-conta-como-e-ser-bruxa-no-seculo

> Uma chave antiga aparece misteriosamente no portão de casa. Em outra ocasião, durante um ritual, os cães da rua começam a uivar. Para muitas pessoas, seriam apenas coincidências. Para Fernanda Koch , de Jundiaí , são acontecimentos que…

Devota da deusa grega Hécate desde 1998, Fernanda se apresenta sem hesitar: é bruxa . Mas quem espera encontrar alguém com poderes extraordinários, cercada de caldeirões e fórmulas secretas, talvez se surpreenda. Sua rotina envolve responsabilidades familiares, estudos, tecnologia, cuidados com a natureza e uma busca constante por conhecimento.

Neste sábado (31), quando o mundo celebra o Halloween , popularmente conhecido como Dia das Bruxas , Fernanda compartilha, em entrevista exclusiva ao Tribuna de Jundiaí , sua história e sua visão sobre uma prática espiritual que atravessou transformações históricas, ganhou espaço nas redes sociais e continua despertando curiosidade, fascínio e preconceito.

Para ela, a maior diferença entre a bruxa do imaginário popular e a mulher que vive a bruxaria no século XXI está justamente no que não aparece nas histórias de terror: a liberdade de escolher suas crenças e de construir sua própria identidade.

“Ser bruxa não significa possuir poderes extraordinários ou estar acima das outras pessoas. No meu entendimento, significa assumir conscientemente um caminho espiritual, com suas responsabilidades, seus estudos e suas escolhas.”

Uma infância cercada de espiritualidade e o início da bruxaria aos 17 anos

A história de Fernanda com a espiritualidade começou muito antes de ela se reconhecer como bruxa. Criada em uma família umbandista, cresceu em um ambiente no qual as questões espirituais faziam parte do cotidiano.

Aos 14 anos, iniciou seu desenvolvimento mediúnico. Três anos depois, começou a estudar bruxaria natural .

Não houve uma revelação repentina ou um acontecimento extraordinário que determinasse seu caminho. A descoberta aconteceu de maneira gradual, impulsionada pela curiosidade.

“Sempre tive muita curiosidade sobre as ervas, os antigos conhecimentos e a relação entre o ser humano e a natureza”, recorda.

Em 1998, um novo capítulo começou com sua devoção a Hécate, divindade da mitologia grega associada à magia, às encruzilhadas e aos caminhos. Desde então, essa relação tornou-se uma das principais referências de sua espiritualidade.

Ao longo dos anos, Fernanda aprofundou os estudos sobre práticas ancestrais, mitologia, rituais e diferentes tradições mágicas. Hoje, ela não vincula sua espiritualidade a uma instituição religiosa específica.

“Não acredito que exista uma única maneira de ser bruxa. Cada pessoa constrói sua trajetória de acordo com seus conhecimentos, suas experiências e suas convicções.”

A liberdade, entretanto, não significa ausência de compromisso. Para Fernanda, a bruxaria exige disciplina, dedicação e responsabilidade com os conhecimentos adquiridos.

“A bruxaria me ensinou a olhar para a vida com mais consciência e responsabilidade. Aprendi a respeitar os ciclos da natureza, compreender melhor minhas escolhas e reconhecer que cada experiência traz algum aprendizado.”

Como é a rotina de uma bruxa moderna?

Esqueça, por um instante, a imagem de uma mulher isolada em uma floresta, preparando poções sob a luz da Lua. A vida de Fernanda também é feita de compromissos, responsabilidades domésticas e familiares, problemas cotidianos e tarefas.

Além de bruxa, ela é mãe de uma pessoa com transtorno do espectro autista (TEA), vegetariana por respeito aos animais e uma mulher que, segundo suas próprias palavras, continua em busca de respostas.

“A rotina de uma bruxa contemporânea é muito parecida com a de qualquer outra pessoa. Temos família, responsabilidades, compromissos, problemas para resolver e uma vida cotidiana que nem sempre permite grandes cerimônias ou rituais.”

Entre suas práticas estão o estudo das plantas, a pesquisa sobre tradições espirituais, a realização de rituais e o uso do tarô como instrumento de reflexão e autoconhecimento. Mas existe um elemento que pode surpreender quem associa bruxaria à rejeição da modernidade: Fernanda também defende a importância da ciência .

Com formação em fitoterapia, ela explica que o estudo das plantas medicinais ampliou sua compreensão sobre os princípios ativos, os possíveis benefícios e os riscos do uso de determinadas espécies.

Uma erva pode ter significado simbólico dentro de um ritual, mas também contém substâncias químicas com efeitos que precisam ser conhecidos e respeitados. E ter uma tradição de uso não significa, por si só, que determinada planta seja segura ou eficaz como tratamento.

