A taxa de letalidade é de quase 50%. Outras 2.788 pessoas se recuperaram da doença.

Causado pelo vírus Bundibugyo, o surto foi declarado em meados de maio e se tornou o segundo mais mortal da história, ficando atrás apenas da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, quando 11 mil pessoas morreram em diferentes países.

Desde maio, a doença se espalhou por 67 das 178 zonas de saúde do Congo, distribuídas em oito das 26 províncias.

A maior concentração de casos está no leste do país, especialmente nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, que somam 9.782 casos confirmados e 4.792 mortes.

“É um marco muito trágico porque não se trata apenas de um número”, disse o médico Patrick Otim, gerente de área de programas da Organização Mundial da Saúde (OMS). “São famílias e comunidades devastadas por esse surto.”

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Um terço das vítimas morreu sem receber atendimento

Um dos obstáculos para conter a transmissão é a dificuldade de rastrear os contatos das pessoas infectadas.

Segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), cerca de 80% dos novos casos estão fora das cadeias de contatos monitoradas pelas autoridades.

Para ter ideia, um terço das pessoas que morreram não chegou a receber atendimento em centros de tratamento. As vítimas morreram antes mesmo de serem testadas, segundo Otim.

“São pessoas que nunca tivemos a oportunidade de tentar salvar, e essa é uma das nossas maiores preocupações neste surto. Como podemos chegar às pessoas mais cedo e fazer com que procurem unidades de saúde para ter uma chance real de sobreviver?”, questionou o representante da OMS.

Conflitos e greves dificultam combate ao ebola

A resposta à doença também enfrenta dificuldades por causa dos conflitos armados no leste do país, da resistência de parte da população às medidas de saúde e das greves de profissionais que estão sem receber salários.

Na sexta-feira, 30, funcionários de um centro de tratamento em Tchomia, na província de Ituri, interromperam as atividades para cobrar quatro meses de pagamentos atrasados.

A unidade atende cinco pacientes com diagnóstico confirmado e dez casos suspeitos.

Surto ultrapassa fronteiras do Congo

O surto também ultrapassou as fronteiras congolesas.

Em outubro, Quênia e Nigéria confirmaram casos da doença. O Quênia registrou oito infecções e duas mortes. Na Nigéria, o único paciente com diagnóstico confirmado foi transferido para a Suíça. Casos também haviam sido registrados em Uganda.

Com registros em três regiões africanas, o atual surto é considerado o de maior alcance geográfico já observado no continente.

O que é o ebola?

Ebola é uma doença infecciosa grave causada por vírus da família Filoviridae. Existem diferentes espécies capazes de provocar a doença, entre elas a Zaire, a Sudan e a Bundibugyo.

Esta última é a responsável pelo surto atual na República Democrática do Congo.

A infecção é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida de animais para seres humanos. Acredita-se que morcegos frugívoros sejam hospedeiros naturais dos vírus ebola, embora essa relação ainda seja estudada.

A transmissão entre pessoas acontece pelo contato direto com sangue ou outros fluidos corporais de alguém infectado, vivo ou morto, ou com objetos contaminados por esses fluidos.

Não é uma doença transmitida pelo ar, como a gripe ou a covid-19.

Quais são os sintomas do ebola?

Os principais sintomas são:

Febre alta e repentina;

Dor de cabeça e dores musculares;

Diarreia e vômitos;

Em casos graves, hemorragias e falência de órgãos.

Vírus Bundibugyo não tem vacina específica aprovada

A espécie Bundibugyo recebeu esse nome por ter sido identificada pela primeira vez em 2007, no distrito de mesmo nome, em Uganda.

Ela é diferente da espécie Zaire, responsável por alguns dos maiores surtos de ebola já registrados, incluindo a epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.

Essa diferença tem implicações importantes para o controle da doença. As vacinas e os tratamentos desenvolvidos contra a espécie Zaire não têm eficácia comprovada contra a Bundibugyo.

Ou seja: até o momento, não há vacina nem terapia específica aprovada para essa espécie. Os pacientes recebem cuidados de suporte, com medidas para aliviar os sintomas e tratar possíveis complicações.

(COM INFORMAÇÕES DA AP)

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