Um dos grandes nomes com passagens de sucesso por Grêmio e Atlético-MG, rivais na semifinal da Copa do Brasil, Ronaldinho Gaúcho teve momento marcante na carreira em 2012, quando vestia a camisa do Galo. Justamente na sua última partida no antigo estádio Olímpico, palco onde surgiu para o futebol.
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Quem lembra do reencontro do Ronaldinho Gaúcho com o Grêmio?
Naquela noite, o Atlético de Ronaldinho venceu o Grêmio por 1 a 0, e o astro fez um raro desabafo. Hostilizado pela torcida durante toda partida, o jogador explodiu no túnel ao deixar o gramado rumo ao vestiário.
Toda vez que tocava na bola, Ronaldinho era vaiado ou chamado de pilantra pelos tricolores. Nas arquibancadas, ainda houve uma faixa ofensiva à mãe do craque, Dona Miguelina. Fatos que geraram indignação no craque, cuja imagem perante a torcida do Grêmio havia sido arranhada no ano anterior, quando voltou ao Brasil para jogar no Flamengo.
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— Ronaldo é muito expressivo. Você via a vontade dele de entrar em campo. Tinha um querer a mais. Nunca chegou a comentar nada sobre alguma coisa, mas foi um jogo diferente para ele, especial. A vibração dele no meu gol. Realmente mexeu com ele. Descemos para o túnel e ele gritava, vibrava — relembra Jô, autor do gol da vitória no Olímpico.
Jô relembra gol contra o Grêmio em retorno de Ronaldinho ao Olímpico
A postura indignada apareceu no terceiro confronto contra o Grêmio, o segundo no Olímpico e primeiro pelo Galo. Ronaldinho já tinha vencido por 2 a 0 pelo Flamengo em 2011, no Nilton Santos, inclusive com gol marcado.
Na primeira vez que atuou no Olímpico, perdeu por 4 a 2. Na ocasião, também ouviu xingamentos, viu uma faixa como se fosse Judas, outras com pilantra e cifrões e cédulas falsas de R$ 100 com o seu rosto.
Era o ápice de uma mágoa da torcida gremista que começara 10 anos antes, quando Ronaldinho deixou o clube rumo ao PSG em uma negociação cercada por disputa contratual e acusações de descumprimento de acordo. Em 2011, o jogador negociou com o Grêmio, mas acertou com o Flamengo. A relação se deteriorou de vez.
— Teve aquela situação de ele voltar. Estava praticamente tudo certo, mas em cima da hora foi para o Flamengo. Mexeu muito com ele por ser gremista, a história que teve no clube. Uns torcedores o vaiaram, outros aplaudiram. Ele tem gratidão pelo Grêmio, mas queria mostrar. Não é fácil jogar contra o clube que o revelou — diz Jô.
Ronaldinho pelo Atlético-MG contra o Grêmio, no Olímpico, em 2012 (imagem melhorada com IA)
Vinícius Costa / Agência Estado
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A passagem pelo Flamengo durou pouco mais de um ano, e em meados de 2012 o craque foi anunciado como reforço do Atlético-MG. A chegada pegou quase todos de surpresa. Jô, Bernard e outros jogadores ficaram incrédulos quando viram Ronaldinho desembarcar de helicóptero para se apresentar ao grupo.
— Trocamos mensagens e ele já sabia, obviamente. Perguntou como eu estava e como era no Galo, mas não disse nada. Nem desconfiei. Para minha surpresa, na terça, ele estava ali. Foi legal — recorda Jô.
Em campo, R10 afastou qualquer dúvida. Aposta de Cuca, que o conhecia desde pequeno, voltou a brilhar, escudado por Bernard, Danilinho e Jô. Levou o Galo ao vice-campeonato brasileiro, só atrás do Fluminense.
Torcida do Grêmio vaia Ronaldinho, mas Atlético-MG vence em pleno Olímpico
E o Grêmio?
Campeão da Libertadores em 2013, Ronaldinho colocou seu nome na história do Atlético. Por outro lado, nunca conseguiu recuperar os laços com o Grêmio. Revelado no Olímpico, o jogador costuma homenagear o clube nas redes sociais e já houve tentativas de retomar a ligação.
Treinador da Seleção no pentacampeonato de 2002, Felipão é um dos líderes deste movimento. Ídolo gremista e atual coordenador técnico, revelou ao ge o desejo de reaproximar o astro ao Tricolor.
— Ele ainda não tem essa relação, mas já falamos dez vezes aqui dentro: tem de trazer o Ronaldinho aqui. Precisamos ter essa amizade, o carinho pelo Ronaldinho. Que faça parte do nosso grupo, do nosso Grêmio, porque ele é nosso, ele é gremista. Criou-se uma situação absurda e que não precisa ser levada em frente. Não precisa! Ele é nosso, é espetacular, é querido aqui, é da família — disse Felipão.
Felipão quer reaproximar Ronaldinho Gaúcho do Grêmio
A tarefa não será fácil. Parte da torcida, até hoje, demonstra mágoa com Ronaldinho. Se em Belo Horizonte o craque ocupa lugar cativo entre os maiores ídolos da história atleticana, ao lado de Reinaldo e Hulk, em Porto Alegre a reconciliação segue emperrada.
O túnel da Arena, onde Ronaldinho esteve duas vezes, ambas pelo Atlético, exibe grandes momentos da história do Grêmio. Mas até hoje sem espaço para o astro nascido no clube.

