# Amazônia Imersiva atravessa o Atlântico e leva arte contemporânea amazônida a Portugal

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/10/31/amazonia-imersiva-atravessa-o-atlantico-e-leva-arte-contemporanea-amazonida-a-portugal.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-31T13:27:01.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1449825-amazonia-imersiva-atravessa-o-atlantico-e-leva-arte-contemporanea-amazonida-a

> Amazônia Imersiva segue em cartaz até abril de 2027

Durante séculos, a Amazônia foi retratada na Europa pelo olhar de viajantes e colonizadores. Agora, são artistas da própria região que levam suas obras e narrativas ao outro lado do Atlântico. Criada em Belém, a exposição Amazonia Immersive Art estreia internacionalmente na cidade do Porto, em Portugal, com pinturas, fotografias e vídeos transformados em projeções monumentais. Sob direção artística das paraenses Roberta Carvalho e Aíla, a mostra ocupa a Casa das Máquinas até 30 de abril de 2027.

O projeto tem à frente duas artistas paraenses: Roberta Carvalho, responsável pela direção artística e curadoria de artes visuais, e Aíla, que assina a direção artística e musical. A exposição combina arte contemporânea, saberes ancestrais e tecnologia para apresentar diferentes perspectivas sobre a Amazônia a partir da produção de artistas da própria região.

A chegada da mostra a Portugal também marca uma inversão simbólica na relação histórica entre os dois territórios. Durante séculos, a Amazônia foi retratada por viajantes e colonizadores europeus. Agora, artistas amazônidas apresentam suas próprias narrativas ao público português.

“Agora, são os próprios artistas amazônidas que chegam ao Porto com suas imagens, linguagens e narrativas, propondo um novo encontro entre territórios que compartilham uma longa história”, afirma Roberta Carvalho, diretora artística e curadora de artes visuais do projeto.

Arte e tecnologias ancestrais

A experiência imersiva transforma a maneira de apresentar obras de arte. Fotografias, pinturas e vídeos se expandem pelas paredes, criando ambientes que aproximam o público de diferentes perspectivas sobre memória, identidade, território e ancestralidade.

A proposta também coloca em diálogo diferentes formas de tecnologia. Ao lado dos recursos digitais de imagem e som, estão conhecimentos desenvolvidos há gerações pelos povos da floresta, presentes nas relações com a natureza, nas formas de organização coletiva e na transmissão de saberes.

Amazônia Imersiva teve sua primeira edição na Casa das Onze Janelas, em Belém, onde reuniu cerca de 30 artistas e coletivos do Brasil e do exterior. Com um público de mais de 30 mil visitantes, a programação incluiu projeções em 360 graus, instalações, apresentações musicais e experiências audiovisuais que aproximaram diferentes linguagens da produção artística amazônica.

Exposição em três salas

No Porto, o percurso está organizado em três salas. A primeira, Refloresta, de Roberta Carvalho, apresenta imagens que entrelaçam a floresta e seus povos. Árvores, rostos e outras presenças se encontram em uma composição que questiona a separação entre natureza e cultura, revelando as relações entre pessoas, territórios e modos de vida.

A segunda sala concentra a experiência de projeção imersiva, com obras de sete artistas e coletivos: o MAHKU, coletivo de artistas indígenas do povo Huni Kuin; a fotógrafa paraense Elza Lima; a artista visual maranhense Gê Viana; o artista visual Hal Wildson; a artista indígena peruana Olinda Silvano, do povo Shipibo-Konibo; o artista indígena amazonense Paulo Desana; e o artista paraense PV Dias. Suas produções ganham novas dimensões em projeções que aproximam diferentes linguagens, gerações e experiências amazônicas.

A terceira sala é dedicada à ancestralidade e à escuta. O ambiente reúne obras do escritor e pensador indígena Ailton Krenak, primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras; da artista visual e cineasta negra amazonense Keila Sankofa, cuja obra aborda ancestralidade e memória negra na Amazônia; do artista e escritor indígena Jaider Esbell (in memoriam), do povo Makuxi; e de Ronaldo Guedes, artista marajoara e mestre ceramista ligado aos saberes da cerâmica tradicional. A experiência inclui ainda um cântico da cantora indígena Djuena Tikuna, em língua tikuna, junto com Aíla.

Música indígena e ritmos amazônicos

A trilha sonora é parte fundamental da experiência imersiva. Assinada pelo artista e produtor musical indígena amazonense Nelson D, reúne a cantora paraense Aíla; Cashi Silva; Agojy de Exu, DJ e artista de música afro-indígena; Cláudio Lavôr, compositor e produtor audiovisual de Roraima; a cantora indígena Djuena Tikuna, do Amazonas; Ibã Sales Huni Kuin, mestre dos cantos tradicionais do povo Huni Kuin; Mestre Dikinho (in memoriam), referência do carimbó marajoara, e o grupo Tambores do Pacoval, de Soure; além de Olinda Silvano, artista indígena peruana do povo Shipibo-Konibo.

Criada em diálogo direto com as projeções, a trilha foi pensada e composta para acompanhar cada movimento das imagens, integrando som e visualidade em uma mesma experiência. Cantos tradicionais, diferentes línguas e experimentações contemporâneas se entrelaçam às imagens, construindo uma paisagem sonora que carrega histórias, memórias e conhecimentos de diferentes territórios amazônicos.

“Entre expressões ancestrais e criações contemporâneas, a trilha afirma a pluralidade das Amazônias e sua potência de reinvenção, fazendo do som também um território de pertencimento, encontro e resistência”, afirma Aíla, diretora artística e musical do projeto.

Amazonia Immersive Art

Local: Casa das Máquinas, Porto, Portugal Abertura ao público: 29 de outubro de 2026 Em cartaz até: 30 de abril de 2027

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Reportagem completa: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/10/31/amazonia-imersiva-atravessa-o-atlantico-e-leva-arte-contemporanea-amazonida-a-portugal.ghtml

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