A Piracema ocorre quando diversas espécies nadam contra a correnteza em direção às cabeceiras dos rios para se reproduzir. Durante esse processo, os animais ficam mais vulneráveis à captura, motivo pelo qual a legislação estabelece limitações à atividade pesqueira.

A Polícia Militar Ambiental informou que realizará fiscalizações diariamente durante o período. Quem desrespeitar as regras poderá receber multas e responder criminalmente.

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Peixes subindo o Rio Piracicaba durante o período de Piracema — Foto: Gabriela Lopes/Arquivo pessoal

Pescadores defendem preservação dos rio

Em Piracicaba, a chegada da Piracema é vista por pescadores como uma medida necessária para manter a população de peixes nos rios.

O aposentado Luis Arvati afirma que respeitar o período de reprodução é uma forma de preservar a atividade para as próximas gerações. Ele conta que a neta gosta de frequentar o rio e de pescar, o que reforça sua preocupação com o futuro das espécies.

“Como eu tenho neta que gosta do rio e gosta de pescar, então eu tenho que preservar também, porque senão vai acabar. A turma pensa que não acaba, mas acaba”, disse.

O motorista Gilmar Cândido também considera as restrições importantes. Ele reconhece que, no passado, era comum a captura de peixes além do necessário e acredita que a proteção durante a reprodução ajuda a evitar a redução das populações nos rios.

“Acho muito válido porque eu sou de uma época que a gente acabou desperdiçando muito peixe sem necessidade durante as pescarias. Aí vem a história da Piracema pra poder ajudar, senão não tem mais peixe, como meus netos ficarão?”, afirmou.

Veja o que muda durante a Piracema

Segundo a Polícia Ambiental de Piracicaba, as restrições incluem a ampliação das áreas de proteção próximas a corredeiras e barragens, onde a concentração de peixes pode ser maior.

Entre as regras destacadas pela corporação estão:

Corredeiras: a área de restrição à pesca foi ampliada de 200 para 500 metros.

Barragens: a distância de proteção passou para 1.500 metros, tanto a montante quanto a jusante das estruturas.

Pesca de barranco: permanece permitida apenas para espécies não nativas, como tilápia e jurupensém, respeitadas as demais condições legais.

O sargento Luiz Frederico da Silva Fortes, da Polícia Ambiental de Piracicaba, explicou que as áreas de corredeiras terão atenção especial dos agentes, por serem importantes para o deslocamento e a reprodução dos peixes.

Multas podem ser aplicadas a quem descumprir as regras

A Polícia Ambiental alerta que a pesca em locais ou períodos proibidos pode resultar em autuação administrativa e responsabilização criminal.

Segundo o sargento, a multa básica é de R$ 1 mil, com previsão de aplicação em dobro durante a Piracema, além de acréscimo de R$ 20 por quilo ou espécie capturada, conforme a infração.

A fiscalização será mantida até o encerramento do período de proteção, em 28 de fevereiro de 2027.

A orientação é que os pescadores consultem as regras antes de iniciar a atividade, especialmente em trechos próximos a barragens e corredeiras, para evitar infrações e contribuir com a preservação dos rios.

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