# Alunos de Votorantim criam sistema integrado a robô humanoide com IA para apoiar aprendizagem

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/11/01/alunos-de-votorantim-criam-sistema-integrado-a-robo-humanoide-com-ia-para-apoiar-aprendizagem.ghtml)
- Publicado em: 2026-11-01T11:00:01.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1462002-alunos-de-votorantim-criam-sistema-integrado-a-robo-humanoide-com-ia-para-apoiar

> Alunos do interior de SP criam sistema com robô para apoiar aprendizagem em sala de aula

Alunos do 3º ano do Ensino Médio do Sesi Votorantim desenvolveram um sistema para auxiliar no processo de aprendizagem em sala de aula. Integrada a uma robô humanoide, a solução pode assumir uma função mediadora nas atividades escolares e estimular os estudantes a adotar uma postura mais questionadora.

O projeto foi desenvolvido pelos alunos Felipe Augusto Gomes, Pedro Henrique Detonhe e Samuel Pires, com suporte do professor e orientador de educação digital, Marcelo Dias. O “Mentor Maker” ficou em segundo lugar no Sesi Makerthon 2026, competição que teve 121 propostas inscritas de todo o estado de São Paulo.

O “Mentor Maker” utiliza painéis eletrônicos para que os alunos possam sinalizar o nível de dificuldade que têm em uma tarefa. O sistema identifica o grau de complexidade para os estudantes e cria uma fila que prioriza aqueles que precisam de mais atenção. Esses dados também permitem que o docente pense em abordagens diferentes para serem exploradas em sala de aula.

Alunos do Sesi de Votorantim (SP), Felipe, Pedro e Samuel desenvolveram sistema para auxiliar no processo de aprendizagem em sala de aula

“O projeto surgiu da necessidade de auxílio aos estudantes em ambientes de alta demanda e, prezando pela robótica e desenvolvimento tecnológico, nós pensamos em como resolver esse problema utilizando algo interativo para os estudantes. Nesse caso, o painel foi criado para mudar o ambiente dentro da sala de aula e não só ampliar o foco do aluno, mas direcionar o uso da inteligência artificial de maneira correta”, afirma Gomes.

Esse uso da inteligência artificial é outra motivação dos alunos para a criação do projeto. “Essa é uma questão muito recorrente nas salas de aula do mundo todo e é perceptível que os estudantes usam isso de maneira equivocada. Eles procuram consultar para conseguir respostas prontas, não para auxiliar no raciocínio”, relata Detonhe.

É nesse momento que entra no projeto a integração com a robô humanoide, chamado de LEIA. Os alunos explicam que esta robô pode interagir com os estudantes, ouvir dúvidas e oferecer orientações geradas por inteligência artificial.

“A LEIA consegue responder perguntas para incentivar o estudante a continuar indo atrás das respostas, exibindo não só imagens, mas também circuitos e outras opções relacionadas para mostrar como o estudante pode avançar naquela atividade. Dessa forma, a robô oferece serve como um apoio para os estudantes”, diz Gomes.

Quando a inteligência artificial é colocada em discussão, surgem as dúvidas e os temores sobre a substituição de profissionais por uma tecnologia. Mas o orientador do projeto garante que o projeto não tem essa finalidade.

“O 'Mentor Maker' não vai substituir o professor e isso nunca foi pensado, porque o professor tem um papel fundamental dentro da sala de aula. Prezamos muito pelo socioemocional e pelo projeto de vida dos alunos, e o professor entra diretamente nisso e não há como substituir. O sistema é um apoio para auxiliar nos momentos em que os estudantes não têm as respostas e são instigados a buscar as respostas cada vez mais."

Integrado a robô humanoide, solução estimula uma postura mais questionadora dos estudantes, não oferecendo respostas prontas

Desafios e experiências

Para os alunos, buscar uma solução que pudesse colaborar com a aprendizagem de outros estudantes foi uma experiência desafiadora e gratificante. “Foi muito difícil transformar nossas ideias em algo concreto e que possa alterar a realidade dessas pessoas. É gratificante ser reconhecido, principalmente por todo o esforço que nossa equipe colocou nisso”, relata Gomes.

Para Pires, participar do projeto foi transformador. “Um dos aspectos mais valiosos que essa experiência proporcionou foi compreender que a inovação vai muito além da tecnologia. Ela nasce de uma colaboração e da capacidade de ouvir diferentes perspectivas, colocando todos os problemas que a sociedade enfrenta e desenvolver um projeto que solucione ou contribua com essas questões”.

“Sempre me interessei bastante por programação e tecnologia. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de ter essa experiência de desenvolver projetos. Eu nunca acreditei que as minhas habilidades e interesses pudessem ser usados de forma correta, para ajudar minha comunidade escolar”, completa Detonhe.

Segundo o orientador, o projeto não terminou após o desenvolvimento e reconhecimento. “Ele virou um projeto de pesquisa contínuo na unidade. A ideia é que, todo ano, novos alunos assumam os papéis de protagonistas e melhorem a solução, para que possamos submetê-la a outras feiras de iniciação científica”.

Dias esclarece, ainda, que o sistema não depende da LEIA para funcionar, o que permitiria ao projeto ser adotado por outras instituições de ensino.

“Ele foi pensado para ser integrado ao robô humanoide, mas também para funcionar de forma autônoma. Se uma escola não consegue adquirir um robô e trabalhar essa integração, é possível apenas confeccionar o painel com os alunos com baixo custo. É um projeto barato e que pode ser replicado em qualquer unidade”, finaliza o orientador.

Projeto dos alunos do Sesi Votorantim (SP) ficou em segundo lugar em competição com 121 soluções inscritas de todo o estado de São Paulo

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