Nesse processo, plataformas de infraestrutura financeira, assessorias de investimentos e agentes autônomos podem ajudar a ampliar a distribuição de ativos tokenizados e o acesso ao mercado de capitais, avaliam especialistas ouvidos pela Broadcast , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Felipe Siqueira, cofundador da Atlas Inc., plataforma global de infraestrutura financeira voltada aos mercados privados, afirma que a empresa incentiva a aproximação de consultores de investimentos e agentes autônomos com empresários que buscam alternativas ao crédito bancário.
A proposta é ampliar o acesso ao financiamento por meio de operações estruturadas de acordo com as necessidades de cada negócio, inclusive para incorporadores imobiliários, com tíquetes menores.
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Atlas registra ativos na XRP Ledger
Recentemente, a Atlas passou a registrar em blockchain pública a titularidade de ativos regulados. A operação utiliza a XRP Ledger e começou com cerca de R$ 10 milhões distribuídos sob a Resolução CVM 88.
Cada investidor recebe uma carteira individual, criada automaticamente, e sua posição passa a ser representada também por um token na rede.
“Hoje, a primeira emissão tokenizada da Atlas passou a existir também na XRP Ledger. É a mesma oferta regulada, o mesmo patrimônio separado, agora com registro on-chain. Não lançamos um token: transformamos nossa esteira. Nossa missão é levar investimentos a qualquer lugar do mundo, e um ativo regulado registrado em rede pública é o que torna isso possível”, afirma Siqueira.
Segundo o executivo, a estrutura mantém as condições da oferta original.
O investidor continua acessando o mesmo ativo, com os mesmos direitos e pelo mesmo login, sem precisar criar uma carteira de criptoativos, comprar criptomoedas ou pagar taxas de rede.
A novidade, de acordo com a Atlas, é a possibilidade de consultar e verificar sua posição diretamente na blockchain, sem depender de um intermediário para essa conferência.
Assessorias entram na estratégia de distribuição
O movimento também aparece em outras empresas, como a Chainless, plataforma brasileira de investimentos on-chain da Notus Labs.
O cofundador e CEO da companhia, Kevin Voigt, afirma que a empresa está nos estágios iniciais de conversas com assessorias de investimentos independentes para explorar possíveis parcerias.
Segundo Voigt, os contatos buscam entender o funcionamento dessas assessorias, identificar oportunidades de colaboração e avaliar como as empresas podem complementar suas atividades.
A intenção é combinar a experiência dos profissionais na distribuição de investimentos com a infraestrutura da Chainless para ativos on-chain.
“Hoje, conversamos com quem temos acesso, de certa forma, para aprender. Acho que existe muito a ganhar no mercado quando você se aproxima. Há um mundo em que a gente vira parceiro dessas empresas, em que elas trazem o know-how. Estamos entendendo como funcionam, qual é a oportunidade e explorando uma relação ganha-ganha”, diz Voigt.
Mercado de ativos tokenizados chega a US$ 39,2 bilhões
O potencial de expansão desse mercado também aparece em levantamentos sobre a tokenização de ativos do mundo real, conhecidos pela sigla RWA, do inglês real-world assets .
O Brazil Tokenization Report, estudo realizado pela Nexa com dados até agosto de 2026, apontou que o mercado global desses ativos cresceu 26 vezes em três anos, alcançando US$ 39,2 bilhões, excluídas as stablecoins.
O Brasil respondia por cerca de US$ 1,95 bilhão desse total.
Tokenização pode reduzir custo de registro
Na avaliação da Atlas, a tokenização pode ajudar a reduzir uma das barreiras para emissões de menor porte: o custo fixo da infraestrutura tradicional do mercado de capitais.
Em operações menores, despesas com registro e estruturação podem representar uma parcela significativa do valor captado, tornando economicamente inviáveis algumas ofertas.
Com o registro em blockchain pública, a empresa afirma que o custo marginal de registro por investidor pode cair para valores da ordem de centavos.
Isso permitiria utilizar a mesma infraestrutura em emissões de diferentes tamanhos, ampliando o conjunto de operações que podem chegar ao mercado.
O efeito sobre os custos totais, porém, depende também das demais despesas envolvidas na estruturação, distribuição e manutenção de cada oferta.
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