Como uma sexta-feira em Porto Alegre e um almoço no shopping mudaram o rumo da história do Atlético-MG em 2012? Foi na capital gaúcha, palco do jogo de ida entre Galo e Grêmio pela semifinal da Copa do Brasil, que reuniões foram fechadas para a contratação do jogador que virou 'Santo' e foi o principal responsável pelo título da Libertadores no ano seguinte.
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A negociação pela contratação do goleiro Victor envolve mistérios, conversas relâmpagos e quase uma reviravolta. O ge conta bastidores da saída do ex-jogador do Grêmio para se transformar em um dos principais ídolos da história alvinegra
Um dia agitado em Porto Alegre
Em 2012, Victor Bagy era um dos principais nomes do time gaúcho. Estava no clube há quatro anos, titular incontestável, líder do grupo e com grande idolatria por parte da torcida.
A sexta-feira, 28 de junho daquele ano, na capital gaúcha, foi certamente um dos dias mais agitados da carreira do gole.
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Victor com a camisa do Grêmio
O defensor treinou normalmente para enfrentar justamente o Galo dois dias depois na cidade. Após a atividade no CT do Grêmio, o nome dele não constava na relação para o jogo. Estava prestes a passar o limite de partidas para se transferir para outro clube do futebol brasileiro.
Mas a ideia da transferência começou antes, em 2010. O motivo? A ausência do nome de Victor na lista de Dunga para a Copa do Mundo da África do Sul. No entendimento de Fábio Mello, que cuidava da carreira do jogador, era momento de um novo projeto.
----- A partir do momento da não convocação para a Copa de 2010, com o Dunga de técnico, nós começamos a entender que o ciclo dele no Grêmio estava encerrado. O Kalil e a torcida do Atlético exigiam um goleiro que passasse mais tranquilidade. Naquele momento, comecei a trabalhar o nome dele no clube, com o Maluf (diretor de futebol na época). Começamos um namoro.
— Só que o Grêmio não queria vender, e o Atlético estava sem tanta convicção. Recebi a autorização do Kalil (presidente do Galo) para fazer a operação. Com a recusa do departamento de futebol do Grêmio, contactei o VP financeiro do clube. E eles precisavam de caixa. Era uma proposta irrecusável. Na hora em que apresentei a proposta para o diretor, ele disse precisar fazer essa operação.
Eduardo Maluff (diretor do Atlético). à esquerda, Fábio Mello, ao centro, e Victor, durante uma reunião no clube
Do lado do goleiro, a informação chegou na sexta-feira, quando foi comunicado da proposta do Galo pelo Grêmio.
— Nesse dia, no final da tarde, tive uma conversa com a diretoria do Grêmio para entender a situação. Eles me comunicaram que me fizeram uma contraproposta. Recebi uma ligação do Cuca (técnico do Atlético), conversamos por alguns minutos — contou Victor ao ge.
Mello comunicou a Victor a transferência logo depois do treino, durante um almoço em um shopping de Porto Alegre.
— Peguei o Victor no Olímpico e fomos ao shopping. Precisava de um ambiente informal para comunicá-lo de que a operação foi concretizada. Sentamos em um café e disse: "Está preparado? Você é o novo goleiro do Atlético".
— Liguei para o Kalil para ele conversar com o Victor. Dali, fomos para a casa dele, um momento bem marcante, com ele bem emocionado. Já estávamos nos preparando para a despedida.
Empresário conta bastidores do acerto de Victor com o Atlético-MG em 2012
A velocidade com que o acordo foi finalizado foi tamanha - e de forma tão surpreendente -, que, na mesma semana, Victor chegou a visitar a obra da Arena do Grêmio, naquele momento em construção. Um bastidor revelado exclusivamente ao ge.
— A negociação foi rápida. O anúncio foi feito na sexta-feira. Foi um dia bastante agitado. Eu era capitão do Grêmio, já tinha feito seis jogos pelo Brasileiro (se jogasse o sétimo, não poderia mudar de time). Treinei com os titulares e acabei não sendo relacionado pela questão do regulamento.
Na mesma semana da negociação, eu fui à obra da Arena do Grêmio para ver o mapa de camarotes. Eu queria comprar.
Victor com os capacetes do dia que foi visitar a Arena MRV, com os seus nomes.
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Com tudo acertado entre os clubes, faltava a assinatura para a oficialização. Mas um tuíte do então presidente do Atlético, Alexandre Kalil, fez o negócio quase melar na manhã de sábado. Em BH, o dirigente tuitou: “Torcida mais chata do Brasil, se o problema era goleiro, não é mais. Victor é do Galo!”.
Presidente do Atlético na época anuncia a contratação de Victor.
As partes precisaram trabalhar para, mais uma vez, convencer o time gaúcho a seguir com o acordo.
— Essa tuítada deu muito trabalho na concretização do negócio. Foi um momento de desespero. O Grêmio nos cobrou essa posição do Atlético a ponto de o advogado do Galo ter que pegar um voo na mesma hora e tratar disso pessoalmente. Passou alguns dias fazendo ajustes.
— Tivemos que fazer composições além do que tinha sido combinado. O Werley entrou no negócio (foi emprestado ao Grêmio). Acabou que tudo deu certo.
A troca resultou na contratação de um dos principais ídolos do Atlético, protagonista da conquista da Libertadores de 2013. No Galo, o goleiro disputou 424 partidas: 205 vitórias, 109 empates e 110 derrotas. Participou de seis conquistas como atleta e duas como dirigente, aparecendo como um dos maiores nomes da história atleticana.
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