As declarações foram dadas em entrevista aos jornalistas Bianca Gomes e Pedro Augusto Figueiredo, do jornal O Estado de S. Paulo , publicada neste sábado (31.out.2026). Reeleita para o 3º mandato na Câmara dos Deputados, Tabata afirmou que Alckmin reúne experiência política e uma visão econômica capaz de conciliar responsabilidade fiscal e políticas sociais.
Questionada sobre a possibilidade de o vice-presidente assumir a Fazenda, respondeu: “Eu defendo. Agora, importa minha defesa? É uma decisão do presidente Lula”.
Tabata afirmou que o apoio ao nome de Alckmin não representa uma tentativa de ampliar a participação do PSB no governo por meio da distribuição de cargos.
“Mas, de novo, não é porque a gente está interessado em lotear o governo. É porque a gente tem projeto de País. É porque eu sei que o Alckmin, nosso vice-presidente, tem uma visão que concilia o social e o fiscal. E é isso que eu gostaria de ver na Fazenda. Se outras pessoas tiverem também essa visão, ótimo, vou achar lindo também” , declarou.
A deputada disse que o vice-presidente poderia ter uma participação maior na próxima gestão. Citou sua experiência como governador de São Paulo e a atuação nas negociações comerciais relacionadas às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ao comentar os desafios econômicos do novo governo, Tabata defendeu a revisão de benefícios fiscais, a redução das emendas parlamentares e o enfrentamento dos supersalários no setor público. Segundo ela, o ajuste das contas públicas não deve comprometer serviços essenciais.
“Agora, não vamos esquecer o quanto que esse Estado é inchado para as elites. Vamos começar reduzindo as emendas parlamentares? Vamos ter coragem de cortar a isenção fiscal, desconto para empresário que tem amiga em Brasília? Vamos enfrentar os supersalários?” , afirmou.
PREFEITURA DE SP EM 2028
Tabata também afirmou que considera voltar a disputar a Prefeitura de São Paulo nas eleições municipais de 2028. A congressista concorreu ao cargo em 2024, quando terminou em 4º lugar , com 9,91% dos votos válidos.
Segundo ela, uma nova candidatura dependerá de articulações políticas e do trabalho que desenvolverá na Câmara dos Deputados durante o próximo mandato.
“Esse é o meu desejo e é o desejo do meu partido. Mas é uma construção, como sempre é. Conversando com outras pessoas, conversando com quem está aqui na cidade e trabalhando” , declarou.
A deputada disse que continuará acompanhando a administração municipal e voltou a criticar o prefeito Ricardo Nunes (MDB), seu adversário na eleição de 2024.
Tabata questionou a redução da frota de ônibus durante o 2º turno das eleições presidenciais de 2026 e acusou a gestão municipal de mobilizar servidores públicos em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Na entrevista, afirmou considerar que o desempenho eleitoral de Lula na capital paulista demonstra que há espaço para candidaturas de centro.
“São Paulo não é bolsonarista. Isso está claro para todo mundo” , disse.
Tabata também destacou o crescimento da votação do presidente na cidade entre os 2 turnos. Segundo ela, Lula recebeu cerca de 800 mil votos adicionais na capital paulista.
Procurada pelo Estadão , a Prefeitura de São Paulo não havia se manifestado sobre as críticas até a publicação da entrevista.
REGULAÇÃO DAS REDES SOCIAIS
A deputada também afirmou que pretende discutir ainda em 2026 novas regras para a atuação das plataformas digitais durante as eleições.
Segundo Tabata, o tema foi abordado em uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), presidentes de partidos e líderes partidários para tratar de mudanças no sistema político-eleitoral.
A congressista disse ter proposto a elaboração de regras específicas para as redes sociais, com exigências de transparência sobre o financiamento de publicações e o funcionamento dos algoritmos.
“Outra coisa é o algoritmo. Eles não vão abrir o código, mas precisamos do mínimo de transparência. Eu preciso ter convicção de que, numa eleição, o algoritmo não está desenhado para favorecer um partido ou um lado” , afirmou.
Tabata declarou que um grupo de trabalho começará a discutir o tema na próxima semana e que representará o PSB nas negociações. A intenção, segundo ela, é votar as novas regras ainda na atual legislatura.
A deputada também levantou suspeitas sobre a atuação das plataformas durante as eleições de 2026. Disse acreditar que mecanismos de recomendação favoreceram candidaturas ligadas ao bolsonarismo, mas não apresentou, na entrevista, dados que comprovassem uma interferência deliberada.
“Acho que, sim, a população brasileira está mais à direita, mas eu também acho que houve muita interferência por meio das plataformas que distorceram o resultado da eleição” , declarou.