“Nunca enxerguei a bruxaria e a ciência como inimigas. Pelo contrário, acredito que o conhecimento científico é fundamental para compreendermos melhor o mundo e também para questionarmos práticas e crenças.”

Fernanda considera possível preservar saberes tradicionais sem abandonar os avanços científicos. Além disso, utiliza a internet e ferramentas tecnológicas para estudar, trabalhar e compartilhar informações. Para ela, existe uma fronteira importante entre espiritualidade e saúde.

“A fé não deve substituir os cuidados com a saúde, assim como a ciência não precisa determinar as crenças pessoais de cada indivíduo.”

A magia também pode estar na cozinha

Nem toda prática de bruxaria, na visão de Fernanda, precisa envolver cerimônias elaboradas.

Um dos aspectos mais presentes em sua trajetória é a chamada culinária mágica , que incorpora intenções, simbolismos e conhecimentos tradicionais ao preparo dos alimentos.

Na perspectiva espiritual que segue, escolher uma erva, combinar ingredientes ou preparar uma refeição pode representar uma forma de conexão com a natureza, com os ancestrais e com as memórias familiares.

“Para mim, preparar um alimento pode ser um ato mágico, desde a escolha dos ingredientes até os gestos envolvidos no preparo.”

A cozinha, nesse contexto, deixa de ser apenas um ambiente doméstico e ganha um significado afetivo e espiritual. Receitas transmitidas entre gerações, temperos associados a determinadas tradições e pequenos gestos cotidianos passam a integrar sua maneira de praticar a bruxaria.

Fernanda também destaca os benzimentos, os amuletos, os rituais de proteção e a observação dos ciclos naturais como exemplos de práticas populares que continuam presentes em diferentes vertentes contemporâneas.

“A bruxaria nunca foi uma prática única e universal. Cada cultura desenvolveu suas próprias tradições, símbolos e maneiras de compreender o mundo espiritual.”

Uma chave misteriosa e cães uivando: as experiências que marcaram quase três décadas de bruxaria

Entre tantos anos de estudos e rituais, algumas experiências permanecem especialmente vivas na memória de Fernanda. Uma delas aconteceu depois que realizou um ritual em busca de respostas para uma questão pessoal.

Algum tempo depois, encontrou uma chave antiga no portão de sua casa . Não sabia de onde ela havia surgido nem como tinha ido parar ali.

O objeto aparentemente comum ganhou outra dimensão por causa de sua devoção a Hécate. Na tradição associada à divindade grega, as chaves simbolizam, entre outros significados, a abertura de caminhos e as passagens entre diferentes estados da existência.

“Foi uma experiência impressionante”, conta, ao recordar também outro episódio.

Durante uma prática ritualística, cães da rua começaram a uivar . Os animais também são associados a Hécate em representações e tradições da Antiguidade.

Fernanda não apresenta essas situações como provas da existência de forças sobrenaturais. Reconhece que os acontecimentos podem receber interpretações diferentes, mas ressalta o significado que tiveram dentro de sua experiência espiritual.

Para ela, nem sempre é necessário encontrar uma explicação extraordinária para reconhecer a importância de uma experiência pessoal. A dimensão simbólica, afirma, também faz parte da maneira como constrói sua relação com o sagrado.

Das fogueiras ao preconceito: o que mudou desde a época da caça às bruxas?

Hoje, Fernanda pode se apresentar publicamente como bruxa, conversar sobre suas crenças e compartilhar conhecimentos. Em outros períodos históricos, uma acusação de feitiçaria poderia colocar a vida de uma pessoa em risco.

Entre os séculos XV e XVIII, especialmente na Europa, milhares de pessoas foram processadas e muitas executadas sob acusações de bruxaria . A perseguição atingiu predominantemente mulheres, embora homens também tenham sido acusados. Em grande parte dos casos, as vítimas não se identificavam como praticantes de bruxaria.

Para Fernanda, compreender essa distinção é fundamental: as vítimas dos julgamentos históricos não podem ser automaticamente associadas às práticas e identidades da bruxaria contemporânea.

“Muitas eram mulheres comuns que acabaram sendo acusadas por motivos que pouco tinham a ver com práticas mágicas. A perseguição também atingiu homens e assumiu características diferentes conforme a época e a região.”

Registros históricos mostram que conflitos entre vizinhos, suspeitas, preconceitos religiosos e disputas sociais também alimentaram acusações. As perseguições não se resumiram a uma suposta disputa entre praticantes de magia e autoridades religiosas.

Ao refletir sobre esse passado, Fernanda identifica uma questão que permanece atual: a dificuldade de aceitar aquilo que é diferente.

