# Doenças neurológicas atingem quase metade das pessoas nas Américas

- Seção: Política
- Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-saude/doencas-neurologicas-atingem-quase-metade-das-pessoas-nas-americas/)
- Publicado em: 2026-11-01T08:40:38.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1460901-doencas-neurologicas-atingem-quase-metade-das-pessoas-nas-americas

> Cerca de duas em cada 5 pessoas no continente americano convivem com pelo menos uma condição neurológica. Isso representa aproximadamente 470 milhões de portadores de demências, tumores, epilepsia, Parkinson, problemas de…

Os autores mapearam o cenário em 38 países das Américas de 1990 a 2025 quanto à prevalência, à mortalidade e à incapacidade de 19 condições com alta taxa de morbidade e mortalidade precoce. Entre as doenças avaliadas, muitas estão associadas a fatores de risco modificáveis e, portanto, seriam passíveis de prevenção. As principais condições na região, incluindo o Brasil, são enxaqueca, Alzheimer e acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico.

Ao longo dos últimos anos, houve uma queda nas taxas de AVC isquêmico e hemorrágico e um aumento de doenças neurodegenerativas, como esclerose múltipla e doença do neurônio motor. Também houve uma transição da tendência de mortalidade prematura para incapacidade crônica.

Essa transição epidemiológica se deve principalmente a 3 fatores interligados: o envelhecimento da população, que leva a maior prevalência de condições neurológicas e declínio cognitivo acumulado; o aumento da sobrevida; e a melhora no diagnóstico.

“Por conta das melhorias nos cuidados médicos e tratamentos, indivíduos que antes enfrentavam uma mortalidade precoce agora sobrevivem por muito mais tempo. Como consequência, essas pessoas passam a conviver por décadas com sequelas e limitações funcionais de longo prazo”, analisa a neurologista Cristina Gonçalves Massant, do Einstein Hospital Israelita.

É o caso, por exemplo, de condições vasculares e congênitas que antes causavam óbito precoce e agora são tratadas com maior eficácia, permitindo que os pacientes sobrevivam por muito mais tempo. Segundo Massant, o aumento nos registros de transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo, e de doenças neurodegenerativas ou neuromusculares também se deve à maior conscientização e capacidade dos sistemas de saúde de identificar, testar e diagnosticar essas condições.

A contrapartida é uma sobrecarga e maior pressão sobre o sistema de saúde, já que condições crônicas e de longo prazo exigem cuidados continuados, tratamentos multidisciplinares e serviços de reabilitação integrados, bem como grande número de profissionais capacitados. “Reduzir o impacto de condições neurológicas tão heterogêneas e complexas exige cautela com abordagens genéricas” , observa a neurologista.

Ações por toda a vida

O novo levantamento propõe uma estratégia integrada ao longo do curso de vida (life-course approach), combinando a prevenção de fatores de risco modificáveis com o fortalecimento estrutural dos sistemas de saúde, já que em cada etapa os desafios são diferentes.

Na infância e adolescência, o foco deve ser o cuidado com o neurodesenvolvimento. Isso inclui a prevenção da exposição às causas ambientais, já que se estima que quase 60% da carga de deficiência intelectual na América pode ser atribuída ao chumbo, metal que interfere no desenvolvimento do sistema nervoso e que está presente em algumas tintas, encanamentos, entre outros. “É urgente aplicar regulamentações ambientais rígidas, realizar a remediação de áreas contaminadas e prevenir a poluição industrial ativa”, frisa a médica. No caso de transtornos como o autismo, inclui a integração entre os sistemas de saúde, educação e assistência social.

Na juventude e na idade adulta, é preciso atenção aos fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, além do combate ao tabagismo e ao consumo nocivo de álcool, associados, respectivamente, à esclerose múltipla e à epilepsia idiopática. Condições como enxaqueca e epilepsia devem ter tratamento adequado, já que são as principais causas de incapacidade nessa faixa etária.

Nos idosos, a prioridade são as estratégias de prevenção de demências, já que se estima que até 40% dos casos de Alzheimer e outras demências poderiam ser evitados com o controle dos fatores de risco, entre eles glicemia de jejum elevada, obesidade, tabagismo e poluição do ar. Em todas as fases, é necessário implementar reformas estruturais de saúde para fortalecer os serviços de reabilitação, capacitar profissionais de saúde e facilitar o acesso a exames, consultas e tratamentos.

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Einstein em 22 de outubro. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360 .

Reportagem completa: https://www.poder360.com.br/poder-saude/doencas-neurologicas-atingem-quase-metade-das-pessoas-nas-americas/

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