O pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, suspeito de matar a ex-companheira Priscila Lacerda Custódio, de 24, briga na Justiça por uma herança que o pai deixou a ele e a uma das irmãs.

A EPTV, afiliada da TV Globo, apurou que o processo já dura, pelo menos, 15 anos, e envolve justamente a propriedade em Rifaina (SP) onde Bolelli e Priscila se encontraram na terça-feira (27), quando ele atirou na jovem e a matou.

A área fica às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334) e é alvo de uma disputa judicial entre o pecuarista e a meia-irmã.

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A EPTV teve acesso ao processo, que diz que a terra foi herdada pelos dois, que fizeram um acordo de arrendamento, que não foi respeitado por parte de Bolelli.

🔎O arrendamento é uma espécie de aluguel de um imóvel, onde o proprietário cede o uso da terra para uma pessoa e recebe um valor pré-acordado.

Segundo o processo, o valor inicial a ser pago pelo uso da terra era de R$ 17 mil, mas ele não foi cumprido e a meia-irmã acionou a Justiça para receber o dinheiro. Atualmente, o valor devido ultrapassa os R$ 540 mil.

O g1 não conseguiu localizar a defesa do pecuarista até a última atualização desta reportagem.

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Bolelli está foragido desde que matou Priscila e não tinha sido localizado até a última atualização desta reportagem. Contra ele, existe um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça na quarta-feira (28), um dia após o crime. Nesta semana, o advogado disse que analisaria o caso e ainda não tinha tido contato com ele.

João Roberto Bolelli e Priscila Lacerda Custodio

Pecuarista já foi condenado e preso

João Roberto Bolelli foi preso em junho de 2018 por descumprimento de medida protetiva concedida a uma ex-companheira e condenado pela Justiça em 2021 por descumprir uma ordem judicial que o proibia de se aproximar e manter contato com a mulher.

O histórico judicial do pecuarista também inclui uma condenação por vias de fato e outros procedimentos relacionados a ameaças e violência doméstica. Nem todos resultaram em condenação.

No caso investigado como feminicídio em Rifaina, uma amiga de Priscila contou à Polícia Civil que a jovem havia relatado agressões e ameaças feitas por Bolelli quatro dias antes da morte.

Segundo a testemunha, Priscila disse ter sido agredida na sexta-feira (23). A amiga afirmou que chegou a ver as lesões apresentadas pela jovem.

Ainda de acordo com o depoimento, Priscila contou que o pecuarista havia ameaçado dar um tiro na cabeça dela e contratado pessoas para monitorá-la.

A amiga orientou a jovem a não ir sozinha a Rifaina para devolver uma caminhonete de Bolelli. Por isso, ela e o irmão de Priscila decidiram acompanhá-la na viagem.

Caminhonete que Priscila foi a Rifaina devolver ao suspeito. Segundo o boletim, Bolelli fugiu no veículo após o crime

Câmera de segurança

Pecuarista é suspeito de matar jovem 38 anos mais nova

João Roberto Bolelli fugiu depois de atirar e matar a ex-companheira 38 anos mais nova, Priscila Lacerda Custódio.

Ela é natural de Perdizes (MG) e foi até Rifaina, onde o pecuarista vive, na noite de terça-feira para devolver uma caminhonete dele que estava com ela. Os dois tiveram um breve relacionamento, mas estavam separados.

O irmão e uma amiga acompanharam a jovem na viagem porque, segundo relatos deles à polícia, Priscila estava apreensiva e havia relatado agressões e ameaças feitas pelo suspeito na semana anterior.

De acordo com o boletim de ocorrência, Priscila foi baleada durante uma discussão por causa de um celular. O irmão dela afirmou que Bolelli também apontou a arma na direção dele antes de fugir.

Priscila foi socorrida e levada ao hospital de Rifaina, mas não resistiu aos ferimentos. O celular dela foi apreendido e será periciado.

Priscila Lacerda Custodio foi morta a tiro pelo companheiro, João Roberto Bolelli

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