“O que mais me impressiona nessa história é perceber como o medo do desconhecido pode ser utilizado para justificar a violência.”

Ela própria já enfrentou questionamentos e julgamentos por se identificar como bruxa. Embora tenha crescido em uma família espiritualista, percebeu que a palavra ainda é suficiente para despertar medo em algumas pessoas. Outras demonstram curiosidade ou reproduzem ideias associadas à figura demonizada das bruxas.

“Aprendi que nem todo mundo precisa compreender minhas escolhas, mas todos devem respeitá-las. Nunca considerei necessário esconder quem sou para me encaixar nas expectativas de outras pessoas.”

Bruxaria virou tendência? O lado positivo e os riscos das redes sociais

Se no passado o conhecimento sobre determinadas tradições circulava principalmente por meio de livros, famílias e comunidades, hoje basta uma pesquisa na internet para encontrar vídeos sobre ervas, rituais, símbolos, tarô e diferentes vertentes de bruxaria. Fernanda reconhece que essa facilidade de acesso representa uma transformação importante.

Quando começou a estudar, na década de 1990, encontrar livros e informações confiáveis exigia mais esforço. As redes sociais ampliaram o contato entre interessados e permitiram que diferentes conhecimentos alcançassem novos públicos.

Mas a popularização trouxe outro fenômeno: a transformação da bruxaria em conteúdo de consumo rápido. Na avaliação de Fernanda, parte do material publicado privilegia a estética dos objetos, as promessas de resultados imediatos e a reprodução de práticas sem aprofundamento.

“Vejo pessoas reproduzindo rituais sem compreender seus fundamentos, compartilhando informações sem verificar suas origens e apresentando como tradições milenares práticas que foram criadas recentemente.”

Ela não condena a venda de produtos místicos nem o compartilhamento de conhecimentos na internet. Sua preocupação está na ideia de que seria possível comprar soluções para todos os problemas por meio de fórmulas espirituais.

“Como se fosse possível comprar conhecimento ou resolver todas as questões da vida através de um feitiço.”

Para a entrevistada, a bruxaria pode acompanhar as mudanças tecnológicas e culturais, mas não deve abandonar o senso crítico. A mesma internet que permite estudar mitologia, documentos históricos e pesquisas científicas também facilita a circulação de informações equivocadas.

Toda bruxa é igual? Conheça as diferenças entre as tradições

A palavra bruxaria costuma ser utilizada para descrever crenças e práticas bastante diferentes entre si. Fernanda explica que algumas vertentes possuem estruturas religiosas próprias, enquanto outras representam caminhos de estudo, devoção ou práticas individuais.

Entre elas, destaca a Wicca , religião pagã moderna com celebrações e rituais específicos; a bruxaria tradicional , relacionada a diferentes manifestações do folclore e da magia popular; e a Stregheria , associada a tradições e interpretações da bruxaria italiana.

Existem ainda a bruxaria natural ou verde , que enfatiza as plantas e os ciclos da natureza; a bruxaria de cozinha , ligada à preparação simbólica dos alimentos; e a bruxaria eclética , que reúne referências de diferentes caminhos. Fernanda também menciona a bruxaria hekatina , centrada na devoção a Hécate.

“Algumas correspondem a tradições estruturadas, outras a caminhos devocionais ou formas de praticar magia.”

Na avaliação da entrevistada, reconhecer essa diversidade ajuda a combater duas ideias recorrentes: a de que todas as bruxas seguem as mesmas crenças e a de que suas práticas estão necessariamente associadas ao mal.

“Acredito que o maior equívoco seja associar automaticamente a bruxaria ao mal, ao demônio ou à ideia de que uma bruxa utiliza seus conhecimentos para prejudicar outras pessoas.”

Halloween e Samhain: para além das fantasias e das abóboras

Enquanto vitrines são decoradas com teias de aranha, abóboras e chapéus pontudos, Fernanda encontra no período do Halloween um significado relacionado à ancestralidade e aos ciclos da existência.

Para ela, a data é uma oportunidade de celebrar o Samhain , festividade de origem celta historicamente associada ao encerramento da colheita e à chegada do período mais frio do ano no hemisfério norte. O festival é uma das referências históricas relacionadas ao desenvolvimento do Halloween.

“É um momento de honrar meus ancestrais, refletir sobre aquilo que precisa ser encerrado e reconhecer as transformações que acontecem ao longo da vida.”

A celebração também faz parte da chamada Roda do Ano , calendário adotado por diversas tradições pagãs contemporâneas e composto por oito festivais sazonais, conhecidos como Sabbats .

