No laboratório, alunos de diferentes idades têm contato com assuntos como física das cores, estruturas de moléculas e cálculos elaborados . Temas que podem parecer complexos para muitos estudantes acabam despertando ainda mais a curiosidade dos participantes, que encontram no projeto um ambiente para explorar e aprofundar conhecimentos.

A iniciativa, que promove atividades voltadas a esse público, completou dois anos de funcionamento. O o bjetivo é oferecer oportunidades de aprendizado que nem sempre são encontradas no ensino tradicional.

Aprendizado além da sala de aula

As oficinas são organizadas por estudantes da Faculdade de Tecnologia da Unicamp, sob a coordenação do professor Yuri Meyer. Ele também tem altas habilidades e explica que o modelo tradicional de ensino nem sempre atende às necessidades de alunos com superdotação.

“O nosso próprio sistema de ensino é mecanizado, é o sistema enraizado da ‘decoreba’ das coisas. E o portador de altas habilidades ou superdotação não quer simplesmente aceitar esse processo de mecanização, ele quer entender o porquê das coisas”, comentou.

Além de aprofundar conhecimentos, o projeto busca proporcionar a convivência entre estudantes com características e interesses semelhantes. Para Meyer, as atividades também permitem que os participantes tenham contato com novas ideias e experiências.

“Acho que o ganho ali é que a gente tem uma questão social, então você está juntando um grupo de alunos com as mesmas características intelectuais e, ao mesmo tempo, estamos promovendo aquilo que falta dentro das escolas: trabalhar projetos, novas ideias e novos fomentos. Os alunos que vêm até as nossas oficinas recebem todo esse amparo e esse cuidado por nossa parte”, explicou o coordenador.

Associação reúne famílias de crianças superdotadas

A iniciativa também aproximou famílias que vivem experiências semelhantes. Em 2024, uma das mães de crianças participantes do projeto criou uma rede de apoio para reunir responsáveis e compartilhar informações. O movimento deu origem a uma associação que atualmente tem 160 crianças e adolescentes cadastrados, com idades entre 3 e 18 anos.

A entidade atua principalmente no encaminhamento dos estudantes para as atividades oferecidas em parceria com a universidade e também para atendimentos em educação especial.

Segundo a psicopedagoga Maraiza Nocolini, o ambiente das oficinas permite que os participantes escolham as atividades de acordo com os próprios interesses e habilidades, o que favorece a interação e o aprofundamento dos conhecimentos.

“Nesse ambiente, eles conseguem escolher as oficinas que querem participar de acordo com os interesses e as habilidades que têm. Então, eles participam, interagem, perguntam e aprofundam pensamentos, diferente do ambiente escolar”, explicou.

A convivência também é um dos pontos destacados pela profissional . “Eles conseguem conversar, conseguem ter essa profundidade de pensamento, então as amizades acabam fluindo melhor”, acrescentou.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294 .

Número de estudantes com altas habilidades cresce em SP

O projeto acompanha um cenário de maior identificação de estudantes com superdotação na rede de ensino. Em 2025, o número de alunos com altas habilidades ou superdotação matriculados na educação básica do estado de São Paulo chegou a 5.660, um aumento de quase 30% em relação ao ano anterior.

A identificação pode começar a partir de mudanças de comportamento observadas em casa ou no ambiente escolar . Entre os sinais que chamam a atenção estão a inquietação e os questionamentos frequentes, que podem levar as escolas a investigar as necessidades de cada estudante.

“Um comportamento mais agitado, mais desafiador, eles acabam ficando mais inquietos na sala de aula. E é exatamente isso que motiva as escolas a encaminharem e descobrirem o motivo desse comportamento. É por isso que eles vão para a avaliação e, muitas vezes, são descobertas as altas habilidades cognitivas”, explicou Maraiza.

A psicopedagoga ressalta que a superdotação não é uma doença ou um transtorno, mas uma condição relacionada ao funcionamento cognitivo.

“A superdotação não é um transtorno, não é uma doença, ela não tem CID (Classificação Internacional de Doenças), ela é uma condição de funcionamento. É um cérebro que funciona diferente e isso passa para todo o corpo, então a maneira de pensar, sentir, agir, processar as informações e também de se desenvolver são diferentes”, afirmou.

Projeto também incentiva futuros pesquisadores

Além das oficinas, a iniciativa também abriu espaço para projetos acadêmicos desenvolvidos por estudantes da área de Sistemas de Informação . Duas alunas criaram uma espécie de rede social voltada a crianças e adolescentes com altas habilidades , ampliando as possibilidades de interação entre os participantes.

Para o coordenador Yuri Meyer, o trabalho também representa uma oportunidade de aproximar esses jovens do ambiente universitário e despertar o interesse pela pesquisa desde cedo.

“Estamos trabalhando para isso, para que, no futuro, essas crianças um dia cheguem aqui com a vontade de estudar na universidade. Temos crianças que já chegam comentando sobre a vontade de ingressar ali como aluno, depois como pesquisador. Então, com o projeto, acredito que fortalecemos não apenas o ensino, mas também a pesquisa nacional”, contou.

Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui !

O post Projeto da Unicamp ajuda crianças e adolescentes superdotados a desenvolver habilidades apareceu primeiro em ACidade ON Campinas .