Essas festividades acompanham os solstícios, os equinócios e os períodos intermediários do calendário solar. Há, porém, uma diferença geográfica importante: no Brasil, o dia 31 de outubro ocorre durante a primavera, enquanto nos países do hemisfério norte acontece no outono.

Por isso, praticantes de tradições pagãs no hemisfério sul podem adaptar as comemorações aos ciclos locais, celebrando Samhain em outra época do ano ou mantendo a data tradicional de outubro, conforme suas convicções.

Fernanda reconhece essas diferentes interpretações e explica que cada tradição encontra sua maneira de vivenciar o calendário. Ela também não vê oposição entre o significado espiritual do período e as comemorações populares.

“Não vejo problema em celebrar o lado divertido do Halloween, mas, como bruxa, também valorizo o significado espiritual do Samhain.”

Para Fernanda, a principal diferença é que sua espiritualidade não termina quando as fantasias são guardadas e as decorações retiradas.

“A bruxaria não se resume a uma data comemorativa. Ela faz parte de quem sou e da maneira como escolhi viver minha espiritualidade durante todo o ano.”

Se pudesse conversar com uma mulher perseguida como bruxa, o que diria?

Diante de uma pergunta que aproxima passado e presente, Fernanda não começa com uma resposta sobre feitiços, rituais ou conhecimentos perdidos. Ela prefere imaginar a pessoa que existia por trás da acusação.

“Acho que, antes de qualquer palavra, eu gostaria de ouvir sua história. Saber quem ela era, como vivia, quais eram seus sonhos e tudo aquilo que lhe foi tirado simplesmente porque alguém decidiu transformá-la em uma ameaça.”

Depois, gostaria de contar a essa mulher que, séculos mais tarde, existem pessoas que podem se declarar bruxas publicamente, estudar, escrever e escolher suas próprias tradições espirituais. Mas também reconheceria que a liberdade de crença ainda convive com episódios de intolerância e discriminação.

“Talvez eu não tivesse palavras capazes de reparar o que ela sofreu. Nenhuma palavra poderia devolver os anos perdidos, a liberdade ou a vida de tantas pessoas injustamente condenadas.”

Fernanda considera importante lembrar que muitas das mulheres perseguidas sequer praticavam bruxaria. Eram pessoas que perderam a liberdade, a reputação ou a própria vida por acusações que não deveriam defini-las.

“Eu gostaria de dizer que ela merece ser lembrada pelo ser humano que foi, e não pela acusação que fizeram contra ela.”

Afinal, o que significa ser bruxa no século XXI?

Quase três décadas depois de iniciar sua devoção a Hécate, Fernanda não afirma ter encontrado todas as respostas que procurava quando adolescente. Pelo contrário . A possibilidade de questionar, mudar de opinião e reconstruir suas próprias convicções continua sendo um dos aspectos mais importantes de sua trajetória.

A bruxaria, para ela, não oferece controle absoluto sobre a vida nem elimina dificuldades, perdas ou inseguranças.

“Sou uma mulher com qualidades, defeitos, inseguranças e questionamentos. Não preciso corresponder à imagem de alguém que possui todas as respostas simplesmente porque escolheu seguir um caminho espiritual.”

É nessa humanidade que a história da entrevistada se distancia da personagem criada pelo cinema e pela literatura.

Entre estudos sobre plantas, responsabilidades familiares, rituais, experiências pessoais e reflexões sobre a própria existência, Fernanda construiu uma identidade que não depende de demonstrações sobrenaturais.

E, quando pensa no que gostaria de transmitir às próximas gerações, sua mensagem não é sobre como realizar um feitiço ou interpretar um símbolo. É sobre a liberdade de viver sem precisar corresponder às expectativas alheias.

“Talvez um dos meus maiores aprendizados tenha sido entender que posso mudar de opinião, rever minhas crenças e recomeçar quantas vezes forem necessárias, sem deixar de ser quem sou.”

Em pleno século XXI, enquanto as bruxas continuam aparecendo nas telas e nas fantasias de Halloween, Fernanda encontra o verdadeiro significado dessa palavra não em poderes extraordinários, mas na possibilidade de escolher seu próprio caminho . E, se pudesse fazer uma promessa às mulheres perseguidas séculos atrás, seria esta:

“Continuar defendendo o direito de cada mulher existir, pensar, acreditar e escolher seu próprio caminho sem ser perseguida por isso.”

Entrevista exclusiva ao Tribuna de Jundiaí; contextualização histórica apoiada em registros de instituições de pesquisa e acervos históricos.

Reportagem completa: https://tribunadejundiai.com.br/cidades/jundiai/moradora-de-jundiai-conta-como-e-ser-bruxa-no-seculo-xxi/

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